Veja como a polícia chegou aos acusados de matar PMs
Quatro acusados de participar do assassinato de soldados em Cariacica foram presos menos de sete horas após o crime
Na corrida contra o tempo, detalhes e contradições foram fundamentais para que a polícia prendesse os quatro criminosos acusados de participar do assassinato dos dois soldados no último domingo, em Cariacica. As prisões aconteceram menos de sete horas após o crime.
É o que mostram os depoimentos dos policiais que participaram da caçada aos autores da perseguição e emboscada aos soldados da Polícia Militar Bruno Mayer Ferrani, de 30 anos, e Paulo Eduardo Oliveira Celini, de 29. Os relatos constam no inquérito policial que a reportagem teve acesso ontem.
O documento traz os relatos de policiais que atenderam à ocorrência, desde o momento que encontraram as vítimas no terreno baldio até a prisão acusados.
Os primeiros PMs que chegaram ao local perceberam que a viatura das vítimas estava alvejada e os soldados estavam no chão, perto do caminhão usado na emboscada, já com fracos sinais vitais. Eles foram levados ao hospital, mas não resistiram.
Depois disso, outra viatura encontrou o veículo utilizado pelos criminosos, abandonado em Padre Gabriel. Pouco depois, os PMS encontraram o casal Eric da Silva Ferreira, 45, e Luana de Jesus Luz, 26. Ao perceberem a aproximação, eles sentaram na calçada e tentaram disfarçar, porém, os militares consideraram a atitude suspeita.
Abordagem
Já durante a abordagem, o casal informou que havia sido assaltado e que o carro deles, um Fox branco, teria sido levado por bandidos. No entanto, eles não souberam apontar as características e a quantidade dos supostos assaltantes.
Com as perguntas feitas pelos militares, Luana acabou admitindo que os dois participaram do crime e que a outra mulher, também procurada, era a própria filha de Eric.
As equipes de inteligência da polícia descobriram que Eduardo Bonfim Meireles, 40, e a namorada Erica Ferreira, 26, estavam escondidos em um dos quartos de um motel, em Cariacica.
Ao chegarem lá, os policiais conversaram com uma funcionária, que confirmou que três quartos haviam sido ocupados após as 3h, horário aproximado da morte dos soldados. Um desses casais chegou em um carro de aplicativo.
Ainda existem muitas perguntas a serem respondidas sobre a dinâmica do crime. A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento.
Eduardo Bonfim, 40
Admitiu em vídeo ter sido o autor dos disparos que mataram os soldados. Possui extensa ficha criminal, sendo acusado de pelo menos dois homicídios, cinco roubos e porte de documento falso. Eduardo praticou o crime no dia do próprio aniversário. Ele estava foragido do sistema prisional desde dezembro de 2021.
Erica Ferreira, 26
Namorada de Eduardo Bonfim. Possui várias passagens por roubo. Ela estava no motel com o namorado no momento da prisão e participou do crime. Em depoimento, informou que soube que os policiais haviam os encontrado após a funcionária do motel ligar para o quarto perguntando se ela se chamava Erica.
Eric Ferreira, 45
É o pai de Erica. Ele foi o responsável por dirigir o veículo que levava todos os criminosos. Segundo a Secretaria de Justiça (Sejus), ele possui passagens por roubo, associação criminosa e homicídio. Foi encontrado pelos policiais sentado em uma calçada e agindo de forma suspeita, acompanhado da mulher, Luana.
Luana de Jesus, 26
A única envolvida no crime que não possuia antecedentes criminais. Informações da Polícia Civil dão conta de que ela teria uma relação com Eric. A jovem estava no banco do carona no momento do crime e ouviu os policiais mandando ela e o companheiro saírem do veículo, quando os tiros atingiram os soldados.
Justiça converte prisão em flagrante por preventiva
Durante audiência de custódia, ontem, a juíza Raquel de Almeida Valinho converteu a prisão em flagrante dos quatro acusados de participação na morte dos dois soldados em prisão preventiva.
