Gravatá: o cerco final ao ex-policial "Dal Carcará"
Fuzis, perseguição em alta velocidade e o passado que cobrou a conta em Gravatá. Confira os detalhes e o que diz a polícia
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A poeira da estrada de acesso à Serra do Maroto, em Gravatá, ainda não baixou totalmente, mas o cenário que restou ainda é de mistério e um realismo brutal. José Jailson Duarte, de 54 anos, o homem que um dia portou o distintivo da Polícia Civil sob a alcunha de "Dal Carcará", viu o retrovisor de sua caminhonete ser preenchido por um presságio de morte: um carro preto, em alta velocidade, decidido a não deixá-lo escapar.
O som do chumbo na estrada
As imagens das câmeras de segurança, frias e precisas, narram o crime. A caminhonete de Jailson cortava o vento, tentando desesperadamente ganhar distância, enquanto o veículo perseguidor emparelhava. De dentro do carro preto, o cano longo de um fuzil despontou pela janela. (Veja, mais abaixo, matéria de Rafaella Pimentel em link direto da TV Tribuna PE/Band)
Os disparos, secos e sucessivos, crivaram a lataria. Jailson, atingido, perdeu o domínio do volante. O veículo, agora uma carcaça de metal e vidro estilhaçado, perdeu o rumo e bateu. Não houve tempo para o último fôlego. Os carrascos desembarcaram e, à queima-roupa, finalizaram o serviço com tiros de calibre 12. O ex-policial foi atingido no braço, no tórax e na cabeça, morrendo antes mesmo que o silêncio voltasse à serra.
O isolamento e a perícia
Após a fuga dos criminosos, o trecho da estrada foi tomado pelo azul e vermelho das viaturas. Equipes das polícias Militar e Civil isolaram a área, transformando a via em um laboratório de vestígios. Peritos criminais recolheram cápsulas e evidências que agora compõem o quebra-cabeça da investigação.
Até o momento, o silêncio sobre a autoria e a motivação impera, mas as autoridades buscam no rastro deixado pelos pneus e nos projéteis a identidade de quem orquestrou a execução em plena luz do dia.
Fantasmas do passado
Ocupando agora o centro das investigações, o passado de "Dal Carcará" surge como uma linha de apuração inevitável. Em 2019, quando ainda integrava as fileiras da Polícia Civil, Jailson foi alvo de uma operação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em Jaboatão dos Guararapes.
Na época, o ex-policial foi investigado por suposto envolvimento em crimes de sangue no interior de Pernambuco, incluindo um homicídio e uma tentativa de assassinato. O nome de Jailson também surgiu em outro caso de repercussão: a investigação sobre a morte de um vereador na cidade de Floresta, Alberto de Souza (então PSDB).
Para a Polícia Civil, cada um desses antigos capítulos pode ser a chave para entender quem decidiu encerrar a história de Jailson ontem, no Agreste. Ele também já foi suspeito de matar o então secretário executivo de Esportes de Primavera, Maurício Bezerra de Barros, em 2021.
A outra versão: família rebate acusações
Em nota oficial, defesa afirma que José Jailson Duarte era inocente e não possuía condenações. Documento cita arquivamento de processos.
Enquanto a polícia busca os responsáveis pela execução na Serra do Maroto, a família de José Jailson Duarte quebrou o silêncio para contestar o que chamam de "informações inverídicas" sobre o passado do ex-policial. Através de uma nota de esclarecimento, os parentes rebatem a associação do nome de "Dal Carcará" a práticas criminosas e condenações que, segundo eles, jamais existiram.
Segundo a defesa processos foram arquivados
O documento é assinado pelo advogado João Emanuel de Sá Duarte, sobrinho da vítima. A defesa é enfática: o processo que tramitava no Recife, e que frequentemente era citado em investigações passadas, foi arquivado de forma definitiva. A nota destaca que houve o reconhecimento judicial da inocência de Jailson.
Sobre o caso de Jaboatão dos Guararapes — que resultou em sua prisão em 2019 —, a família esclarece que o ex-comissário respondia ao processo em liberdade. A defesa pontua que o caso era marcado pela insuficiência de provas e que Jailson nunca sofreu qualquer tipo de condenação judicial por esses fatos.
O caso de Floresta
Um dos pontos de maior indignação da família diz respeito à citação do nome do ex-policial no assassinato de um vereador em Floresta, no Sertão do Estado. A nota classifica a associação como uma "completa inverdade" e assegura que José Jailson jamais foi alvo de investigação ou sequer figurou como acusado neste crime específico.
Para os familiares, a veiculação dessas informações em meio ao velório e ao luto aprofunda a dor da perda. O texto finaliza com um agradecimento aos veículos de comunicação que optaram pela cautela e pela checagem dos fatos, reforçando que a família permanece à disposição para novos esclarecimentos.
Matéria de Rafaella Pimentel e Wagner Barbosa na TV Tribuna PE/Band - É só clicar
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