Apontado como chefe do tráfico em Jesus de Nazareth é preso
Jeferson da Silva Ramos foi preso em um apartamento no bairro Araçás, em Vila Velha, na manhã desta sexta (21)
Apontado como chefe do tráfico de drogas do bairro Jesus de Nazareth, em Vitória, Jeferson da Silva Ramos, o Morango, de 29 anos, foi preso na manhã desta sexta-feira (21). A prisão aconteceu em um apartamento no bairro Araçás, em Vila Velha, onde o acusado estava morando na tentativa de não ser localizado pela polícia, que era o principal alvo da Operação Sicário 4. O nome e a foto do acusado foram divulgados pela Polícia Civil.
Além de ser acusado de chefiar a comercialização de entorpecentes no bairro, Morango também possui uma condenação em um processo por tráfico de drogas e estava foragido da cadeia desde 2019, quando foi contemplado com uma saída temporária e não voltou mais para o presídio.
O chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Romualdo Gianordoli, explicou que Morango assumiu o comando do tráfico após a prisão de Pablo Bernardes, o Geleia, que é apontado como o comandante do grupo que lidera o tráfico no local e que também faz parte do Primeiro Comando de Vitória (PCV).
Gianordoli analisa que a situação de Morango é parecida com a de Marujo, apontado como o chefe do tráfico de drogas no Bairro da Penha, também na capital, que assumiu a função após a prisão de Carlos Alberto Furtado da Silva, o Beto. No caso de Jesus de Nazareth, o delegado destaca que Geleia foi transferido para um presídio no Norte do País e a função de comandar o tráfico foi assumida por Morango.
"A comunicação fica difícil, porque todos os recursos que eles usam de familiares e advogados para passar recados fica muito difícil até pelo alto custo da passagem e a distância. Então, realmente, perdeu a capacidade de gerenciar em Jesus de Nazareth e, nisso, surgiu a figura do Morango, que já havia assumido o comando desde a prisão do Geleia, mas agora era realmente o chefe total, que controlava escalas, plantões, negociações de armas, autorização para ataques e para homicídios", explicou o chefe do DEHPP.
A prisão ocorreu durante operação que envolveu equipes do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP) e do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat), com apoio da Gerência de Inteligência (Gint) da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SESP), que conseguiu reunir informações sobre o paradeiro de Morango e chegaram até um prédio no bairro Araçás, em Vila Velha, onde ele morava em um apartamento no terceiro andar.
Ao se ver cercado pelos policiais, Gianordoli revelou que o acusado tentou se livrar de um celular, atirando-o pela janela do apartamento. No entanto, o aparelho foi recolhido pela polícia e em condições de uso. Agora, ele deve passar por perícia.
O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, avaliou essa prisão como importante para desarticular o tráfico de drogas na região.
"Uma grande prisão da mesma forma que vai ser quando for a do Marujo, que vai acontecer. não tenho nenhuma dúvida que o Romualdo vai pegar. O Morango estava em uma mesma posição do que o Marujo", afirmou ele.
Morango foi levado para o presídio.
Idas diárias ao morro e vida na cadeia
O chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Romualdo Gianordoli, revelou que Jeferson da Silva Ramos, o Morango, sabia que era o alvo mais importante em Jesus de Nazareth, por isso ele não ficava no morro.
"Ele ia diariamente lá no morro, recolhia o que tinha que recolher, comandava muito pelo WhatsApp e depois voltava lá para o Araçás, em Vila Velha, que era onde ele estava morando", explicou.
De acordo com o delegado, o apartamento onde ele estava morando tinha outra pessoa como locatária. Na relação dos locatários, ele não aparece. "Essa pessoa não tem parentesco com ele e está sendo investigada a participação dela no tráfico", informou Gianordoli.
Antes de fixar moradia em Araçás, Morango contou aos policiais que esteve em Minas Gerais, mas decidiu voltar ao Espírito Santo por estar tendo dificuldades para gerenciar o tráfico de outro estado e optou pelo bairro em Vila Velha por se sentir seguro lá.
"Quando a gente chegou, ele não tem aquele estilo de se jogar do terceiro andar ou de reagir de qualquer maneira, pensando que não tinha a menor chance de escapar, porque eram muitos policiais. Claro que ele poderia alvejar um de nós, mas ele estava totalmente encurralado dentro do apartamento. Ele acha que a cadeia não é o fim da linha para ele, até porque, como ele é uma liderança, ele tende a ficar bem na cadeia, porque tem vários subordinados dele ali que vão dar uma boa condição para ele, tem um corpo de advogados grande, tem uma capacidade econômica para se manter e se defender nos processos que responde. Mas a gente acredita que ele vai ficar um bom tempo preso", afirmou o chefe do DEHPP.
Além da condenação por tráfico de drogas, Morango tinha em aberto um mandado de prisão preventiva por associação ao tráfico de drogas. Ele também é investigado por homicídio.
Comentários