Sport silencia Aflitos, vence por 3 a 0 e conquista o tetracampeonato
Leão garante 46ª taça estadual e consolida hegemonia da década; Náutico perde favoritismo e chance de celebrar título com torcida dentro de casa
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O Sport é tetracampeão pernambucano de 2026. Ao vencer o Náutico por 3 a 0 neste domingo (8), nos Aflitos, o clube rubro-negro conquistou sua 46ª taça estadual e o primeiro tetra desta década. O resultado isola o Leão como o maior vencedor dos últimos anos em Pernambuco.
Para o Náutico, o jogo marcou a perda do favoritismo construído na primeira fase e o fim do sonho de festejar um título ao lado do torcedor em seu estádio, fato que não ocorre desde 1974. No título de 2021, conquistado no mesmo local, os portões estavam fechados devido à pandemia.
Mesmo com palco montado para a festa alvirrubra e o clima de favoritismo, o Náutico sucumbiu à frieza e competência do rival.
Iury Castilho, duas vezes, e Augusto Pucci marcaram os gols que garantiram o terceiro tetracampeonato da história do Sport — os outros foram registrados entre 1996-2000 e 2006-2010. A partida teve duas torcidas e foi marcada pela superioridade tática do visitante, que soube aproveitar os erros de saída de bola e o nervosismo do time da casa.
Cenário pré-jogo e arbitragem
As equipes chegaram para a decisão após um empate em 3 a 3 na Ilha do Retiro, no jogo da ida. O Náutico entrou em campo com o peso de uma campanha sólida: oito vitórias em dez jogos, o melhor ataque (25 gols) e com a defesa menos vazada. O atacante Paulo Sérgio, artilheiro da competição, era a esperança do 25º título, mas teve atuação apagada.
Pelo lado rubro-negro, o técnico Roger Silva entrou pressionado e conseguiu "tirar a corda do pescoço" com a manutenção de uma invencibilidade que agora soma oito partidas.
A arbitragem de Paulo César Zanovelli (FIFA/MG) foi ponto de crítica. O juiz deixou de marcar faltas consideradas importantes, especialmente para o lado alvirrubro, em cima do atacante Vinicius, por exemplo, o que elevou a temperatura no gramado. O Náutico, que tentava proteger a mística do caldeirão dos Aflitos, não conseguiu converter o domínio estatístico da primeira fase em eficiência na finalíssima, saindo de campo sob protestos de parte da torcida.
1º tempo
Sport abre 2 a 0 logo no 1º tempo
O Sport encerrou o primeiro tempo da final do Campeonato Pernambucano com uma vantagem de 2 a 0 sobre o Náutico, em pleno Estádio dos Aflitos. Apesar da festa inicial da torcida alvirrubra, que estendeu um bandeirão e distribuiu pequenas bandeiras brancas e vermelhas antes do apito inicial, o time da casa não converteu o favoritismo em eficiência.
O jogo, marcado pelo atraso de três minutos e pelo excesso de faltas e cartões, teve o placar aberto logo aos 14 minutos.
O primeiro gol surgiu de um erro de saída de bola do Náutico dentro da própria área. Gustavo Maia recuperou o cruzamento errado e serviu Iury Castilho. O camisa 95 completou de carrinho para o fundo das redes, assumindo a artilharia do Sport. O Náutico tentou responder pelas jogadas na lateral esquerda, mas esbarrou em passes errados e na marcação fechada do Sport. Por esse mesmo lado, o Leão fez importantes contra-ataques.
Expulsão e ampliação do placar
O goleiro do Sport, Thiago Couto, praticamente não foi acionado até os 31 minutos, quando o Náutico teve uma de suas chances mais claras. O alvirrubo Yuri Silva cruzou rasteiro para Auremir, que finalizou em cima do companheiro de equipe, Dodô. No rebote, Júnior Todinho mandou por cima do travessão. Do outro lado, Muriel evitou o terceiro gol do Sport ao defender um chute desviado do incrível Barletta aos 35 minutos.
A situação alvirrubra piorou aos 39 minutos. Após revisão do VAR, o árbitro Paulo César Zanovelli expulsou o jogador do Náutico por um chute na perna de Gustavo Maia. Ele tinha acabado de cair, mas, com uma perna no chão, de joelho, usou a outra para travar a perna de Gustavo Maia. Surreal.
Com um homem a menos, o time da casa cedeu espaços. Aos 41 minutos, uma jogada veloz pela direita parou nos pés de Barletta, que serviu Augusto Pucci. O leonino bateu de primeira para fazer o segundo gol rubro-negro. Barletta, como sempre, um garçom.
