Com nova formação, Solveris mistura soul e ritmos brasileiros em “Coisa Popular”
“A gente quer botar a musicalidade brasileira para 'pocar'”, diz o integrante 6ok sobre álbum com participações de Amaro Lima, Budah e Gabriela Brown
O fim parecia certo quando o Solveris optou pelo hiato, em 2019, após a saída de Morenna, a voz feminina do grupo. “Não pretendíamos voltar porque quando aconteceu o hiato foi um baque para todo mundo. Mas pensamos: ‘a gente não pode parar, vamos cada um fazer o seu corre’”, lembra Leozí, ao lado de Magro e 6ok.
Perdidos, sem entender qual caminho percorrer, cada um focou na sua carreira solo. Até que surgiu a ideia de voltar a produzir algo juntos e, quando entraram no estúdio decididos a gravar uma música, o resultado foram duas. Ali eles perceberam que o projeto estava vivo, mesmo se tivessem que seguir em trio.
“Decidimos que não podíamos deixar isso morrer. Não vai ter um integrante, mas musicalmente a gente consegue suprir isso. Sinto uma coisa muito forte quando faço música com os moleques. É uma sintonia inexplicável”, afirma Leozí.
Do primeiro encontro, saíram as primeiras músicas de “Coisa Popular”, segundo álbum do grupo que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (9). As músicas que deram início a nova era foram “Morro da Be” e “Hora do Show”, ambas sem participações, assim como o álbum de estreia, “Vida Clássica”.
“A gente pensou em dar uma focada na nova estética do Solveris, que era um trio agora. Queríamos reforçar nossas três vozes”, explica ainda o integrante.
Se o tempo antes estava nublado, agora os três pareciam ter encontrado raios de luz. E "onde quer que haja sol, Solveris também vai estar”, como cantam em “Sol”, faixa de abertura do novo projeto.
"O nome ‘Coisa Popular’ surgiu da ideia de compor e cantar algo que conecte as pessoas com a nossa música. Aí que veio nosso principal personagem do álbum: o sol! Ele é uma estrela, e nós que estamos na Terra, somos o terceiro planeta que gira em torno dele. O sol nos dá calor e energia. Cada ser vivo nesse planeta depende dele, ou seja, não há nada mais popular que o sol”, explica Magro.
É com essa ideia de trazer a popularidade das coisas simples por uma nova ótica, sob a particularidade da rotina do brasileiro apaixonado pela vida e por seus amores, que nasceu o disco de 13 faixas.
Assim como no primeiro álbum, “Vida Clássica”, o trio enaltece Vila Velha nas letras escritas a partir de histórias vividas na cidade. Ainda na faixa de abertura, Leozí canta sobre ter colocado “2V” no mapa. Na sequência, “Intensa” também homenageia o município.
"O grupo respira essa cidade diariamente e faz com que o ouvinte também passe a respirá-la. Acredito que uma das coisas mais fantásticas do Solveris seja o fato da nossa música ser tão conectada com o lugar em que vivemos, e as pessoas que nos ouvem também se identificam muito", diz Leozí.
Novo Soul Brasileiro
No trabalho inédito, eles exploram mais seus vocais deixando um pouco de lado as rimas faladas, e substituem as batidas eletrônicas por um instrumental orgânico. Essa mistura é definida por eles como o Novo Soul Brasileiro.
“Não perdemos a essência do que o hip hop trouxe pra gente, mas estamos cantando cada vez, num formato soul. A gente sentiu muita falta disso no cenário, a música está cada vez mais eletrônica, beat e voz”, explica 6ok.
A brasilidade do trio se apresenta através da união de R&B e soul com ritmos do País e tropicais. “Swing Bom”, que ganhou clipe disponível no YouTube, é uma parceria com a capixaba Budah e carrega uma batida envolvente e sensual. “Verão 2000 (Remix)”, “Vamos Trans*r”, “Morro da Be”, com seu toque de funk e afrobeat, e “Depois do Samba”, com seus instrumentos de percussão e a linda voz da cantora Ikinya, seguem a mesma linha.
“Os instrumentos deixam o som cada vez mais brasileiro. Na contramão do que o mercado vem fazendo, a gente pega o que existe de melhor lá fora e bota do nosso jeito. Vemos que a galera lá de fora está de olho no som daqui, então a música brasileira é o futuro! A gente quer botar a musicalidade brasileira para 'pocar'”, afirma 6ok.
Já “Uma Sexta pra Nós 2” resgata o funk melody de Claudinho e Buchecha e facilmente poderia embalar um Baile Charme dos dias de hoje. Gravada com Gabriela Brown, a faixa mostra todo o romantismo do trio, que pode ser conferido em outras músicas, como “Hora do Show” e “Varanda”, canção marcada pela união entre os vocais dos integrantes e de Anchietx com a guitarra de Amaro Lima. A música é precedida pelo interlúdio “Alô Quem Tá na Linha”, com Sammuca 05 comandando a fictícia “Rádio Solveris”.
O soul aparece ainda mais forte em “Sambarilove”, gravada com a capixaba Gavi, e na canção “O que te Faz Bem”, faixa de encerramento do trabalho.
Apelidado de Black Eyed Peas de Vila Velha, o trio recorreu ao mesmo artifício do grupo norte-americano quando Fergie decidiu seguir em carreira solo: trouxeram cantoras para participar do projeto, agradando os fãs que poderiam sentir a falta de um vocal feminino.
“A saída da voz feminina fez a gente se reinventar. A ideia é que a gente continue sendo um coletivo de música. Queremos que outros artistas entrem dentro do universo do Solveris”, pontua Leodí.
A maior parte do álbum "Coisa Popular" foi produzida, mixada e masterizada pelo produtor e DJ do grupo, VTbeats, mas conta também com produções de Amaro Lima, Erick Di, KAA.DDU, Jone BL, Cleyton de Souza e do integrante 6ok. Ouça o novo projeto aqui.
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