“Da análise dos autos, é possível concluir que existem provas suficientes da existência de crime a ensejar a materialidade do delito e fortes indícios de que os autuados realmente tenham praticado os crimes que lhes foram atribuídos”, diz um dos trechos da audiência.
O advogado Tiago Figueira, que atua na defesa de Eric da Silva Ferreira, Erica Lopes Ferreira e Luana de Jesus Luz, disse, por nota: “Somente após os trâmites do devido processo legal, o qual determinará com precisão a participação de cada um dos envolvidos nos fatos ora em apuração, para que apenas o verdadeiro responsável por este crime bárbaro seja punido com o rigor da lei”.
Já a advogada Raiana Biancardi Laeber Benichio, que atua na defesa de Eduardo Bonfim Meireles, destaca que “ele irá colaborar em tudo que for necessário para que a justiça seja feita e seja aplicada uma punição justa, na medida de sua culpabilidade, em seu desfavor”.
SAIBA MAIS
Bastidores das mortes e prisões
- Quando tudo começou
> A ocorrência que resultou na morte dos dois soldados da Polícia Militar começou a partir de um acidente, na madrugada do último domingo, na rodovia Leste-Oeste, em Cariacica.
> Uma grávida de seis meses e outros três homens que estavam em um carro que teve o pneu furado quase foram assaltados pelos criminosos, que fugiram após perceberem a chegada dos militares.
> Antes disso, agrediram a grávida e atiraram na cabeça de um homem, mas a bala pegou de raspão.
> Depois, os policiais perseguiram os criminosos, que chegaram a uma rua com um terreno baldio. Lá, os bandidos montaram uma emboscada e assassinaram os dois.
> Após as mortes, Eric Ferreira e Luana de Jesus abandonaram o carro em Padre Gabriel, Cariacica; enquanto Eduardo Meireles e Erica Ferreira se esconderam em um motel, também em Cariacica.
Como a polícia chegou aos acusados do crime
- Fuga e emboscada
> Ao fugirem da rodovia, após a tentativa frustrada de roubar um carro, os criminosos entraram na rua Manoel Freire, em Santa Bárbara, Cariacica, onde aconteceu o crime.
> Eduardo e Erica saíram do carro e se posicionaram atrás de um caminhão-tanque para fazer a emboscada. “Durante a fuga, os criminosos pararam em um terreno baldio, perto de um caminhão. Eduardo e Erica saíram do carro e se esconderam”, disse um policial em depoimento.
- Criminosos enganaram os PMS
> Quando os soldados saíram do carro, Eric e Luana gritaram para os dois PMS, informando que tinham sido vítimas de um assalto. Aquele foi o último momento dos soldados com vida.
> “Eric e Luana continuaram no veículo e simularam que tinham sido roubados, pedindo os militares para não atirar. Quando os soldados baixaram a guarda, os outros dois saíram de trás do caminhão-tanque e efetuaram os disparos”, contou outro militar, em depoimento.
- Falsas versões
> Luana e Eric, após fugirem do local do crime e abandonarem o carro, foram encontrados por militares. O casal usou a mesma desculpa para a nova equipe. Disse novamente que havia sido assaltado e que os bandidos teriam levado o carro. No entanto, os PMs estranharam, pois eles não souberam explicar detalhes e por isso acabaram presos.
> “Eles disseram que tinham sido assaltados, porém não conseguiram dizer as características que os bandidos tinham e nem quantos eram”, falou um policial, em depoimento.
- Motel como esconderijo
> A equipe de inteligência da polícia descobriu que Eduardo e Erica poderiam estar escondidos no local. Os policiais fecharam as saídas do motel e esperaram o momento de dar o bote.
- Prisão do assassino
> Os agentes perceberam que as características de Eduardo e Erica batiam com as fotos dos suspeitos. Prontamente, os militares os abordaram e os dois confessaram o crime.
Fonte: Pesquisa A Tribuna e inquérito policial.
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