Flávio Bolsonaro quer discussão por reforma trabalhista e mudanças na Previdência
Pré-candidato a Presidência, filho de Bolsonaro também deve apresentar em seu plano de governo mudanças na Previdência Social
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Coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador Rogério Marinho (PL-RN) diz que tem conversado com o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e que, em caso de vitória nas eleições, o novo governo pretende revisitar as reformas da Previdência e trabalhista.
Marinho evitou detalhar pontos do futuro plano de governo, mas adiantou que a campanha vai abordar a necessidade de fazer uma nova reforma da Previdência e revisitar a reforma trabalhista.
“O modelo está estourando. Só posso dizer que a gente vai ter que revisitar a Previdência. A trabalhista tem de ser revisitada, porque a reforma de 2017 foi mitigada por várias decisões judiciais. Ao mesmo tempo, ela precisa ser atualizada pelas inovações tecnológicas, pelas novas formas de trabalho que estão crescendo”, disse.
Há quem veja na mudança da política do salário mínimo promovida pelo governo Lula (PT) um fator de pressão relevante para essa despesa. Cerca de dois terços dos benefícios previdenciários correspondem ao piso, que desde 2023 voltou a ter ganhos reais, acima da inflação.
Marinho desconversou sobre o tema e não respondeu se mudanças na política de salário mínimo serão abordadas no plano de governo de Flávio. Ele disse apenas que a nova reforma da Previdência pode envolver parâmetros ou até uma mudança de modelo.
O plano de governo do pré-candidato será lançado no dia 30, com diretrizes para economia (sobretudo a área fiscal), educação, segurança hídrica e terras indígenas, entre outros temas. Segundo Marinho, ainda não haverá indicação de nomes para a futura equipe.
Flávio tem conversado com interlocutores da área econômica e afirmou a aliados que anunciará em breve o nome de seu ministro da Economia, mas Marinho disse que não há um escolhido por ora.
Marinho elogiou Campos Neto, tido no mercado e entre apoiadores de Flávio como um dos cotados para chefiar a equipe econômica em eventual novo governo.
Outros nomes têm sido ventilados, como o ex-secretário do Tesouro Nacional Mansueto Almeida, hoje economista-chefe do BTG Pactual. Flávio também tem conversado com ex-integrantes do governo de seu pai.
Sem posição sobre a escala 6x1
Na área trabalhista, Rogério Marinho disse que o plano deve contemplar propostas para modernizar a legislação. O tema da jornada 6x1, que vem ganhando tração, deve ser um debate a se desenrolar este ano no Congresso.
Sobre este assunto, Flávio Bolsonaro e o PL não fecharam uma posição, mas o coordenador — que também é líder da oposição no Senado — defendeu que qualquer flexibilização da jornada venha acompanhada de compensação às empresas, por meio da desoneração da folha de salários.
Marinho afirmou ainda que, se Flávio for eleito, o novo governo deve propor uma nova regra fiscal. “É evidente que nós temos que redefinir parâmetros fiscais, porque o que existe não é mais um arcabouço, é uma peneira. A forma como a política fiscal expansionista acontece no Brasil é uma das principais causas dessa taxa de juros de 15% ao ano”, disse, sem detalhar o possível desenho.
Ele também citou o que classificou de problemas de vinculação e indexação do Orçamento, ou seja, o quanto das despesas já ficam carimbadas para determinados fins, sem possibilidade de manejo pelo gestor, e seguem regras automáticas de correção.
Segundo Marinho, o PL contratou uma consultoria, a GO Associados, para dar suporte à organização do plano de governo, um trabalho que teve início há seis meses. “Mais de 90 pessoas já foram entrevistadas, elenquei inicialmente 30, e fomos ao longo do tempo conversando com muita gente”.
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