“Estão me chamando de pé de coelho", diz Isadora Ruppert
Atriz está sendo apontada como “amuleto do cinema”. Ela atuou no premiado “Ainda Estou Aqui” e em “O Agente Secreto”
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Além de terem sido indicados ao Oscar e de se passarem no período da Ditadura, os filmes “O Agente Secreto” (2 0 25 ) e “Ainda Estou Aqui” (2024) têm algo a mais em comum. Ambos trazem um jovem talento da dramaturgia brasileira: a atriz Isadora Ruppert, de 26 anos.
Nos bastidores e fora das telonas, o fato tem rendido diversas brincadeiras. E ela se diverte! “Estão me chamando de ‘pé de coelho’, de ‘amuleto da sorte do cinema brasileiro’, e eu acho isso muito carinhoso. Meus amigos e familiares ficam muito orgulhosos de mim, e me sinto honrada e feliz com tudo isso. Se tivessem me dito, há um tempo atrás, que tudo isso ia acontecer, eu provavelmente não teria acreditado”,confessa ao AT2 .
Ela vê esse reconhecimento como um incentivo para continuar sua trajetória artística iniciada no teatro. Formada pela Unirio, a artista estudou também na escola O Tablado por mais de 10 anos. "Quando era adolescente, coloquei na cabeça que queria trabalhar com cinema e fui caminhando nessa direção. As pessoas estão me conhecendo e isso vem abrindo muitas portas. Espero estar ainda em muitos filmes que deem orgulho a todo mundo”.
Isadora, que em breve atuará na série “BR 70”, da Netflix, crê na vitória de “O Agente Secreto” no Oscar, marcado para daqui a um mês. “Acredito que vamos conseguir essa tão sonhada dobradinha”.
“É uma missão pra mim”, diz Isadora Ruppert
AT2 - Você sempre quis ser atriz?
ISADORA RUPPERT - Desde criança, eu pedia para minha mãe me colocar no teatro, e ela também sempre me levava para assistir a peças infantis. O teatro fez parte da minha vida desde muito cedo. Até os 17 anos, era um hobby, algo que eu amava fazer. Mas depois percebi que queria levar isso como uma profissão mesmo. Aí entrei na faculdade e mergulhei de cabeça.
O que “O Agente Secreto”carrega que fez dele um sucesso mundial?
Tem uma frase muito bonita do Scorsese que diz: “Quanto mais pessoal, mais criativo”. Acredito muito nisso. Quando a gente fala da nossa singularidade, das nossas próprias questões, as pessoas acabam se identificando. Além disso, o filme tem um elenco e uma equipe muito afiados.
Como surgiu a oportunidade de estar no filme?
Estava no Carnaval de Recife, em 2024, quando soube que rolava uma chamada aberta de elenco para o filme. Resolvi escrever para o diretor de elenco, contando sobre a minha vontade de fazer parte do projeto. Ele perguntou se eu queria fazer um teste, e acabei sendo aprovada.
Como foi estar em um filme de Kleber Mendonça Filho?
Foi um sonho realizado. A primeira vez que vi um filme do Kleber, eu tinha 14 anos, foi “Recife Frio”. Naquela época, pensei: “Um dia ainda vou trabalhar com ele”. É curioso como desejar de verdade e correr atrás pode, sim, ter efeito.
Qual o impacto que sua personagem causa no público?
Sinto que o impacto vem muito do fato de estar em uma cena bastante disruptiva. Ela faz esse elo entre passado e presente, cria essa ponte entre tempos diferentes. Acho que isso provoca um impacto forte em quem assiste. A personagem também tem o papel importante de trazer um alerta para a gente como sociedade. De nos fazer olhar para a nossa história, para o que já aconteceu, e refletir sobre a nossa memória ou, muitas vezes, sobre a falta de memória que ainda existe no nosso País.
Há algo na sua vida pessoal que te ajudou a se conectar com essa personagem?
Ela me atravessa de muitas formas. Primeiro, por ser historiadora, algo com que eu sempre me identifiquei. Mas existe ainda uma coincidência especial: na época em que fiz o teste para o filme, eu estava realizando uma pesquisa no Arquivo Nacional sobre a vinda da minha família da Polônia para o Brasil. Depois, inclusive, transformei esse material em um filme de arquivo. Então, foi como se tudo tivesse se conectado.
Usei muito do que aprendi nessa pesquisa para construir a personagem, porque o trabalho com arquivos também é uma ciência — envolve investigação, cuidado, preservação da memória. E essa personagem também me atravessa de muitas formas, porque ela está lidando diretamente com a história e com a preservação da memória. A minha própria família é muito marcada por acontecimentos do passado do Brasil. Tenho uma avó que foi perseguida durante a ditadura militar, então esse tema nunca foi distante para mim. Tudo isso me toca de um jeito muito profundo.
A série “Brasil 70”, que fala da campanha da Seleção Brasileira de futebol rumo ao tricampeonato mundial, é sua 3ª produção que se passa durante a ditadura.
Eu realmente sinto que falar sobre a ditadura acaba sendo, de certa forma, uma missão para mim. É uma história que está profundamente entranhada na trajetória da minha família. Tive muito contato com isso por causa da minha avó — eu morei com ela — e ela era o tipo de pessoa que me colocava para ouvir Chico Buarque e explicava letra por letra, enquanto me contava tudo o que tinha vivido e sofrido naquele período. Então, poder falar sobre esse tema através do meu trabalho tem um significado muito especial.
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