“O Morro dos Ventos Uivantes”: adaptação de romance enfrenta críticas
Novo “O Morro dos Ventos Uivantes” aposta em releitura livre e estética artificial, mas divide crítica ao adaptar clássico de Emily Brontë
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Lançado em meio a uma campanha de marketing gigantesca, “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emerald Fennell, aposta no erotismo frívolo, na artificialidade e no anacronismo para trazer uma leitura bastante livre da narrativa de Emily Brontë.
A diretora britânica quis que o título do filme aparecesse entre aspas justamente para reforçar a distância em relação à obra original, que Brontë escreveu na segunda metade do século 19 sob pseudônimo para que não se soubesse que a autora era uma mulher. As escolhas de Fennell, porém, soam inconsequentes e superficiais.
O filme preserva os principais pilares do único romance da escritora inglesa, que narra uma história de amor trágica. Cathy e Heathcliff crescem juntos em uma casa decadente de Yorkshire. O pai dela, o senhor Earnshaw, um aristocrata empobrecido e beberrão, decide adotar o garoto, órfão – ele é descrito como cigano no romance, dimensão que desaparece na tela.
Apesar desse pretenso gesto de bondade, Ernshaw é violento com o menino, que Cathy protege. Conforme crescem, passam a viver um amor mais ou menos reprimido, e a coisa sai do controle quando ela se casa com um vizinho rico.
A primeira parte do filme vai razoavelmente bem. Já há artificialidade na maneira de filmar as paisagens e certas decisões podem soar excessivas, mas, de modo geral, se sobressai o carisma irreverente do par de protagonistas, interpretados graciosamente, na infância, por Charlotte Mellington e Owen Cooper.
Na segunda parte, os personagens crescem e os atores são substituídos por Margot Robbie, de “Barbie”, e Jacob Elordi.
Com uma postura muito durinha, sorriso falso e vestidos exagerados, a Cathy de Margot Robbie surge na tela impregnada pela lembrança da boneca da Mattel. Festejado por influenciadores digitais, o filme tem recebido avaliações mais duras da crítica especializada.
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