Professor brasileiro presenciou ataque em escola no Canadá: 'ainda processando'
Jarbas Noronha estava dando aula de mecânica automotiva quando um aluno disse ter ouvido tiros
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Um professor brasileiro que trabalha na escola Tumbler Ridge Secondary presenciou o ataque a tiros que deixou 10 mortos e relatou ter se escondido por horas com seus estudantes.
Jarbas Noronha estava dando aula de mecânica automotiva quando um aluno disse ter ouvido tiros. Em entrevista ao New York Times, ele explicou que a turma aprendia a trocar óleo dos veículos e alguns têm permissão para mexer até mesmo em seus próprios carros.
O professor e os 15 alunos criaram uma barricada para se esconderem. A oficina onde estavam fica longe da entrada principal e da sala do diretor. Jarbas relata, então, ter trancado a porta do corredor e duas portas que davam para o pátio da escola, enquanto dois bancos de metal eram usados para bloqueio.
"Estávamos na parte mais segura", contou. "Se alguém tentasse invadir pela porta do corredor, correríamos para o pátio pelas portas da garagem", detalhou sobre seu plano ao jornal americano em entrevista por telefone.
O brasileiro falou ainda que todo mundo tem armas na cidade. "Esta é uma cidade de caçadores", falou sobre sua percepção morando no território desde 2022, quando deixou o Brasil para viver com sua esposa.
O grupo ficou escondido por mais de duas horas. Eles permaneceram no local acompanhando o relógio até que policiais bateram na porta e os escoltaram até um lugar seguro da instituição.
Jarbas fez uma publicação nas redes sociais avisando que estava bem. "Não desejo a nenhuma criança em idade escolar tenha que passar o que meus alunos passaram hoje. Ainda processando. Nossa sociedade está doente", escreveu.
Além de mecânica, brasileiro dá aulas de mercenaria. "Essa foto resume a união de duas paixões: A mercenaria e a sala de aula. Não mais que de repente, tornei-me professor de mercenaria para os alunos do ensino médico da escola local", publicou no Instagram no ano passado.
ATAQUE DEIXOU AO MENOS 10 MORTOS
Ataque aconteceu por volta das 13h20 (horário local; 19h20 no horário de Brasília) na Tumbler Ridge Secondary School. De acordo com a polícia local, ao menos seis pessoas foram encontradas mortas dentro da escola secundária e outra morreu a caminho do hospital. Outras duas morreram em uma residência que teria relação com o crime. Não há informações sobre a dinâmica do ataque.
Suposta atiradora também foi encontrada morta. Segundo a polícia local, ela tinha um ferimento aparentemente autoinfligido. O superintendente da polícia local, Ken Floyd, disse em coletiva de imprensa, na madrugada de quarta-feira (horário de Brasília), que a polícia acredita ter conseguido a identificação da atiradora, mas não divulgará detalhes, incluindo se a suspeita era maior ou menor de 18 anos, neste momento para proteger a integridade da investigação.
Duas pessoas foram levadas de helicóptero para o hospital com ferimentos graves. Outros 25 feridos estão sendo avaliados em uma unidade de saúde local, mas não têm risco de morte, informou a polícia, segundo a CBC News. Cerca de 100 pessoas, entre alunos e funcionários, foram evacuados do local em segurança.
Os nomes e idades dos envolvidos no episódio não foram divulgados. Floyd ressaltou que seria "imprudente especular" essas informações neste momento.
O superintendente da polícia local disse que a corporação ainda não sabe o que pode ter motivado o crime. "Acho que teremos dificuldades para determinar o 'porquê', mas faremos o possível para descobrir o que aconteceu", acrescentou.
Agentes fazem buscas adicionais em outras casas e locais para buscar outros possíveis feridos ou suspeitos de envolvimento com o ataque. "Recursos adicionais da polícia continuam sendo mobilizados na comunidade para apoiar a resposta e a investigação", disse a corporação, acrescentando que a Divisão de Crimes Graves da Polícia da Colúmbia Britânica assumiu a condução da investigação.
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