SUS muda regras para tratar doença que atinge 415 mil no ES
Pacientes com asma grave no Estado também poderão contar com exames e novos medicamentos na rede pública de saúde
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Uma atualização no protocolo do Sistema Único de Saúde (SUS) promete ampliar o acesso a tratamentos mais modernos para pacientes com asma grave e reforçar o diagnóstico correto da doença, que afeta 10% da população, cerca de 20 milhões de brasileiros e 415 mil pessoas no Espírito Santo (considerando a projeção das populações do IBGE).
As mudanças foram oficializadas pelo Ministério da Saúde por meio da atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para asma e incluem novos medicamentos imunobiológicos, ampliação do uso pediátrico de terapias já existentes e maior valorização da espirometria (exame do sopro) para confirmação diagnóstica.
A principal novidade é a inclusão dos imunobiológicos benralizumabe e dupilumabe no tratamento da asma grave. O protocolo também ampliou o uso do mepolizumabe para crianças a partir dos seis anos.
“Com esses novos biológicos temos um nova perspectiva, já que os pacientes não elegíveis às terapias fornecidas agora contam com novas opções terapêuticas”, explica a pneumologista pediatra Sabrina Fonseca.
O pneumologista Fabrício Smiderle, da São Bernardo Samp, explica que muitas dessas mudanças já são adotadas na prática clínica da rede privada, como o exame de espirometria.
“Esse exame serve para avaliar a função pulmonar, se existir um grau de obstrução da via aérea. O paciente inspira profundamente e depois sopra com força em um aparelho chamado espirômetro. É simples e não invasivo.” Segundo o médico, o exame já era solicitado anteriormente, mas o acesso na rede pública era limitado.
Outra atualização é quanto ao uso dos broncodilatadores de alívio, conhecidos popularmente como “bombinhas”. Antes, pacientes frequentemente utilizavam apenas os broncodilatadores para aliviar sintomas. Agora, a recomendação é que se associe o corticoide inalatório e broncodilatador.
“(Essa mudança é) importante, pois a base da doença é inflamação dos brônquios. Portanto, a indicação nas crises sempre é um medicamento para abrir os pulmões e outro para tratar a inflamação dos brônquios”, explica a pneumologista Carla Bulian, da Rede Meridional.
Crises desde a infância
Medicação diária e cuidados com a casa
Foi ainda na infância que a assistente de orçamentos Sheyla Schneider, de 48 anos, teve as primeiras crises de asma.
Ela lembra que quando tinha 16 anos foi acometida por uma crise muito forte, que acabou sendo a última da sua juventude.
Mas, em 2024, ela teve três quadros de pneumonia que sinalizaram a volta da doença.
“Procurei por um pneumologista e hoje faço tratamento diário, com medicação e lavagem do nariz, além de ter cuidados com a casa, como lavar as cortinas toda semana. Nas crises, também faço uso da bombinha”, contou Sheyla.
Anvisa libera novo remédio para asma e rinossinusite
Além das mudanças no tratamento de asma pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na última segunda-feira, o registro do depemoquimabe, um novo imunobiológico para tratamento da asma e rinossinusite crônica com pólipos nasais grave.
O produto, segundo a Anvisa, é indicado como tratamento complementar da asma em pacientes adultos e pediátricos com idade igual ou acima de 12 anos, com inflamação do tipo 2 (alérgica), caracterizada pelo excesso de eosinófilos (glóbulos brancos envolvidos na inflamação das vias aéreas) no sangue.
A condição pode causar inflamação eosinofílica e aumentar o risco de crises graves de asma.
O pneumologista Fabrício Smiderle, da São Bernardo Samp, explica que com esse medicamento é possível fazer tratamento a cada seis meses, melhorando a adesão ao tratamento.
“Os imunobiológicos são anticorpos produzidos em laboratórios e focam em determinada molécula, que chamamos de medicina de precisão.”
Apesar da aprovação, ainda não se sabe o preço que será aplicado ao consumidor final no Brasil.
Segundo os especialistas, novas aprovações e incorporações de medicamentos para tratamento da asma são extremamente importantes para o controle da doença.
“No Brasil, temos cerca de sete mortes por dia por asma. Apesar de a população não encarar essa doença como grave, ela tem impactos importantes, além do risco de morte”, alerta a pneumologista pediatra Sabrina Fonseca.
Principais mudanças no tratamento
Novos medicamentos
Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para asma, o SUS amplia o arsenal para pacientes com asma grave ao incluir novos imunobiológicos: benralizumabe, dupilumabe e ampliação do uso do mepolizumabe para crianças, a partir de seis anos. Os novos medicamentos, apesar de aprovados, ainda não estão disponíveis.
Antes, o protocolo tinha opções mais limitadas, apenas com o omalizumabe e mepolizumabe.
Os novos medicamentos a serem incorporados no SUS são para pacientes que não respondem às terapias usuais, chamados de asmáticos graves (em torno de 3% a 5% dos asmáticos) explica a pneumologista pediatra Sabrina Fonseca.
Na prática, são aqueles pacientes que já fazem tratamento com altas doses e múltiplas drogas sem resposta adequada.
Diagnóstico
O protocolo reforça que o diagnóstico deve ser baseado em anamnese (coleta de informações, exame físico e de função pulmonar).
há maior valorização da espirometria, exame que, segundo explica a pneumologista Carla Bulian, avalia a função pulmonar e é indicado tanto para o diagnóstico quanto para o acompanhamento dos pacientes com asma, sendo imprescindível.
Fim da “bombinha de resgate” isolada
Outra mudança é desencorajar o uso isolado de broncodilatador de curta duração, como o salbutamol, como único tratamento. O novo protocolo reforça que isso aumenta o risco de exacerbações graves e até morte.
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