Traficante capixaba morre durante operação para retirar drogas de casco de navio
Investigação começou no Estado e terminou com prisão e apreensão de drogas do outro lado do mundo
Uma investigação iniciada no Espírito Santo resultou na prisão de um australiano e na apreensão de 283 quilos de cocaína do outro lado do mundo. Segundo a Polícia Federal, a droga foi apreendida na Indonésia e na Austrália, após uma cooperação internacional para combater o tráfico de drogas. Um mergulhador capixaba foi encontrado morto durante a operação e duas pessoas são procuradas pela polícia internacional (Interpol).
Segundo as informações da Força-Tarefa de Segurança Pública do Espírito Santo, composta por Policiais Federais, Rodoviários Federais e Guardas Civis Municipais de Vitória, Vila Velha e Serra, as investigações começaram em 10 de abril deste ano, quando os integrantes desse grupo passaram a tentar identificar um mergulhador profissional capixaba, que teria sido contratado por traficantes internacionais para colocar uma carga de cocaína no casco de um navio que seguiria para fora do Brasil.
No entanto, quando os agentes da Força-Tarefa conseguiram identificar o suspeito, ele já havia deixado o País em direção ao Catar. A Polícia Federal alertou à polícia daquele país sobre a entrada dele no território catari. Os policiais fizeram a vigilância por alguns dias e perceberam que um segundo brasileiro, também mergulhador, se encontrou com o capixaba e os dois haviam comprado bilhetes para Bali, na Indonésia.
Com o apoio da Drugs Enforcement Administration (DEA) - em português, Agência Antidrogas dos Estados Unidos - foi montada uma estrutura de vigilância no aeroporto de Bali, o que permitiu determinar o local onde a dupla estava hospedada.
"Após quase uma semana de acompanhamento, os suspeitos embarcaram em um veleiro de propriedade de um cidadão francês, na companhia de dois tripulantes australianos, em direção a Austrália", disse a Força-Tarefa.
Segundo o grupo, o acompanhamento dos suspeitos em alto mar foi prejudicado em razão da complexa logística necessária, mas enquanto as buscas pelo veleiro continuavam, os oficiais indonésios perceberam que um grande cargueiro havia desligado o equipamento que permite saber a localização dos navios (AIS - Automatic Identification System).
Essa manobra, incomum, conforme a polícia, chamou a atenção da equipe que se deslocou para o local de último ponto de registro do navio e encontrou uma carga de 179 quilos de cocaína submersa e amarrada em uma boia marítima. O veleiro e os tripulantes, porém, não foram encontrados.
Mais buscas, agora, na Austrália
Em razão da região em que a carga de cocaína foi encontrada, foi solicitado aos indonésios o compartilhamento de todos os dados e fatos com as autoridades australianas.
Alguns dias depois, o veleiro foi abordado pela Polícia Federal da Austrália na costa da cidade de Darwin. Na embarcação, que havia deixado a Indonésia, apenas um dos tripulantes australianos foi encontrado, o capitão James Blee. O filho dele, o segundo tripulante, e os brasileiros não foram encontrados.
Após localizar o veleiro, autoridades da Indonésia e da Austrália continuaram com as buscas pelo filho de Blee e pelos brasileiros.
Na última terça-feira (10), moradores da região de Newcastle, na Austrália, viram o corpo de um homem nas imediações do porto local. Segundo a polícia, ele estava inconsciente, trajava roupas e equipamentos modernos de mergulho (rebreather). Tratava-se do mergulhador capixaba, que as equipes policiais tentaram socorrê-lo, porém ele não resistiu e morreu.
Próximo a ele, a polícia informou que foram encontrados pacotes impermeabilizados que somaram 54 quilos de cocaína.
A partir do local da ocorrência e de outros dados coletados, a polícia australiana conseguiu encontrar outros 50 quilos da droga no interior da estrutura de um navio ali aportado.
Com base nas apurações durante as investigações, a Força-Tarefa concluiu os tripulantes do veleiro abordado dias antes e o outro brasileiro estavam ligados à toda droga apreendida.
O capitão do veleiro, James Blee, foi preso e as buscas pelos outros dois homens continuam. "Seus nomes devem ser em breves colocados na lista de foragidos internacionais da INTERPOL. Aqui no Brasil, as investigações continuam para determinar o possível envolvimento de outras pessoas nos crimes cometidos", informa a Força-Tarefa..
A operação internacional que contou com apoio da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), policiais cataris, indonésios e australianos durou 30 dias.
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