Clima tenso
O técnico alvirrubro, Hélio dos Anjos, demonstrou impaciência na beira do gramado durante toda a etapa. O atacante Paulo Sérgio, principal esperança do Náutico, teve atuação discreta e pouco tocou na bola. Não teve bebê para balançar. Sumiu em campo, como sumiu o bebê que levava nos jogos do Santa Cruz.
Sem direito a comemorações provocativas, o Náutico encerrou o primeiro tempo vendo o choro de torcedores alvirrubros nas arquibancadas.
2º tempo
Sport administra e amplia nos acréscimos
O Sport iniciou a etapa complementar pressionando a saída de bola do Náutico. Aos seis minutos, Gustavo Maia encobriu o goleiro Muriel, mas o alvirrubro Wanderson tirou a bola em cima da linha.
No lance seguinte, Barletta finalizou de fora da área e a bola passou perto do travessão. O jogo sofreu uma interrupção aos 13 minutos, quando torcedores do Náutico arremessaram copos no gramado durante um escanteio de Barletta, gerando uma discussão entre o atacante rubro-negro e o centroavante alvirrubro Paulo Sérgio.
A Federação Pernambucana de Futebol (FPF), por sua vez, divulgou o público total de 17.661 torcedores nos Aflitos, com renda de R$ 768.668,00. A casa estava lotada e o espaço dos visitantes ficou apertado.
Com um homem a menos, o Náutico apresentou dificuldades na criação no mieo de campo e viu o adversário utilizar a catimba para gastar o tempo. Aos 31 minutos, parte da torcida alvirrubra começou a deixar as arquibancadas do estádio.
Os cartões
Pelo lado do Sport, Zé Gabriel, Pedro Martins e Zé Lucas receberam cartões amarelos antes de serem substituídos em um rodízio visando a Copa do Brasil. Pelo lado alvirrubo, Arnaldo, Yuri Silva, Luiz Felipe amarelaram enquanto Dodô recebeu vermelho.
O clima de tensão aumentou aos 38 minutos com a expulsão de um auxiliar técnico do Sport que discutiu com outras pessoas na saída de campo. Nos minutos finais, o Náutico tentou avançar com Vinícius, jogador mais participativo do time da casa, mas o resultado não veio.
Aos 51 minutos, após uma nova defesa de Muriel, Augusto Pucci sofreu pênalti. Iury Castilho converteu a cobrança, provocou a torcida adversária e selou o placar em 3 a 0. O atacante encerra a competição como artilheiro do clube leonino, com quatro gols marcados.
O rei da década
O apito final selou o contraste nos Aflitos. De um lado, o gramado tomado pelo vermelho e preto em uma festa de quem domina o estado há quatro anos, pode-se dizer até mesmo a década.
Do outro, arquibancadas esvaziadas antes da hora, restando apenas o palco vazio, segundo Iury Castilho, que o Náutico montou para uma celebração que não aconteceu.
A mística do “caldeirão” dos Aflitos, que esperava reencontrar sua torcida em um grito de campeão, terá de esperar um pouco mais. O domingo termina com o Recife dividido entre o silêncio da Avenida Rosa e Silva e o rugido de um Leão que, nesta década, segue como o rei década no futebol pernambucano.
FICHA DO JOGO
NÁUTICO 0
Muriel; Arnaldo (Reginaldo), Wanderson, Igor Fernandes e Yuri Silva; Auremir (Luiz Felipe), Wenderson (Juninho) e Dodô; Júnior Todinho (Felipe Saraiva) (Matheus Rosa), Vinícius e Paulo Sérgio. Técnicos: Hélio dos Anjos e Guilherme dos Anjos.
SPORT 3
Thiago Couto; Augusto Pucci, Marcelo Ajul, Marcelo Benevenuto e Felipinho; Zé Lucas, Zé Gabriel (Pedro Martins) (De Pena) e Yago Felipe (Marlon Douglas); Chrystian Barletta, Gustavo Maia (Clayson) e Iury Castilho. Técnico: Roger Silva.
Local: Estádio dos Aflitos, no Recife-PE.
Árbitro: Paulo César Zanovelli (MG).
Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Eduardo Gonçalves da Cruz (MS).
VAR: Pablo Ramon Pinheiro (RN).
Gols: Iury Castilho (14’/1ºT e 52’/2ºT) e Augusto Pucci (42’/1ºT) (SPO).
Cartões amarelos: Arnaldo, Yuri Silva, Luiz Felipe (NAU); Zé Gabriel, Pedro Martins (SPO).
Cartão vermelho: Dodô (NAU).
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