Mulheres se unem para dar força e apoio para mães atípicas
Grupo em Vila Velha promove acolhimento, inclusão e fortalecimento da saúde mental para mulheres que enfrentam a rotina intensa da maternidade atípica
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Dificuldade de inclusão escolar, preconceito social e necessidade de acompanhamento em terapias diárias fazem com que mães atípicas — com filhos com deficiência ou doenças raras —, muitas vezes, vivam de forma solitária, além de, em alguns casos, terem de abandonar a carreira.
Foi pensando na inclusão dessas mães e de seus filhos que a bióloga Jessica Maria Martins Gramlich, de 34 anos, resolveu, no ano passado, criar o grupo “Conectando Diferenças Vila Velha”.
Mãe da Maria Fernanda, de 9 anos, que tem paralisa cerebral, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Jessica tem se dedicado exclusivamente aos cuidados com a filha.
“O objetivo do grupo é empoderar mães, para que vivam e sejam felizes independente da maternidade atípica. E para que nossos filhos possam ir aonde eles quiserem, mesmo com a sua deficiência, até porque a deficiência não define ninguém”, destacou Jessica.
Ela conta que o grupo foi criado para “fugir um pouco da rotina pesada da maternidade atípica”. “E também para que a gente pudesse ter um lazer e se conectasse para momentos leves”.
A cuidadora de idosos Ana Karoline Leite Cristino, 24, e a dona de casa Aline Carnitz, 41, são algumas das mais de 30 mães atípicas que se reúnem para atividades de lazer, como piqueniques e momentos de conexão.
“O 'Conectando' me mostra que, mesmo com a deficiência da minha filha, ela pode participar das atividades e ir aonde quiser. O projeto realiza trabalhos de inclusão para as crianças, além de conectar muitas mães atípicas que vivem a luta diária com seus filhos. Esse projeto me encorajou a nunca desistir”, contou.
Para a psicóloga Thays Hage, mestra e doutoranda em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Ufes, esses grupos oferecem uma “escuta sem julgamento que raramente existe nos ambientes corporativos”.
“Ao permitir que a mulher fale abertamente sobre sua exaustão e ambivalências, os grupos acolhem o sofrimento, tratando a exaustão como um reflexo da sobrecarga sistêmica e não como uma incapacidade pessoal. Esse pertencimento é o que fortalece a saúde mental e libera a mulher do peso da culpa”, ressalta.
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