Home office deixa prédios vazios
Trabalho a distância persiste mesmo com o fim do isolamento social e fez empresas adaptarem espaços e devolverem imóveis
O trabalho em home office, amplamente utilizado durante o período de isolamento social e que promete perdurar no dia a dia, deixou um desafio a ser vencido pelo mercado imobiliário: o esvaziamento de salas e prédios comerciais.
Segundo o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Espírito Santo (Ademi-ES), Eduardo Fontes, o setor comercial sofreu um impacto grande, e as empresas tiveram de se reinventar e reestruturar seus escritórios.
O vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Espírito Santo (Sinduscon-ES), Leandro Lorenzon, disse que o home office revelou a várias empresas que elas não tinham necessidade do espaço físico que ocupavam.
“Muitas empresas que alugavam espaços acabaram reduzindo. Se alugavam 500m devolviam 200m ou 300m, porque precisaram de menos espaço. Não tem mais a mesma quantidade de pessoas todos os dias”, afirmou.
O advogado imobiliário Diovano Rosetti contou que, atualmente, muitos espaços ainda estão vazios e não funcionam com a finalidade que tinham. Ele relata que os responsáveis por essas salas e prédios buscam alternativas para viabilizar o funcionamento deles.
“Muitas empresas reduziram seus espaços físicos, em virtude dos trabalhos remotos. Há empresa em que seus colaboradores estão trabalhando de forma remota e não querem mais voltar aos espaços corporativos. A empresa, inclusive, até alugou as salas para terceiros.”
O corretor de imóveis Genivaldo Barbosa sente na pele a dificuldade que está sendo alugar um prédio comercial, com lojão no térreo e salas nos demais andares. Ele está há três anos tentando achar quem alugue o espaço, localizado na Serra. Nem o fato do prédio nunca ter sido utilizado tem ajudado na busca.
“Nós iríamos fechar contrato com um banco. Eles iam abrir uma agência no térreo do prédio, só que veio a pandemia e eles acabaram desistindo. Desde então, aparecem interessados, mas o negócio não avança”.
Segundo o vice-presidente do Sinduscon-ES, uma restruturação realizada por muitas empresas que adotaram o home office foi a criação de hubs. “É um local para as pessoas se encontrarem com alguma periodicidade, trabalharem juntas quando necessário. Um espaço mais agradável dentro das empresas. Não é como era antes.”
Valor menor e uso coletivo
O home office lançou um desafio sobre o mercado imobiliário e uma forma que o setor teve de viabilizar a locação dos espaços comerciais foi buscar estratégias para torná-los atrativos. As transformações ocorreram desde a estrutura física dos espaços ao impulsionamento de novos mercados.
Segundo o presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado (Sindimóveis-ES), Erivelton Moreira, o setor reduziu o valor dos aluguéis comerciais em cerca de 15%.
“Teve muita adaptação e negociação para fechar negócios. Com o home office, a demanda cresceu para outro mercado, o de coworking. Há muitos interessados em alocar salas comerciais temporariamente, seja por alguns meses ou para determinada ocasião”.
A Valéria Andrade é proprietária de um espaço de coworking, ou seja, escritório coletivo, no centro de Vitória e é prova disso. “Foi interessante, principalmente no finalzinho da pandemia. No meu caso melhorou bastante. A procura está sendo crescente, está melhorando bem. Não tenho do que reclamar.”
O arquiteto Carlos Eduardo Calmon revelou que o home office fez com que os espaços fossem diminuídos. “Houve a necessidade de enxugar os espaços. As salas comerciais foram remodeladas. Muitas foram transformadas em ambientes compartilhados, as empresas montam como se fossem grande coworking”.
Reunião com café
Há dois anos funcionando 100% em home office, a empresa de soluções em tecnologia Brasp conseguiu reduzir em quase 90% os seus custos com espaço físico.
Diretor-técnico e sócio da empresa, Jefferson Monfardini reduziu o espaço físico da Brasp de 126m para 26m. Atualmente, os funcionários se encontram para cafés em locais fora da empresa.
“A maioria deles perdia até 2 horas por trajeto. Percebemos que as vendas continuaram boas e os funcionários gostaram”.
Redução de custos e produtividade
Home office
O regime de trabalho no qual o colaborador não precisa estar fisicamente presente na empresa não é algo novo.
Durante a pandemia e com a necessidade do isolamento social, muitas empresas se viram obrigadas a adotar o modelo de trabalho para continuar funcionando.
Mais da metade (56,6%) das empresas adotaram o home office durante a pandemia, mostrou um levantamento da FGV IBRE.
Os destaques ficaram por conta dos setores da indústria e de serviços, cuja adoção foi de 73,3% e 62,7%, respectivamente.
Produtividade
Segundo o levantamento, feito com 4 mil empresas, 21,6% observaram aumento na produtividade dos funcionários.
Quanto à redução da produtividade, 19,4% notaram queda na produção dos colaboradores.
Esvaziamento de salas comerciais
Nos meses de isolamento social, muitas empresas observaram que a mudança não afetou a sua produtividade.
Buscando reduzir custos e observando que o espaço anterior não era tão essencial, muitas empresas resolveram migrar para salas menores ou até extinguir escritórios.
Os espaços de coworking também foram vistos como boas alternativas, o que alavancou a procura por eles.
Desafio do mercado
Com o término do período mais grave da pandemia, muitas empresas não retornaram aos espaços.
Como consequência do home office, muitos prédios e salas comerciais ficaram ociosos.
Em algumas capitais, como Rio de Janeiro, são quase 30% desses imóveis vazios.
Fonte: Pesquisa AT.
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