Doses mais potentes de Mounjaro chegam às farmácias
Remédio vai contar com concentrações de 12,5 mg e 15 mg a partir do dia 15. Médicos alertam para a necessidade de avaliar efeitos colaterais
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Dez meses após ter chegado às farmácias do Brasil nas dosagens de 2,5 mg e 5 mg, doses mais potentes do Mounjaro (tirzepatida) chegam ao País a partir do dia 15.
Em anúncio, a Eli Lilly do Brasil, fabricante do medicamento, informou que as novas concentrações de 12,5 mg e 15 mg ampliam as opções de tratamento para pacientes com diabetes tipo 2, sobrepeso com comorbidades associadas, obesidade e apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade.
Com isso, os pacientes brasileiros passarão a contar com todas as doses de Mounjaro disponíveis: 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg e 15 mg.
A medicação tem ganhado destaque nos últimos meses devido ao seu efeito na perda de peso. Por simular a ação de dois hormônios intestinais naturais, GLP-1 e GIP, o remédio reduz o apetite, aumenta a saciedade e estimula a liberação de insulina, ajudando no controle da glicemia e do peso.
A endocrinologista Jessika Marques explica que as novas doses são um avanço terapêutico indicado para pacientes que estão em escalonamento de doses. “São para pacientes que não chegaram ao peso que precisam. Doses maiores darão melhores respostas, com maior potência da medicação”.
A endocrinologista Maria Amélia Julião, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Estado (SBEM-ES), explica, porém, que, “na ciência, mais nem sempre é melhor”.
“O segredo é a dose certa para a pessoa certa. Embora os estudos mostrem que as doses de 15 mg proporcionam, em média, uma perda de peso maior, isso vem com um preço: o risco de efeitos colaterais, como náuseas e vômitos, que também aumentam. O ‘melhor resultado’ é aquele em que o paciente atinge sua meta de saúde com o máximo de bem-estar e o mínimo de desconforto”, alerta.
O endocrinologista Daniel Bortolini destaca que, se o paciente já for muito sensível a doses baixas, não há necessidade de aumentar a dose.
“O aumento de dose depende da resposta e da necessidade de cada paciente. Nos estudos existem benefícios da dose de 15 mg em relação à de 10 mg, mas é um benefício, tanto no peso quanto no controle de glicose, pequeno. Vamos utilizar doses maiores para casos bem selecionados, avaliando o risco e o custo-benefício da medicação”.
Fique por dentro
Como agem novas doses do medicamento
Novas dosagens do Mounjaro
A Eli Lilly do Brasil anunciou a chegada das novas dosagens de 12,5 mg e 15 mg do Mounjaro (tirzepatida) ao mercado brasileiro a partir da segunda quinzena de março.
Passam a estar disponíveis todas as concentrações do medicamento: 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg e 15 mg, permitindo maior personalização e escalonamento do tratamento conforme prescrição médica.
Indicações terapêuticas
O medicamento é indicado para adultos com diabetes tipo 2, obesidade, sobrepeso com comorbidades associadas e apneia obstrutiva do sono moderada a grave em pacientes com obesidade. Trata-se de uma medicação injetável de aplicação semanal, utilizada como adjuvante à dieta e à prática de exercícios físicos.
Como o medicamento atua
A tirzepatida é a primeira medicação aprovada capaz de atuar simultaneamente nos receptores de dois hormônios incretínicos: GIP e GLP-1. Eles são liberados pelo intestino após as refeições e estimulam a produção de insulina. Em pessoas com diabetes tipo 2, esse efeito está reduzido.
Ao atuar nos dois receptores, o medicamento melhora o controle da glicemia e aumenta a saciedade, contribuindo também para a redução do peso corporal.
Doses mais altas trazem melhores resultados?
Estudos indicam que doses mais elevadas podem promover maior perda de peso, em média. Porém, o aumento da dose pode elevar o risco de efeitos colaterais, como náuseas e vômitos. O melhor resultado é aquele que equilibra eficácia clínica e tolerabilidade.
Quando as doses maiores são indicadas
As dosagens mais altas são recomendadas para pacientes que toleraram bem as etapas anteriores e que ainda não atingiram as metas terapêuticas. Não são indicadas para quem já alcançou os objetivos com doses menores ou para pacientes que apresentam efeitos adversos importantes.
Doses mais altas “duram” mais tempo no organismo?
A principal diferença é a potência de ação nos receptores hormonais do cérebro e do sistema digestivo, aumentando a saciedade e o controle da glicose. O tempo de permanência do medicamento no organismo é o mesmo para todas as dosagens. A aplicação continua sendo semanal.
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