Ataque ao Irã pode aumentar a inflação no Brasil, afirmam especialistas
Uma alta prolongada no preço do petróleo também tende a impactar combustíveis e custos logísticos internos
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A ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos no Irã, neste sábado (28), provocou forte reação de Teerã e reacendeu temores de um conflito regional de maiores proporções, destacam especialistas ouvidos pela reportagem de A Tribuna. Eles observam ainda a possibilidade de aumento da inflação no Brasil, devido à alta do valor do petróleo e commodities.
“Para o Brasil, os efeitos da escalada podem ser sentidos principalmente no campo econômico. Uma alta prolongada no preço do petróleo tende a impactar combustíveis, inflação e custos logísticos internos. Ao mesmo tempo, o Brasil, como exportador de commodities agrícolas e minerais, pode enfrentar tanto oportunidades quanto riscos, seja pelo aumento de demanda em mercados alternativos, seja por instabilidade cambial e retração do comércio global”, afirmou Estenil Casagrande Pereira, advogado e Presidente da Comissão de Direito Internacional e Relações Internacionais da 20ª Subseção da OAB/ES.
O coordenador dos cursos de Relações Internacionais e Comércio Exterior da UVV, Daniel Carvalho, destaca que ataques como este pressionam o mercado de energia, elevam o preço do petróleo e a inflação global.
“Também aumentam o risco de escalada regional e aprofundam a polarização internacional. Para o Brasil, pode significar mais receitas com exportações de petróleo e commodities, mas também inflação, alta dos combustíveis, volatilidade cambial e maior pressão sobre a política monetária, questões altamente relevantes para o governo federal e as eleições deste ano”, afirmou.
Diplomacia
Para Estenil Casagrande, o impasse revela a fragilidade dos mecanismos diplomáticos existentes e a ausência de canais eficazes de mediação.
“Sob uma ótica moderada, é possível compreender que tanto Estados Unidos quanto Israel fundamentam sua decisão em percepções de segurança nacional. Ao mesmo tempo, a resposta iraniana reflete a lógica de soberania e dissuasão que orienta a política externa de Teerã. A história recente da região demonstra que ações limitadas podem rapidamente assumir dimensões imprevisíveis”, observou.
Daniel Carvalho afirmou que qualquer movimento estratégico é percebido como risco imediato. “Soma-se o perfil dos líderes, marcados por forte desconfiança e elevada crença na própria capacidade de controlar acontecimentos, o que favorece respostas firmes diante de desafios à credibilidade. Internamente, Trump enfrenta baixa aprovação e eleições próximas. Uma ação externa reforça sua imagem de liderança decisiva junto a uma base política coesa, gerando ganhos concentrados, enquanto os custos econômicos tendem a ser diluídos”.
Estenil Casagrande observa que a comunidade internacional reagiu de forma dividida. “Países europeus e asiáticos apelaram por contenção e retomada do diálogo diplomático, temendo que o confronto comprometa a estabilidade regional e global. Potências como Rússia e China criticaram a ofensiva e pediram respeito ao direito internacional”.
No âmbito das Nações Unidas, o tema foi levado ao Conselho de Segurança da ONU, onde diplomatas discutem medidas para evitar uma escalada mais ampla. Até o momento, porém, não há consenso claro sobre os próximos passos, observa Estenil Casagrande.
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