Operação no AM prende núcleo do CV com ramificações nos três Poderes e movimentação de R$ 70 milhões
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A Polícia Civil do Amazonas deflagrou nesta sexta-feira, 20, uma operação contra um núcleo do Comando Vermelho no Estado que, segundo as investigações, teria movimentado mais de R$ 70 milhões em quatro anos. De acordo com a corporação, o grupo contava com um núcleo político que mantinha acesso a estruturas dos três Poderes.
Ao todo, 13 investigados foram detidos, sendo oito no Amazonas. Entre eles estão um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores de três vereadores. O Tribunal de Justiça do Amazonas informou que está adotando as “medidas cabíveis” em relação ao servidor (veja mais abaixo).
Também foi presa Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida (União Brasil). O Estadão busca contato com a defesa de Anabela. Em nota, a Prefeitura destacou que não é alvo da operação e que servidores investigados responderão individualmente por seus atos (veja mais abaixo).
Também houve prisões em São Paulo, Ceará, Pará e Minas Gerais. Além das prisões, a Polícia Civil cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em todos os cinco Estados já citados, além de Maranhão e Piauí. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens e valores dos suspeitos e de empresas de fachada.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram transações de alto valor realizadas por servidores públicos vinculados a diversos órgãos no Estado, ligados aos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, que colaboravam com a organização oferecendo suporte logístico, acesso e fornecimento de informações sigilosas. Para os investigadores, essas conexões eram fundamentais para a manutenção das atividades ilícitas.
“Esse era o objetivo do grupo, ter acesso e influência para resolver problemas internos da organização. Isso ficou evidente após a extração de dados de um aparelho celular apreendido, no qual o líder afirmava ter pessoas em todos os órgãos e dizia não temer a prisão, pois pagava todos”, afirmou o delegado Marcelo Martins.
Segundo as investigações, o grupo adquiria substâncias em Tabatinga, no interior do Amazonas, e movimentavam o dinheiro através das empresas com registros no Amazonas e no Pará, antes de repassar a outros Estados.
“As empresas não compravam insumos, não negociavam com outras empresas do ramo. Suas únicas transações financeiras eram com traficantes e servidores públicos”, detalhou o delegado Martins.
O líder da organização criminosa atuava em uma igreja evangélica no bairro Zumbi dos Palmares, na zona leste de Manaus, para despistar. Outras igrejas também eram utilizadas pela organização criminosa.
Em nota, a Prefeitura de Manaus destacou que não é alvo da operação. “É inaceitável que setores da política tentem distorcer fatos para criar narrativas mentirosas e atingir a honra de quem tem trabalhado com responsabilidade pela cidade. A exploração oportunista de investigações que não envolvem a gestão municipal revela mais sobre os seus autores do que sobre os fatos”, afirmou.
“Qualquer servidor eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, nos termos da lei, sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública”, concluiu.
O Tribunal de Justiça do Amazonas informou que está adotando as “medidas cabíveis, incluindo a instauração de procedimento administrativo” em relação ao servidor acusado. “A Instituição reafirma que preza pela legalidade, pela transparência e pela integridade do Poder Judiciário, não compactuando com quaisquer condutas incompatíveis com os deveres funcionais”, concluiu.
Já a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) informou que o agente preso durante a operação deverá responder aos procedimentos na polícia judiciária e na Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD). “A PMAM ressalta que segue contribuindo com as investigações e que não compactua com desvios de conduta praticados por nenhum agente da instituição”, afirmou.
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