Mulheres são destaques nas áreas da ciência e da medicina
Nos consultórios, laboratórios e centros de pesquisa, elas atendem e conduzem estudos capazes de transformar vidas
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Ciência também é assunto de mulher. Nos laboratórios e centros de pesquisa, elas conduzem estudos capazes de transformar vidas.
Esse é o caso da bióloga Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que há décadas se dedica à pesquisa da polilaminina, substância investigada como esperança no tratamento de lesões na medula.
Em entrevista recente ao jornal A Tribuna, ela contou que não teve dúvidas ao escolher o caminho que gostaria de seguir.
“Desde que eu era criança nunca me vi fazendo outra coisa. Para mim sempre foi meio óbvio. Desde a graduação, fui seguindo. Tive bolsa de mestrado, de doutorado, depois fiz pós-doutorado. Fiz o concurso na universidade e fui seguindo na área”, destacou.
Discreta por natureza, Tatiana disse que ainda está se acostumando com a exposição que veio após a divulgação dos resultados da polilaminina.
“Vi que me citam até quando se fala em importância do investimento em pesquisa nas universidades. Acredito que essa é uma parte positiva. Realmente, quando uma pesquisa chega a uma fase dessa, de poder virar um medicamento que pode salvar vidas, as pessoas passam a entender o porquê de ter tanta gente trabalhando em pesquisa. Isso ajuda a fazer uma conexão”.
E a vida dedicada à pesquisa também é repleta de desafios. Ela conta que tem pouco tempo para lazer e não vai ao cinema há mais de 10 anos.
“Eu não faço nada porque nunca posso. Geralmente trabalho até muito tarde, 22h ou 23h, e quando estou em casa, eu estou trabalhando também”.
Mas em meio a uma rotina mais do que atarefada, ainda há espaço para o samba.
“Na hora que acabo o meu expediente, o que tem aberto? O samba. Então eu vou. E eu acho que a roda de samba tem uma coisa muito bacana que é a de pessoas cantarem juntas. É quase algo religioso”.
O que elas dizem
Dinamismo
“Ser uma mulher líder em 2026 é, acima de tudo, um privilégio e uma responsabilidade de 'unir pontes'. Significa liderar com dinamismo, equilibrando as múltiplas funções que desempenhamos como médica, mãe, esposa, filha e amiga. Deixamos de ser exceção para sermos protagonistas na gestão e na ciência”, disse Maria Amélia Julião, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional Espírito Santo.
Oportunidades
“A medicina já é uma profissão majoritariamente feminina em muitas faixas etárias. Por outro lado, quando olhamos para cargos de liderança, ainda existe um caminho a percorrer. Precisamos avançar na equidade de oportunidades, e também em estruturas de trabalho que permitam conciliar carreira, maternidade e vida pessoal”, afirma Sarah Pilon, presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva - Capítulo Espírito Santo.
Organização
“As mulheres na liderança costumam trazer mais organização e melhor distribuição de tarefas, valorizando as qualidades de cada profissional. Temos mais facilidade em reconhecer o trabalho da equipe e demonstrar empatia diante das dificuldades que cada pessoa enfrenta em diferentes momentos. Isso se reflete em uma liderança agregadora”, destaca Karin Rossi, presidente da Associação de Ginecologistas e Obstetras do Espírito Santo.
Coragem
“Na nossa área, é fundamental que mulheres apoiem outras mulheres. Muitas vezes as oportunidades não aparecem de forma automática, então precisamos construir nosso próprio caminho com coragem e consistência. Cada conquista individual ajuda a abrir portas e tornar o ambiente da medicina mais justo e equilibrado para as próximas gerações”, pontua Marina da Rós Malacarne, presidente da Sociedade de Infectologia do Espírito Santo.
Análise
Maior inteligência emocional - Martha Zouain, psicóloga, consultora organizacional e especialista em carreira
“As mulheres não estão apenas ocupando mais espaço no mercado – estão redefinindo o que liderança significa.
Por décadas, liderar foi sinônimo de um perfil único: rígido, hierárquico, pouco aberto ao diálogo. Comprovado pela neurociência, as mulheres são líderes com maior inteligência emocional e geram equipes mais criativas e produtivas.
Não se trata de romantizar o feminino. Trata-se de reconhecer que diversidade de perspectivas produz melhores decisões. Empresas com mais mulheres em posições estratégicas apresentam melhores resultados.
O avanço é real. Mas ainda há muito a percorrer. Salários desiguais, dupla jornada invisível e o chamado “teto de vidro” seguem sendo obstáculos concretos.
O que muda o jogo não é apenas colocar mulheres em cargos. É criar culturas organizacionais onde possam liderar sem precisar escolher entre competência e humanidade.
O futuro das organizações não será construído apesar das mulheres, mas porque elas estiveram lá – presentes, inteiras e sem pedir licença para ocupar o espaço que sempre foi delas”.
Avanço em posições de liderança - Tânia Telles, especialista em liderança e transformação organizacional
“O avanço das mulheres em posições de liderança é uma das transformações mais relevantes no mercado de trabalho contemporâneo. Mais do que uma mudança numérica, trata-se de uma transformação na forma como organizações constroem e sustentam resultados.
Nas últimas décadas, elas ampliaram a presença na educação e no mercado de trabalho. No Brasil, já representam a maioria entre os diplomados no ensino superior. Ainda assim, quando observamos os espaços de decisão, essa presença ainda não se reflete de forma proporcional.
Nesse cenário, a pauta da liderança feminina precisa ir além das comemorações do Dia Internacional da Mulher e ser tratada como parte permanente da estratégia das organizações.
Resultados podem ser planejados em planilhas, mas só se tornam duradouros quando existem lideranças capazes de sustentá-los no tempo. E, em muitos contextos, são mulheres que silenciosamente sustentam essa base”.
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