O que se sabe sobre caso de médico envenenado após desvio de R$ 544 mil no ES
Secretária, com quem ele trabalhou por 12 anos, é acusada de usar arsênio por mais de um ano para ocultar o crime
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O que começou como a descoberta de um rombo de R$ 544 mil nas contas de um cardiologista de 90 anos revelou um crime ainda mais grave.
A secretária – com quem trabalhou por 12 anos – é acusada de envenenar o patrão com arsênio por mais de um ano para ocultar o desvio de dinheiro.
Bruna Garcia Barbosa Marinho foi denunciada pelo Ministério Público Estadual e está presa desde setembro do ano passado.
O promotor de Justiça Rodrigo Monteiro revelou que o caso foi denunciado pela família do cardiologista Victor Murad após a descoberta do rombo nas contas do médico.
“A secretária era a pessoa que tinha acesso a todas as contas da vítima. Inclusive, ela tinha o aplicativo bancário da conta dele no aparelho dela. As investigações apontam transferências via Pix feitas por ela para a sua própria conta, assim como para contas de parentes próximos”.
O promotor afirmou que as investigações apontaram ainda a compra de outros itens. Uma delas foi em uma loja de roupa íntima, onde ela pagou mais de R$ 1.200 em três pijamas.
Rodrigo Monteiro revelou que só depois de ela ter deixado a clínica por causa das suspeitas do rombo é que foi descoberto o frasco de arsênio em uma sala usada por ela, juntamente com outros itens pessoais da secretária.
“O médico já vinha se sentindo mal, com sintomas cuja causa ninguém descobria. Após o frasco ter sido encontrado, isso passou a ser investigado”.
Além de um laudo pericial confirmar que o médico tinha arsênio em seu organismo, a investigação da polícia ainda chegou à empresa que forneceu a substância encontrada na clínica.
A nota fiscal estava em nome do marido de Bruna. Ele chegou a ser preso temporariamente, mas não foi denunciado, já que não houve comprovação de sua participação.
Segundo o advogado da família do médico, Waldyr Loureiro – que atua no processo como assistente de acusação –, a família procurou ajuda ao notar as contas bancárias “estouradas”, mas não fazia ideia de que o médico poderia estar sendo vítima de outro crime na época.
“Ele estava muito debilitado já, na época em que descobriu os desvios. Com a fala arrastada, com manchas roxas pelas pernas. Tinha de ser praticamente carregado. Mesmo assim, a gente não fazia ideia de que aquilo poderia estar ligado aos desvios de dinheiro”.
Veja o que se sabe
Denúncia
A secretária Bruna Garcia Barbosa Marinho é acusada de envenenar por mais de um ano o médico Victor Murad, de 90 anos.
Ela trabalhava há mais de 12 anos como secretária na clínica do médico e foi presa em setembro do ano passado por suspeita do crime.
Desvio
Segundo as investigações, Bruna tinha acesso às contas do médico para realizar pagamentos e serviços bancários.
Aproveitando-se dessa confiança, ela teria feito nos últimos anos uma série de transferências via Pix para suas contas e de pessoas próximas, além de usar o cartão de crédito da vítima.
Os desvios somaram R$ 544 mil em movimentações.
O médico relata que só descobriu o “rombo” após perceber que não tinha saldo para pagar uma conta.
Em março do ano passado, após ter sido questionada, ela deixou a clínica.
Envenenamento
As investigações apontaram que um tempo depois da saída de Bruna Garcia da clínica foi encontrado em uma sala à qual ela tinha acesso, juntamente com outros itens pessoais, um frasco de óxido de arsênio.
Como o médico Victor Murad vinha passando muito mal meses antes da saída de Bruna, a possibilidade de envenenamento passou a ser investigada também.
O inquérito policial aponta que a substância teria sido misturada à comida e à água de coco ingeridas pela vítima e servidas pela acusada.
A vítima tinha de forma recorrente sintomas de intoxicação crônica, como diarreia, vômito com sangue, anemia e perda de peso.
O objetivo do envenenamento, segundo a denúncia, seria encobrir os desvios de valores.
Laudo
O Laudo de Toxicologia Forense confirmou a presença da substância no organismo da vítima.
O documento aponta ainda que os sintomas foram se reduzindo após o afastamento da denunciada da clínica.
A nota fiscal da compra da substância estava em nome do marido de Bruna.
Fonte: Ministério Público Estadual.
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