Especialistas recomendam quebrar o aparelho de TV box pirata
Aparelhos podem ser utilizados por criminosos como porta de entrada para roubo de dados financeiros do usuário
Caixinhas que oferecem a qualquer aparelho as funcionalidades de uma smart TV — com acesso à internet e plataformas de streaming —, as TV boxes piratas podem ser utilizadas por criminosos como porta de entrada para roubo de dados financeiros do usuário.
Por isso, a recomendação de especialistas é de “quebrar” esses aparelhos para não utilizá-los mais.
No Brasil, são cerca de 33 milhões de usuários dos sistemas piratas. De acordo com o especialista em tecnologia Eduardo Pinheiro, no Estado, o número é de cerca de 600 mil.
“Quem adota esses recursos ilegais, além de poder responder um processo criminal, deixa vulnerável a sua rede doméstica. Esses dispositivos possuem vulnerabilidade, não são atualizados e facilitam a ação de hackers, que podem acessar a rede de internet e, com isso, os dispositivos nela conectados, para obterem dados pessoais e dados bancários”, diz.
Segundo estudo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 1,8 milhão de aparelhos está infectado com o malware “Bad Box 2.0”, que pode comprometer dados de usuários e a segurança das redes de telecomunicações, transformando os aparelhos em ferramentas que possibilitam crimes cibernéticos.
Esse malware pode ser usado por criminosos para tentar acessar contas com credenciais roubadas; gerar cliques falsos em anúncios; usar o dispositivo para realizar ataques DDoS (Ataque Distribuído de Negação de Serviço); ou transformar redes domésticas em instrumentos para atividades ilícitas.
“É uma grande ameaça à segurança digital dos usuários. Eles (bandidos) operam com softwares maliciosos, manipulam dados das pessoas, acessam até sites de bancos, de tribunais, além de sites de pornografia, por meio desses equipamentos”, disse Alexandre Freire, conselheiro da Anatel.
Segundo Gesiléa Teles, superintendente de fiscalização da Anatel, o número de dispositivos contaminados vem crescendo. “Acreditamos que esse crescimento ocorreu por meio de atualizações de TV boxes antigas. Conforme as pessoas vão recebendo, ela já vem contaminada e as pessoas não fazem a menor ideia”, disse.
Entenda
Sem amparo por serviço ilegal
Além dos direitos autorais
Os dispositivos não homologados de TV Box, vendidos irregularmente, são amplamente usados para pirataria, mas a Anatel afirma que o problema vai além da violação de direitos autorais. Análises da agência indicam que esses aparelhos muitas vezes têm softwares maliciosos pré-instalados ou que são instalados remotamente.
O malware identificado nos aparelhos piratas é o “Bad Box 2.0”. O Brasil registrou 1,8 milhão de dispositivos infectados, sendo o País mais afetado, diz a agência, em comunicado publicado em agosto deste ano.
A agência informa que o malware pode ser usado por criminosos para: tentar acessar contas com credenciais roubadas; gerar cliques falsos em anúncios; usar o dispositivo para realizar ataques DDoS (Ataque Distribuído de Negação de Serviço); ou transformar redes domésticas em instrumentos para atividades ilícitas.
A Anatel afirma que a ameaça do “Bad Box 2.0” é reconhecida mundialmente, com alertas emitidos pelo FBI, dos EUA, e por centros de segurança cibernética de países como Irlanda e Portugal.
Nem toda TV box é pirata
A recomendação dos especialistas para “quebrar” a TV Box é focada nos aparelhos piratas, já que vale salientar que há aparelhos legítimos que não apresentam riscos ao consumidor.
Mas como saber se é pirata?
Conforme detalha a Anatel, TVs box legítimas são adesivadas. Elas contam com um selo de homologação da Anatel, o que significa que o aparelho passou por uma série de testes de segurança e funcionamento em conformidade com as leis brasileiras.
Verifique a marca e o modelo no site. A agência criou uma página (www.gov.br/anatel/pt-br/regulado/certificacao-de-produtos/smart-tv-box-homologados) com os modelos homologados para facilitar.
Caso você tenha dúvida, dá para checar o código de homologação na página do órgão (sistemas.anatel.gov.br/sch/).
Além disso, desconfie de promessas milagrosas. Acesso vitalício a canais pagos, filmes e séries é um indicativo de que produto é pirata.
Alerta
Após a realização da Operação 404, que derrubou plataformas clandestinas como BTV, My Family Cinema e RedPlay, uma série de usuários do serviço pirata chegou a registrar reclamações sobre a situação junto ao Procon.
Em resposta, a Anatel emitiu um alerta contundente sobre o tema, esclarecendo que usuários de serviços piratas não possuem qualquer amparo legal para reclamações formais.
O posicionamento da Anatel é similiar ao adotado pelos Procons no País, que também publicaram comunicados sobre a impossibilidade de atuar em casos envolvendo produtos ilegais. O órgão de proteção ao consumidor ressalta que não é possível buscar reembolso ou reparação dentro da lei quando se trata de serviços criminosos.
Segundo o Procon, caso o vendedor não responda ou se recuse a assumir responsabilidade pela venda, o consumidor pode registrar reclamação no Procon local ou procurar o Poder Judiciário e fazer denúncia à polícia.
No entanto, a efetividade dessas medidas é limitada, já que a maioria dos fornecedores de serviços piratas opera sem identificação clara e fora do alcance das autoridades brasileiras.
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