Mais de 3 anos para recuperar parque após incêndio
Fogo destruiu 600 hectares do Parque Estadual Paulo César Vinha
A destruição causada pelo fogo no Parque Estadual Paulo César Vinha, em Guarapari, começa a ser calculada, e a estimativa é de que 600 hectares estejam queimados – o equivalente a 600 campos de futebol.
Com quase metade da área total do parque em cinzas, sendo a maior parte de vegetação queimada em alagado, a previsão é de que a recuperação total leve mais de três anos.
É o que afirma a bióloga Joseany Trarbach, coordenadora de fauna do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e que foi gestora do parque até o ano passado.
“O alagado foi completamente queimado, e apesar de todo o estrago, essa é a área que se recupera mais rápido. Vimos isso após a queimada de 2014, quando a recuperação do alagado foi relativamente rápida. Com chuvas intensas, a vegetação voltou a crescer, e em menos de três anos vimos uma recuperação completa dessas áreas”, conta.
A vegetação que predomina os alagados são as herbáceas, que possuem uma regeneração natural. Embora o incêndio não tenha chegado à turfa, que é o solo dessa vegetação, foi avaliado que o fogo destruiu a camada de material orgânico.
Mas, se por um lado a vegetação dos alagados deve se regenerar em menos de três anos, as árvores vão levar mais do que isso, como é o caso das espécies exóticas, acácia e leucena.
Na parte da fauna, alguns répteis foram resgatados, mas ainda não foi possível contabilizar as perdas. A fauna é a parte que deve demorar mais tempo para plena recuperação “Estamos buscando o resgate da fauna. Temos muitos registros de répteis que possuem mais dificuldades de deixar os locais de queimada rapidamente, como calangos e cobras, e sabemos que muitos não serão identificados por ficarem incinerados”, esclarece Joseany .
O incêndio começou na quinta-feira da semana passada, e apesar da nuvem de fumaça que chega até em Vitória, o incêndio é considerado como contido pelos bombeiros.
O Corpo de Bombeiros esclarece que não é possível prever um incêndio, já que o fogo pode começar por ação humana, como o que aconteceu em 2014 no parque. Segundo o capitão Rafael Págio, a chance disso ter acontecido novamente é grande, já que o fogo começou na Trilha Tropical, que é passagem de pedestres. “A estatística no Estado aponta para causa humana. Muitas vezes não é intencional, é descarte de lixo com queima de vegetação. Mas há casos de maneira intencional”.
Resultado da investigação deve sair em 40 dias
As investigações que já começaram pelo setor de perícia do Corpo de Bombeiros só serão apresentadas em 40 dias.
Segundo o tenente Aguiar, os peritos visitaram o Parque Estadual Paulo César Vinha, em Guarapari, já no início do incêndio, na quinta-feira da última semana, mas os resultados ainda vão levar este tempo.
Toda a equipe de combate segue em campo, de acordo com o tenente. Apesar da fumaça ainda ser vista na Grande Vitória, o incêndio é considerado contido pelos bombeiros. Aguiar explica que a vegetação, em algumas áreas, ainda é muita quente, o que acaba gerando muita fumaça.
“São quase 15 hectares de solo quente, o que faz com que a gente passe o dia inteiro jogando água, inundando o solo. É um trabalho mais lento, e somente uma chuva forte poderia esfriar essa área quente. Sem chuva, a previsão é de, no mínimo, mais uma semana de trabalho para apagar o incêndio completamente”, completa o tenente.
O parque segue fechado durante essa semana. De acordo com o diretor presidente do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Alaimar Fiuza, é preciso manter a segurança dos visitantes e seguir com o combate. O Iema é o órgão responsável pela gestão do parque.
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