Celulares e eletrônicos vão ficar mais caros com alta em imposto no Brasil?
Aumento na tributação de mais de mil itens importados agrada a indústria, mas divide especialistas, que veem impactos no mercado
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Mais de mil produtos vindos do exterior sofreram aumento no Imposto de Importação pelo governo federal. Entre os itens afetados pela medida do Ministério da Fazenda — e apoiada pela indústria, como forma de proteção à produção nacional —, estão os telefones celulares.
O ministro Fernando Haddad negou veementemente que os preços irão subir: “Mais de 90% desses produtos são fabricados no Brasil. Ou seja, seguem a lei brasileira, nada a ver com a medida”.
Há especialistas, no entanto, que dizem o contrário e veem possibilidade de os preços de produtos como eletrônicos e smartphones serem, sim, afetados.
Advogado tributarista e empresarial, Marco Túlio Ribeiro Fialho disse que os celulares montados no Brasil não sofrem incidência direta do imposto sobre o produto final, mas podem ser impactados indiretamente pelo aumento do custo dos componentes importados utilizados na fabricação.
Já Marcelo Loyola Fraga, economista e diretor-geral da Faculdade Capixaba de Negócios, avalia que o aumento no preço dos componentes importados deve ser repassado gradualmente aos consumidores, “especialmente em modelos premium ou em lançamentos futuros”. Ele, porém, vê o risco reduzido de alta abrupta para o consumidor final, considerando a porcentagem de celulares feitos no País.
Fraga complementa que o efeito do imposto pode aumentar o preço de televisores, manutenção de máquinas médicas, valor de exames e grandes obras. “Setores intensivos em tecnologia importada, como eletroeletrônicos, equipamentos hospitalares e infraestrutura, podem sentir pressão de custos. O repasse, contudo, dependerá da concorrência, do câmbio e da capacidade de as empresas absorverem custo sem perder mercado”.
O economista Ricardo Paixão avalia que a medida do governo pode trazer efeitos negativos, como menor variedade de marcas e modelos e possível perda de acesso a tecnologias mais avançadas. Mas, em médio prazo, diz, há efeitos positivos, como a criação de emprego na indústria e fortalecimento das cadeias produtivas internas.
A Federação das Indústrias do Estado (Findes) saiu em apoio à medida. Segundo o presidente Paulo Baraona, a Findes defende a adoção de medidas que visem à proteção da indústria brasileira e ao aumento da competitividade do produtos nacionais no mercado interno.
Saiba mais
A medida
Foi publicada em 4 de fevereiro de 2026, no Diário Oficial da União, pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior.
A Resolução GECEX 85233, oficializa o realinhamento das alíquotas de importação de Bens de Capital e de Informática e Telecomunicações.
As novas alíquotas passaram a se concentrar principalmente nas faixas de 7,2%, 12,6% e 20%.
Itens afetados
São mais de mil e duzentos produtos que tiveram suas tarifas aumentadas, incluindo máquinas, componentes eletrônicos, computadores, celulares, roteadores, servidores, equipamentos médicos, equipamentos agrícolas e de construção, entre outros.
Além de produtos de tecnologia e informática, como placa-mãe de computador, câmeras digitais, placas de vídeo (GPU), processadores (CPU), memórias, impressoras, periféricos e cartuchos de tinta ou toner.
Zerar
Segundo o ministro Fernando Haddad, se o produto é produzido fora do País e não tem similar nacional, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) está autorizado a zerar o imposto de importação imediatamente.
Celular
No mercado brasileiro, cerca de 95% dos celulares são produzidos ou montados no País, enquanto aproximadamente 5% são importados oficialmente.
O aumento da alíquota para 20% incide diretamente sobre os aparelhos importados como produto acabado, o que tende a elevar seus preços.
Mas muitos dos insumos tiveram o preço elevado.
Impacto
Entre as principais marcas de Smartphone, Xiaomi pode ser impactada por não fabricar no País.
Já Apple, Samsung, Motorola, Jovi, Realme e Oppo não seriam afetadas, segundo o governo.
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