Emboscada: delegado relata ‘modus operandi’ dos suspeitos de estupro coletivo no RJ
"Ela sofreu violências sexuais e foi barbaramente agredida”, destacou o delegado
Siga o Tribuna Online no Google
O delegado Ângelo Lages, responsável pela investigação do caso da adolescente de 17 anos que foi vítima de um estupro coletivo em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, disse nesta quarta-feira, 4, que ao menos dois dos suspeitos - Mattheus e Vitor Hugo - foram denunciados por outros estupros. O modo operandi dos rapazes é o mesmo: emboscada e brutalidade.
“Chamou muito a atenção da gente. A vítima que deu o start a isso tudo, chegou na delegacia muito machucada. Ela sofreu violências sexuais e foi barbaramente agredida”.
“Tanto que a equipe que estava de plantão ficou tão estarrecida com o caso que foi até o imóvel com a intenção de prender todo mundo. Mas já não tinha mais ninguém”, disse ele em entrevista ao programa Encontro com Patrícia Poeta, da TV Globo. De acordo com o delegado, primeira vítima foi levada para o apartamento da família do Vitor Hugo.
A segunda denunciante, uma menina de 14 anos, foi levada para o apartamento da família de Mattheus. Ela também foi vítima de estupro coletivo por ele, um adolescente que também teria participado do primeiro caso denunciado - e outro rapaz que a polícia só tem o apelido e tenta identificar.
“O relato da segunda vítima é muito idêntico ao da primeira. Relação de confiança com o adolescente, estudavam no mesmo colégio, já tinham um relacionamento anterior. Por isso que a gente diz que foi uma emboscada planejada: ele se valendo dessa condição com a vítima, a atraiu até o apartamento, planejou com os outros homens, e quando ele começou a se relacionar com a menina, os outros invadiram o quarto e praticaram esses crimes bárbaros.”
O terceiro caso de estupro foi denunciado contra Victor Hugo. “Também uma vítima menor, também aluna do colégio. Ela estava em uma festa organizada pelo Colégio Pedro II, em outubro do ano passado, e teria sido vítima somente do Vitor Hugo.”
Ainda de acordo com o delegado, os dois rapazes foragidos combinaram de se entregar nesta quarta-feira, 4, sem horário definido.
A polícia investiga os três casos e acredita que irá receber novas vítimas. “Há relatos em redes sociais de mais vítimas. A gente conta fortemente com a possibilidade de outras meninas que foram vitimas compareçam à delegacia para fazer o relato do que aconteceu”, afirma.
Ainda de acordo com Lages, os rapazes, se condenados, podem ficar 20 anos presos. “A gente agora vamos trabalhar nesses dois novos fatos. São duas investigações distintas. É bom ficar claro que, caso sejam condenados, as penas são somadas, de cada crime de estupro. O estupro coletivo, com a qualificadora da vítima menor, a pena pode chegar a 20 anos de reclusão”
Quem são os réus
Com relação à violência sexual ocorrida em janeiro de 2026, os suspeitos Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, ambos de 19 anos, se entregaram à polícia nesta terça e estão presos.
Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonim, também suspeitos de envolvimento no crime, seguem foragidos.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos citados. Mas, em manifestação anterior, o advogado de Bertho apontou que a jovem saberia que havia outros rapazes na casa em que ela encontraria o ex-namorado e que teria consentido que seu cliente e os outros entrassem no quarto para assistir ao encontro íntimo entre ela e o ex-parceiro.
Um adolescente, que também teria participado das agressões sexuais, é alvo de uma representação do Ministério Público. A identidade dele não foi informada.
Ele é apontado como o responsável por atrair a vítima, de 17 anos, para um apartamento em Copacabana. Durante o ato, outros agressores teriam entrado no imóvel e praticado o estupro. O adolescente não foi apreendido e responderá por ato infracional análogo ao estupro. Já os quatro adultos respondem por estupro.
Vitor Hugo Oliveira Simonim é filho de José Carlos Costa Simonim, que ocupava o cargo de subsecretário de Governança, Compliance e Gestão Administrativa do Governo do Rio, órgão vinculado à pasta estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. O subsecretário foi exonerado do cargo após o episódio. A reportagem busca contato com o ex-servidor e com a defesa do filho.
O Colégio Pedro II, onde os quatro suspeitos do estupro coletivo em Copacabana estudam, abriu um procedimento administrativo e determinou o afastamento de todos eles. Em nota enviada à comunidade escolar, o colégio diz que, em conjunto com a reitoria e sob orientação da procuradoria federal, seguirá com o desligamento dos estudantes.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários