Dia do agricultor: tecnologia muda o dia a dia do campo
Máquinas inteligentes, drones e qualificação transformam a rotina e criam demanda por profissionais mais especializados
O campo mudou — e o perfil do agricultor também. Se antes o trabalho era associado principalmente ao esforço físico, hoje a atividade exige conhecimento técnico, gestão e domínio de novas tecnologias.
No Dia do Agricultor, comemorado nesta terça-feira (28), a reportagem mostra como a inovação vem redefinindo o perfil do produtor rural no Espírito Santo. Drones, máquinas de agricultura de precisão, aplicativos de monitoramento, irrigação automatizada e cursos de capacitação fazem parte da rotina de um número crescente de propriedades capixabas.
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O Estado conta com cerca de 136 mil propriedades rurais, segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faes), Júlio Rocha. Para ele, embora uma pequena parcela dos produtores já utilize tecnologias de ponta, a maior parte está em uma fase intermediária de modernização, incorporando máquinas, equipamentos e novas técnicas de produção.
“Os produtores estão cada vez mais atentos às inovações e às demandas do mercado. Por isso, é preciso investir em tecnologia e qualificação, sempre focando na produtividade, para que ela seja rentável, e na qualidade dos produtos, garantindo segurança alimentar ao consumidor e competitividade”, disse Julio Rocha.
Um exemplo de inovação recente no campo é o uso de pó de granito na adubação das mudas e a aplicação de biofertilizantes com drones, que prometem mudar o modo de produzir café. Testadas em lavouras de Colatina, as práticas fazem parte de um projeto da JDE Peet’s em parceria com Instituto Federal do Estado (Ifes), campus Itapina.
Ao lado da estudante de Agronomia Dávila Pereira da Costa, o professor e pesquisador Evandro de Oliveira, reforça o caráter inovador da iniciativa.
A mudança também ocorre com os trabalhadores. Com o avanço da mecanização e da tecnologia no agronegócio, funções tradicionalmente braçais passaram a exigir maior qualificação técnica e conhecimento digital.
Operadores de máquinas, por exemplo, hoje trabalham com equipamentos guiados por GPS e sistemas automatizados de precisão.
Além disso, novas profissões começam a ganhar espaço no setor agropecuário. Analistas de dados agrícolas, especialistas em agricultura de precisão, técnicos em monitoramento remoto e consultores em sustentabilidade estão entre os profissionais mais procurados em cadeias produtivas mais tecnificadas.
Inovação no campo
Bioinsumo
A produção de adubo orgânico a partir da compostagem da palha de café com esterco de galinha consolida-se como uma solução de inovação aplicada ao agronegócio de Linhares. A iniciativa integra uma nova frente tecnológica da Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Farias (Aprucof).
A tecnologia empregada transforma a palha do café em um bioinsumo, substituindo o descarte por um processo de valorização de resíduos. “A proposta é assegurar que os associados tenham acesso a um insumo de qualidade, produzido a partir de resíduos que antes não eram aproveitados”, afirma o produtor Henrique Garcia Soprani, de 25 anos.
Torrador a gás
A criação de um torrador a gás permitiu que uma agroindústria de Alfredo Chaves dobrasse sua capacidade de produção. O equipamento foi desenvolvido pelo geólogo e professor Edson Salvador, que decidiu aplicar a experiência acumulada ao longo da vida para aperfeiçoar o processo de torrefação dos grãos e ampliar a atuação da marca.
Ele conta que o novo equipamento aumentou a eficiência do processo produtivo e permitiu ampliar o volume de cafés processados sem comprometer a qualidade.
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