Empreendedora, vítima de racismo: “Não aceito mais ser humilhada”
Daniele contou que expôe casos de racismo nas redes sociais
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Moradora de Vila Nova de Colares, na Serra, a empreendedora e influencer Daniele Angelo dos Santos Meireles, 34 anos, é mãe de Marcos Eduardo, de 14, e Carlos Daniel, de 3. Dona de um salão de beleza, ela diz que, mesmo nunca tendo registrado uma ocorrência ou movido um processo sobre racismo, conversa muito com os filhos sobre o tema.
No Espírito Santo, 355 processos criminaisrelacionados à racismo tramitam na Justiça. Os dados são do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). As ações tramitam em 45 dos 78 municípios capixabas, com maior concentração nos grandes centros urbano.
Mesmo sem ter feito denúncias, a empreendedora Daniele Meireles contou à reportagem que hoje em dia, após sofrer racismo desde a infância, expõe os casos nas redes sociais.
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A Tribuna – Já viveu alguma situação de racismo?
Daniele Meireles – Muito, muito mesmo. Desde criança. Minha mãe teve patrões que ela nunca podia comer as mesmas comidas que eles. Eu trabalho desde os 7 para 8 anos de idade. Trabalhava em feira livre e faziam muitas humilhações por eu ser negra.
Como lida com essas situações?
É um dia de cada vez. Hoje eu não aceito o racismo, não aceito mais ser humilhada. Eu exponho, jogo na rede social.
Conversa com seus filhos sobre isso?
Explico que nós somos todos iguais, que a gente tem que respeitar o próximo. Oriento que, quando eles virem um ato de racismo, é para chamar o responsável, até porque, se acontecer, eu levo eles para fazer um boletim de ocorrência, eu corro atrás!
Acredita que deveria haver mais educação sobre o tema?
Sim. Em casa, professores, líderes religiosos têm que ensinar quem somos nós. Não somos pela cor, não somos pela raça, não somos pela religião. Somos seres humanos. Independente do patamar financeiro, é todo mundo igual.
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