Conselho Estadual de Enfermagem sofre intervenção e presidente é afastada
Nova diretoria vai gerir a entidade pelos próximos 180 dias
O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) decretou o afastamento temporário da presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES), Andressa Barcellos de Oliveira. De acordo com publicação no Diário Oficial da União no último dia 27 de maio, a atual presidente foi afastada para apuração de denúncias apresentadas por outros membros da diretoria do órgão.
A intervenção parcial se deu após abertura de processos administrativos, com denúncias que "se relacionam a fatos que comprometeram, e ainda comprometem, o regular e necessário andamento dos trabalhos institucionais e legais da entidade".
A decisão foi tomada com o intuito de preservar a apuração, especialmente em relação a coleta de provas e relato das partes envolvidas. A intervenção parcial na Diretoria do Coren-ES terá duração de 180 dias, contados a partir de sua efetivação, e podendo ser prorrogada.
De acordo com o Diário Oficial, Andressa Barcellos foi afastada da presidência e do exercício do mandato de Conselheira Regional do Coren-ES. Além disso, o documento relata também que Daniel Menezes de Souza, Conselheiro Federal do Cofen, foi designado como presidente interventor.
Todas as atividades, competências e finalidades da entidade devem ser mantidas durante a intervenção, assim como foram mantidos todos os Conselheiros Regionais Efetivos e suplentes no pleno exercício de seus mantados, exceto a Conselheira afastada.
O decreto foi assinado pela presidente do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) Betânia dos Santos.
Composição da diretoria do Coren-ES com a mudança
> Presidente: Daniel Menezes de Souza (Coren-RS | nº 105771-ENF)
> Secretária: Sandra Cavati Ribeiro Santos (Coren-ES | nº 41445-ENF)
> Tesoureiro: Douglas Lirio Rodrigues (Coren-ES | nº 900893-TE)
O outro lado
A presidente afastada Andressa Barcellos acredita que seu afastamento do cargo é uma manobra para tentar garantir resultados nas eleições do conselho que ocorrem a partir de julho do próximo ano. "Desde a que assumi a presidência em 2019 eu nunca tive um dia de paz, fiz vários boletins de ocorrência de crimes contra honra praticados contra mim. Acredito que essa seja mais uma articulação dos que nunca se conformaram em ter perdido uma eleição para uma mulher e ex-sindicalista", afirmou.
De acordo com Barcellos, nas eleições de 2018 , a chapa formada por ela foi indeferida e só foi possível conseguir participar das eleições, da qual saiu vitoriosa, por meio de uma liminar. Para ela, os seus adversários dentro do conselho nunca se conformaram com a derrota e desde então realizaram diversas denúncias caluniosas contra ela. "Muitas denúncias contra mim já foram até arquivadas. Restaram esses dois processos, que ainda estão tramitando. Isso tem um começo, eu sou mulher e o Coren é uma autarquia extremamente machista, que sempre revezou a gestão entre homens", ressaltou.
Os dois processos que Andressa cita e que são citados no documento de afastamento da presidente foram abertos em 2020, e ainda estão tramitando. Segundo Barcellos, as demais denúncias citadas são de desconhecimento da profissional.
Conforme informações da presidente afastada, o plenário do Coren havia decidido que os processo continuassem sem que houvesse afastamento de Andressa do cargo, decisão que foi desrespeitada e a pegou de surpresa. "Fiquei surpresa, porque sempre tive aprovação da categoria, inclusive recebi inúmeras mensagens de apoio neste momento. Afinal não existem provas, apenas denúncias caluniosas", explicou.
"Sempre tive uma gestão idônea, responsável e busquei conduzir o conselho com ética e seriedade, mas as pessoas que perderam o Coren lá atrás nunca se conformaram. Essas pessoas não tem compromisso com a categoria, apenas interesses individuais", concluiu.
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