Sinais de problema que causou morte de cantora Bonnie Tyler
Dor abdominal que começa ao redor do umbigo é um dos primeiros sintomas da doença que matou a cantora Bonnie Tyler
A morte da cantora Bonnie Tyler, aos 75 anos, após complicações provocadas por uma apendicite, chamou a atenção para uma doença considerada comum, mas que pode se tornar uma emergência médica quando o diagnóstico demora.
Médicos alertam que reconhecer os primeiros sinais da inflamação do apêndice é fundamental para evitar complicações graves, como perfuração do órgão, infecção generalizada e até a morte.
Segundo informações da imprensa internacional, Tyler – responsável pelo sucesso dos anos 80 Total Eclipse of the Heart – começou a sentir dores abdominais em abril. Dois dias depois, foi levada ao hospital, onde médicos identificaram ruptura do apêndice.
Após a cirurgia, ela teve complicações e seguia internada em estado grave na UTI. A cantora morreu na quarta-feira.
O cirurgião do aparelho digestivo da Rede Meridional Gustavo Peixoto Soares Miguel afirmou que a apendicite aguda é uma das emergências cirúrgicas mais comuns no mundo todo.
Segundo o especialista, a doença é provocada pela inflamação do apêndice, uma pequena estrutura em formato de dedo localizada no início do intestino grosso.
“Na maioria dos casos, o problema começa quando a entrada do órgão é obstruída por fezes endurecidas. Essa obstrução favorece a proliferação de bactérias, provocando a inflamação. Se o tratamento não for realizado a tempo, o órgão pode se romper, espalhando a infecção pela cavidade abdominal”, explicou Gustavo.
Embora não exista um prazo para que ocorra a ruptura, o médico afirma que o risco aumenta após 36 a 48 horas.
Gustavo explica que a apendicite evolui em quatro fases. No início, o paciente costuma apresentar dor em cólica. Com a progressão da inflamação, a dor passa a se concentrar no lado inferior direito do abdômen e pode vir acompanhada de febre baixa.
“Nos estágios mais avançados, ocorre necrose do órgão e, por fim, sua perfuração. Nesse momento, a infecção pode se espalhar pela cavidade abdominal, provocando peritonite e sepse.”
O cirurgião do aparelho digestivo, Felipe Mustafa, destacou que o diagnóstico é feito a partir do exame físico, exames laboratoriais, podendo ser acompanhado de ultrassonografia ou tomografia do abdome.
“A cirurgia ainda é o melhor tratamento. Na maior parte dos casos, a apendicectomia – retirada do apêndice – por videolaparoscopia é a melhor escolha”, salientou o médico.
Saiba mais
O que é o apêndice?
- É uma pequena “bolsa” em forma de tubo ligada ao começo do intestino grosso (o ceco), no lado inferior direito do abdômen.
- Ele atua como um reservatório de bactérias benéficas para a flora intestinal e auxilia no sistema imunológico.
- Ele tem cerca de 10 centímetros de comprimento e não é fundamental para a vida. Ou seja, ele tem uma função, mas se precisar removê-lo não há problema.
Quando a apendicite ocorre?
- A apendicite é uma inflamação do apêndice, podendo ser causada por algumas situações, entre elas quando há obstrução por fezes endurecidas, por gânglios inchados ou atpe por tumores.
Quem é afetado?
- A apendicite atinge principalmente adolescentes e jovens, sendo mais comum na faixa etária entre os 10 e 30 anos.
- Embora qualquer pessoa possa desenvolver a doença, ela é considerada incomum em crianças menores de 5 anos e em adultos.
- Em idosos, embora não seja tão comum, o risco de complicações é maior.
Como é o tratamento?
- O tratamento da apendicite é apenas cirúrgico, voltado para a remoção do órgão.
- O procedimento, geralmente, é feito por videolaparoscopia, com alguns furos na área abdominal do paciente.
- O ideal é que A cirurgia seja realizada o quanto antes, já que há risco do órgão se romper, fazendo com que o conteúdo fecal se espalhe na cavidade abdominal.
- Nesse caso, há chance de uma infecção generalizada.
Sintomas de apendicite
- Os sinais da apendicite nem sempre aparecem de uma só vez.
- O sinal clássico é uma dor abdominal que começa ao redor do umbigo e que evolui e migra para o quadrante inferior direito, tornando-se muito intensa.
- Outros sintomas comuns incluem perda de apetite, náuseas ou vômitos, febre, prisão de ventre ou diarreia.
Como é feito o diagnóstico?
- É feito com base em sinais clínicos e em alguns exames complementares de imagem, que podem ser a ultrassonografia abdominal ou uma tomografia.
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