Paciente com fibromialgia: “Não conseguia ficar em pé e agora aprendi a voar”
Stefany Loureiro conta que vivia como se o corpo “queimasse”. Após tratamento, ela agora consegue até pilotar parapente
Siga o Tribuna Online no Google
A fibromialgia é uma síndrome crônica, um distúrbio de processamento da dor no sistema nervoso central que provoca dores generalizadas no corpo, fadiga intensa, distúrbios do sono, sintomas emocionais, como ansiedade e depressão, entre outros.
Viver como se a carne do próprio corpo queimasse e não conseguir ficar de pé em alguns dias fazia parte da rotina da Stefany Loureiro, de 37 anos. A nail designer, porém, conseguiu mudar de vida com o tratamento adequado e hoje é piloto de parapente.
“Era como se minha carne queimasse, em alguns dias eu não conseguia ficar de pé, não levantava da cama, não podia estar com meus filhos. Tudo era dolorido e difícil. Em 2023 eu comecei o tratamento e, 11 meses depois, eu pude voltar a trabalhar, o médico liberou. Eu chorei de emoção. No ano passado, ganhei um voo de parapente de aniversário e me aventurei. Tudo que era bom ficou ainda melhor. Não ficava em pé e aprendi a voar”.
Stefany mora em Vila Velha e tem dois filhos: Jhenifer, de 15 anos, e Ruan, de 12 anos.
Ela conta que, depois do tratamento, já perdeu mais de 20 quilos e agora quer participar do Campeonato Brasileiro de Parapente.
“Eu pesava 89 quilos, e hoje peso 68, não sinto mais dores, faço de tudo. Este ano, vou trabalhar no Campeonato Brasileiro de Parapente, em Governador Valadares (MG), em março, mas não posso competir ainda, preciso subir de nível. Mal posso esperar para competir! Eu me apaixonei por voar, não paro mais”, afirmou.
Apesar da fibromialgia ter origem com questões emocionais, a dor é física, crônica e intensa, explica André Félix, anestesiologista e especialista em dor crônica.
“Ainda não se sabe ao certo o motivo causador dessa síndrome, que não tem cura, mas sabemos que traumas emocionais estão envolvidos”.
No caso da Stefany, foi um problema familiar. A síndrome é uma dor física generalizada no corpo, por pelo menos três meses. O paciente fica com fadiga, distúrbio do sono, memória confusa e até dores de cabeça.
As vítimas de fibromialgia também relatam impactos na vida pessoal e profissional, explica a reumatologista Andressa Abreu. “As crises de dor são imprevisíveis, gerando impacto severo na vida profissional e pessoal, o que pode trazer danos psicológicos”.
“Hoje a dor não me limita mais”
Sara Tackla, de 64 anos, é paciente de fibromialgia e conta que não tinha disposição para fazer o que queria.
“Eu sobrevivia somente, não vivia. Eu tinha dores no corpo todo o temo inteiro, não tinha disposição para fazer nada que queria”, relatou.
Ela conta que tudo mudou com tratamentos multidisciplinares: “A chave virou com acupuntura, bloqueio simpático venoso, pilates e terapia. Hoje a dor não me limita mais”.
Tratamentos contra a fibromialgia
No Espírito Santo, estima-se que cerca de 120 mil pessoas tenham fibromialgia. Apesar da síndrome não ter cura, a soma de tratamentos diversos permite controlar os sintomas, fazendo com que o paciente viva normalmente, e sem dor.
Medicamentos que modulam o sistema nervoso e bloqueios anestésicos são alguns dos exemplos, explica Alberto Barbosa, médico anestesista.
“Buscamos o reequilíbrio do sistema nervoso do paciente. O bloqueio simpático venoso, que consiste na infusão intravenosa de anestésicos, e também o uso de antidepressivos ajudam a diminuir o sinal de dor no cérebro”, explicou o médico.
Acupuntura e infiltrações em pontos de gatilho também ajudam a reduzir a dor, afirma Barbosa, especialista em acupuntura.
“Nas infiltrações com pontos de gatilho, inserimos uma agulha que injeta anestésico em nós musculares, o que relaxa o músculo. A acupuntura usa agulhas para estimular o sistema nervoso a produzir endorfina, que melhora o estresse e também promove relaxamento muscular”, afirmou.
A hipnoterapia, por outro lado, trata questões emocionais que podem estar relacionadas à fibromialgia, destaca o médico André Félix.
“A hipnoterapia, ou hipnose, busca trabalhar questões emocionais que atrapalham a vida do paciente. Isso permite ressignificar traumas e bloqueios, o que ajuda pacientes de fibromialgia, apontam estudos”, destacou.
Até tratamentos envolvendo campo magnético são empregados contra a fibromialgia, aponta Félix.
“A estimulação magnética transcraniana consiste em um aparelho que, através de um campo magnético, busca modular áreas do cérebro para controlar a dor”, disse.
O tratamento de fibromialgia também requer mudança de hábitos de vida e acompanhamento conjunto de uma equipe interdisciplinar, conclui o médico.
ENTENDA
Fibromialgia
> A Síndrome não tem cura e é uma condição multifatorial, com alterações na modulação central da dor, no sistema nervoso autônomo, no sono e na resposta ao estresse, estando atrelada à fadiga, distúrbios cognitivos, ansiedade e depressão.
> Para o diagnóstico, a dor no corpo deve ser generalizada, e acontecer continuamente há, pelo menos, três meses.
Tratamentos
> Diversos métodos buscam aliviar os sintomas da síndrome.
> Bloqueios anestésicos e medicamentos que modulam o sistema nervoso buscam reduzir a dor.
> Hipnoterapia, ou hipnose, ressignifica questões emocionais como traumas, que estão associados à sintomas da fibromialgia.
Fonte: Especialistas entrevistados.
Comentários