Fim da era dos excessos na estética
Tendência agora é optar por intervenções que devolvam a saúde e a qualidade da pele, sem mudar traços originais de pacientes
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Se a última década foi marcada pela "Harmonização Facial" e pelo uso ostensivo de volumes, o futuro aponta para a direção oposta. Ao observar o comportamento das pessoas nos consultórios e com base nos estudos expostos em congressos internacionais, uma tendência se consolida para 2026: o rosto transformado perde espaço, dando lugar à ascensão da beleza regenerativa.
“Os pacientes não querem mais mudar os traços próprios. Querem, sim, recuperar a qualidade biológica que o tempo levou”, destaca a médica dermatologista Karina Mazzini.
Essa mudança de chave substitui a lógica de "preencher e camuflar" pela lógica de "regenerar e estruturar". O excesso de Ácido Hialurônico, que muitas vezes resulta em faces inchadas e sem mímica - o temido pillow face, cede espaço para a naturalidade apoiada na biotecnologia.
“O luxo agora é ter uma pele densa, firme e viçosa, sem que ninguém perceba que houve intervenção”, comenta a especialista.
Para 2026, três pilares tecnológicos dominarão a dermatologia de ponta, de acordo com Karina.
“O primeiro é a Biotecnologia Regenerativa. Estamos falando do uso de Exossomos e do PDRN (DNA de salmão). Em vez de apenas esticar a pele, esses ativos atuam na comunicação celular, aumentando a produção de colágeno em níveis jamais vistos e reparando a barreira cutânea. É a ciência agindo na saúde da célula”, cita a médica dermatologista.
O segundo pilar é a biorremodelação, liderada pelo ácido hialurônico livre de agentes reticuladores, conhecido clinicamente como bioestimulador de ácido hialurônico 100% puro.
“Ele não volumiza. É um ácido que se espalha pela derme, hidratando e devolvendo o suporte estrutural que perdemos com a idade, ideal para faces, pescoços e colos que buscam o conceito de Quiet Beauty, a beleza silenciosa”, explica Karina Mazzini.
O terceiro pilar, segundo a médica, é a tecnologia de tração e retração, que substitui o bisturi em muitos casos. Tecnologias como a radiofrequência microagulhada e o ultrassom microfocado permitem "colar" a pele de volta ao músculo, tratando a flacidez real, sem criar volumes desnecessários.
“O mercado amadureceu, e o paciente, também. Em 2026, a estética não será sobre negar o envelhecimento, mas sobre gerenciá-lo com elegância. O futuro pertence aos tratamentos que respeitam a anatomia, valorizam a individualidade e usam a tecnologia para devolver ao rosto o frescor de uma noite bem dormida, e não para dar a aparência de uma outra pessoa”, reforça Karina.
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