Conflito no Oriente Médio: mais de 70 mil brasileiros vivem no Oriente Médio
Dados são do Itamaraty e não incluem turistas ou pessoas em viagem. Entre eles, está uma personal capixaba que mora em Dubai
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Bombardeios, retaliações e ameaças de novos ataques têm colocado países do Oriente Médio em estado de tensão nos últimos dias. A região abriga atualmente mais de 70 mil brasileiros, de acordo com dados do Itamaraty, que acompanha o avanço dos conflitos.
As maiores comunidades brasileiras no Oriente Médio estão no Líbano, Israel, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Catar.
O número não inclui turistas ou pessoas em viagem temporária para as regiões.
Entre os capixabas que vivem na região está a personal trainer Michelli Possmozer, de 40 anos.
Ela mora há um ano e três meses em Dubai e não pensa em retornar para o Brasil.
Segundo ela, apesar da apreensão do último fim de semana, não chegou a ver nada de fato. “Hoje (ontem) está bem tranquilo. Nos arredores onde eu moro, as pessoas praticamente estão na rotina normal. Saí na rua para ir a uma loja e tinham carros e pessoas nas ruas, mas de vez em quando ouvimos ainda barulhos de explosões, que são dos drones ou mísseis interceptados”.
Ela destacou que o governo local é transparente e organizado, o que deixa as pessoas tranquilas. “As escolas estavam funcionando on-line esses dias e empresas tinham a opção de colocar home-office. Mas o comércio, shoppings e supermercados não fecharam”.
Ela relatou, ainda, que na região da Marina, onde mora, não viu situação de risco iminente.
“O que me deixou assustada no sábado foi quando recebi o alerta por mensagem no celular – disparado via satélite. A mensagem dizia para ficarmos em lugar seguro, coberto e ficar longe das janelas. Depois eu fui ler mais sobre o sistema de segurança de interceptação das ameaças no espaço aéreo e entendi que eles eram destruídos antes de chegarem à superfície e que os danos possíveis seriam dos destroços”.
O coordenador dos cursos de Relações Internacionais e Comércio Exterior da UVV, Daniel Carvalho, destacou que o conflito na região avançou, mas não na direção que o mundo e que brasileiros que vivem na região desejavam.
“O que temos visto é um aumento dos ataques, tanto dos Estados Unidos e Israel quanto da retaliação iraniana. Tivemos também o fechamento do Estreito de Ormuz, com ameaças de afundar navios que passarem”.
Mesmo assim, ele ressaltou que houve uma abertura parcial do espaço aéreo nos Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein. “Para os brasileiros que estão nessas regiões, é importante seguir os conselhos e as orientações das autoridades de segurança locais”.
Grupo revela expectativa de voltar para casa
Desde sábado (27) atracado em um navio cruzeiro no porto de Dubai, um grupo de 21 capixabas ainda não tem a data oficial de retorno ao Espírito Santo.
A expectativa, segundo o vice-presidente da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin, é de que isso ocorra nos próximos dias, possivelmente até o fim da próxima semana, respeitando a ordem de embarque dos passageiros com voos mais atrasados.
Era quase meia-noite da última terça-feira (3), em Dubai, quando ele gravou um vídeo, em sua cabine do navio, relatando novos momentos de tensão após uma intercorrência marcada por barulhos fortes. Mais cedo, por volta das 17 horas, já haviam sido ouvidos estrondos, inclusive com um pequeno tremor.
A avaliação é de que possam ter sido interceptações, diante do grande volume de ruídos de aeronaves e equipamentos de defesa no ar, além de sirenes circulando pela região.
Ele afirmou que o grupo segue confiante no plano de saída estabelecido pelos governos, embora reconheça que o processo possa se tornar mais lento.
“A orientação é manter a tranquilidade. Seguimos com fé de que chegaremos em segurança”.
Sufoco na ida e na volta
Pouso de segurança
Ex-secretário de Saúde do Espírito Santo, o médico sanitarista Nésio Fernandes revelou que saiu do Brasil na sexta-feira (27) em direção à China. “Faltando duas horas para pousar no Catar, onde faríamos conexão, fomos avisados do início dos bombardeios. A aeronave fez um pouso de segurança no Egito”. Desde sábado no Cairo, ele tem buscado alternativas para seguir viagem.
Busca por passagem
O presidente da Comissão de Direito Internacional e Relações Internacionais da 20ª Subseção da OAB-ES, Estenil Casagrande Pereira, está no Japão, onde foi correr a maratona de Tóquio. “Meu voo de volta seria por Dubai. Mas a situação está complicada. Muitos estão comprando nova passagem por outra rota. Alguns conseguiram reembolso e outros estão remarcando”.
O que eles dizem
Orientações
“O que preocupa neste momento é o envolvimento de outras potências. Alemanha, Reino Unido e França sinalizaram que podem se engajar militarmente para defender seus interesses. Isso poderia significar um conflito ainda mais amplo. Para os brasileiros que estão lá, é fundamental seguir as orientações das autoridades locais e do Itamaraty.”
Incerteza
“O conflito entre Estados Unidos, Israel e o Irã ainda é um cenário de incerteza. E o conflito está se estendendo. Na Europa, por exemplo, a Espanha se negou a ceder território para ser utilizada como base militar norte-americana. A situação é crítica no Oriente Médio e as consequências estão começando a ser sentidas no mundo inteiro”.
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