Exportadores buscam novas rotas em meio a fechamento do Estreito de Ormuz
Após fechamento de Ormuz, exportadores de frango buscam alternativas. Navios seguem viagem e fluxo não foi interrompido
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Com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passaram mais de 95 mil contêineres de frango brasileiro, no ano passado, em direção a países do Oriente Médio, exportadores do agro já buscam novas rotas.
No início da semana, os armadores haviam interrompido a oferta de novos contêineres para produtos brasileiros com o aumento de risco na região após o ataque de Israel e EUA ao Irã. Mas desde terça, as companhias marítimas já começaram a destravar novos caminhos para entregar o frango brasileiro aos clientes naqueles países.
Por dia, são cerca de 5 mil toneladas enviadas à região.
“Algumas companhias marítimas já começaram a buscar novas rotas. Os navios que já deixaram o Brasil continuam viagem. Parte dessas cargas, porém, ainda está em trânsito e pode enfrentar redirecionamentos ou ficarem em armazéns (a carne vai congelada). Por enquanto, não há rupturas do fluxo comercial”, explica Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Ele disse que o Ministério da Agricultura se dispôs a colaborar mudando a documentação de um destino para outro quando necessário.
Uma das rotas que já começou a ser utilizada pelos donos de navios vai até a Arábia Saudita e à Jordânia via estreito de Bab al-Mandab, entre o Iêmen e Djibouti. Esse estreito dá acesso ao Mar Vermelho e à costa leste da Arábia Saudita.
Outra rota combina os modais marítimo e terrestre. Sem a possibilidade de utilizar Ormuz, o acesso à região é feito pelo Mar Vermelho, via Cabo da Boa Esperança, já que o canal de Suez também está fechado. Nesse caso, o desembarque é em Omã, no Porto de Salalah. Dele, a carga pode ser levada em caminhões refrigerados até Dubai, por exemplo, explica Santin.
Outro caminho, por via marítima, é entregar cargas no porto de Khorfakkan, na costa leste dos Emirados Árabes Unidos, antes do estreito.
O Oriente Médio é altamente consumidor do frango brasileiro. Mais da metade desse produto importado pela Arábia Saudita vem do Brasil, enquanto os Emirados Árabes importam 74% do produto brasileiro, e a Jordânia, 90%. Os 12 países do Oriente Médio (excluindo o Irã) atendidos pelo Brasil importam mensalmente entre 100 mil e 120 mil toneladas ou 15% da produção nacional, segundo Santin.
Para viabilizar o uso de rotas alternativas ou mudança de destino, a ABPA solicitou ao Ministério da Agricultura alterações em documentos emitidos. Santin disse que o ministério garantiu que iria facilitar essa mudança nos documentos.
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