“Foi espancado e torturado”, afirma legista sobre morte de menino de 2 anos
Durante as investigações, a Polícia encontrou também mensagens suspeitas trocadas entre o pai e a mãe da criança
O crime cometido contra uma criança de apenas dois anos chocou toda equipe da Polícia Civil, que atuou frente o caso.
Uma dessas pessoas foi o médico-legista Josias Rodrigues Westphal, que após analisar o corpo do pequeno Jorge Teixeira da Silva Neto, teve uma única certeza: de que o menino foi torturado, espancado e estuprado.
“Apresentava lesões no reto, pancadas no abdômen e marcas de queimadura”, disse o especialista, durante coletiva de imprensa.
A Tribuna - O que o senhor averiguou no corpo da criança?
Westphal - O corpo foi encaminhado já com suspeita de maus-tratos. Já nos exames físicos externos, a gente encontrou muitas lesões bem sugestivas de maus-tratos.
Quais seriam essas lesões?
Lesões por queimadura, algumas equimoses, provavelmente por pancadas. E abrindo as cavidades, olhando dentro do abdômen, a gente encontrou outras lesões que corroboravam essa hipóteses, além do ânus da criança estar completamente dilacerado.
É possível saber qual o tipo de pancada que esse menino sofreu?
Não dá para saber como ele apanhou. Dá para falar que ele foi agredido. Como foram essas agressões, existe uma investigação que vai responder isso.
Como foi a dilaceração, tanto no reto da criança quanto no intestino?
A dilaceração foi devido à introdução de um objeto contuso dentro do ânus.
Qual seria esse objeto?
Pode ter sido um pênis, um objeto qualquer, ou pode ter sido as duas coisas. Nós coletamos um material que será analisado, pesquisado.
Que material?
O PSA (Antígeno prostático específico), que é uma proteína que é produzida pelo tecido prostático. Caso dê positivo esses exames, confirmará a presença de sêmen no canal anal, que confirma a introdução de um pênis.
Qual o prazo para que esses exames fiquem prontos?
Em torno de 15 dias.
Qual foi a causa da morte da criança?
A causa foi devido ao choque séptico, uma infecção no abdômen.
O que causou essa infecção?
As fezes na cavidade abdominal.
É possível saber há quanto tempo a criança estava sendo agredida, de acordo com os ferimentos dela?
Em torno de 24 a 36 horas, o que bate com o tempo calculado pelas investigações.
Qual é o resultado final do laudo?
Os achados, pelos exames físicos, as lesões por queimadura indicam que houve tortura.
As lesões encontradas no abdômen, tanto internas quanto externas, indicam que houve espancamento.
A lesão no reto indica que houve a introdução de um objeto na criança. Ele morreu de choque séptico, uma infecção na cavidade abdominal.
Agora, precisamos só aguardar o resultado do material que foi coletado.
Mensagens trocadas entre o pai e a mãe da criança
Durante as diligências que culminaram na prisão em flagrante do casal Jeorgia Karolina Teixeira da Silva, de 31 anos, e Maycon Milagre da Cruz, de 35 anos, ambos pais do pequeno Jorge Teixeira da Silva Neto, de 2 anos, a Polícia Civil encontrou uma conversa comprometedora no celular do acusado.
Segundo o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, Alan Moreno de Andrade, o conteúdo foi localizado em uma conversa no aplicativo WhatsApp, no celular do pai da vítima, e fazia menção a um registro, feito pela mãe da criança junto à Polícia Militar, no dia que o menino foi internado no Himaba.
“Nesse dia, quando identificaram que havia indícios de abuso sexual, a equipe do hospital orientou essa mãe a registrar ocorrência e foi o que ela fez”.
E continuou: “E nessa mensagem, dizia algo como 'a gente precisa sentar e conversar sobre o boletim, para não deixar passar despercebido'.
Alan falou também sobre a versão apresentada pelo casal, enquanto esteve prestando depoimento na delegacia. Segundo ele, os suspeitos negaram o crime. “Negaram veementemente”.
Um outro ponto levantado pelo delegado foi a tentativa de impedir que o corpo do menino fosse para o DML. “Queriam que fosse direto para a funerária”, disse.
Ele falou também sobre os objetos religiosos encontrados na casa da família. “Foram localizados, sim, objetos religiosos durante uma perícia feita na casa, na tarde de ontem (quarta)”, afirmou.
Relembre o caso: Casal preso após morte de filho
Um crime bárbaro foi registrado em Vila Velha. O pequeno Jorge Teixeira da Silva Neto, de apenas dois anos, foi morto após ter sido torturado, espancado e estuprado, segundo o laudo da perícia médica.
O caso ficou ainda mais chocante depois que a investigação caminhou até os possíveis autores do crime: os próprios pais da criança. Eles foram presos em flagrante no momento em que tentavam liberar o corpo do filho, no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, na última terça-feira (05).
As agressões teriam começado no último final de semana. Já na segunda-feira (04), a criança foi levada pela mãe até o Pronto Atendimento (PA) da Glória, no mesmo município, onde acabou sendo transferida para o Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba).
Lá, após passar por uma cirurgia, a vítima morreu por volta das 10 horas. Cerca de 30 minutos depois, a polícia foi acionada.
Inicialmente, as primeiras informações indicavam que a criança havia morrido por suposta pneumonia, mas como apresentava diversas lesões pelo corpo, não compatíveis com a doença, a polícia foi chamada.
Após os fatos, o corpo da vítima foi levado ao Departamento Médico Legal para colher informações a respeito da criança. Lá, profissionais identificaram que o garoto possuía lesões no corpo, inclusive, no ânus.
“Assim que o médico olhou a criança, ele conta que já visualizou marcas de queimadura por todo o corpo. O reto do menino também estava bem dilacerado”, informou o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Vila Velha, Alan Moreno de Andrade.
A gerente de loja Jeorgia Karolina Teixeira da Silva, de 31 anos, mãe da criança, e o pai, o porteiro Maycon Milagre da Cruz, de 35 anos, estavam na porta do DML e foram levados até a delegacia.
Depois de quase 13 horas de depoimento, o casal acabou preso e a atitude apresentada por eles chocou a polícia. “Não demonstraram nenhum tipo de consideração com a morte do filho”, disse o delegado. Eles têm ainda um bebê de 8 meses.
Os acusados foram autuados por estupro de vulnerável com resultado morte e levados para o Centro de Triagem de Viana, onde tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva.
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