Programa busca reduzir espera por cirurgias no SUS
Com seis meses de funcionamento no ES, o programa já soma mais de 120 atendimentos feitos na rede privada
Uma mobilização nacional focada em ampliar o acesso a procedimentos especializados está transformando a realidade de capixabas que aguardavam por cirurgias nas filas do Sistema Único de Saúde (SUS). Por meio do programa “Agora Tem Especialista”, do Ministério da Saúde, 19 pacientes foram operados no Hospital Vitória Apart, na Serra, no final de junho, como parte da força-tarefa do programa federal.
A iniciativa, que integra a rede privada ao SUS para otimizar a estrutura de atendimento, realizou procedimentos de varizes, colecistectomias (retirada da vesícula biliar), hernioplastias (correção de hérnia) e cirurgias ortopédicas. Em todo o País foram 3.762 cirurgias em apenas uma semana.
O Hospital Vitória Apart integra a rede de unidades privadas habilitadas no programa. Para Diego Viana, diretor-regional da Athena Saúde, a adesão reforça o papel social da instituição.
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“Nós temos a vocação de atender a todos os convênios e pacientes particulares. Como um hospital de referência, para nós também é muito gratificante poder atuar e contribuir com uma causa social e ajudar na redução das filas do SUS.”
Luiz Carlos Reblin, superintendente do Ministério da Saúde no Espírito Santo, explica que a estratégia é abrangente. “O programa Agora Tem Especialista é muito extenso. Ele vai desde a fixação de profissionais especialistas até a construção de policlínicas, aquisição de equipamentos e a contratualização com a rede privada.”
No programa, em vez de pagar impostos, a instituição presta serviços. “Isso facilita para nós, porque podemos, a partir da regulação, encaminhar pacientes para essas instituições, facilitando a vida do paciente e agilizando o atendimento no tempo. O objetivo é atender a pessoa no tempo adequado, para ter a solução definitiva do problema”.
Com seis meses de operação nesta modalidade no Estado, o programa já soma mais de 120 atendimentos no Espírito Santo. Ingrid Nunes, assessora do Ministério da Saúde, reforça que o projeto visa mudar o imaginário do cidadão.
“Nosso objetivo é fazer com que o paciente sinta que o SUS está crescendo. Queremos que ele não saia da consulta no postinho de saúde pensando que nunca conseguirá fazer o exame ou a cirurgia. A tendência é ampliar e que a gente consiga dar outra cara para a atenção primária no Brasil.”
“Minha vida vai melhorar 100%”
O recepcionista Rodrigo Aprigio dos Santos, 40 anos, convivia há mais de 10 anos com varizes graves, que chegaram a limitar sua capacidade de trabalho. “Parecia que eu estava andando com um saco de cimento nas pernas”, descreve.
Após a indicação da cirurgia, ele passou um ano e meio na fila do SUS. Sem previsão, a ligação do hospital foi um alívio.
O paciente, que precisou recusar empregos devido às limitações físicas, celebra a realização do procedimento pelo programa. “Minha vida vai melhorar 100%. Agora que já fiz a cirurgia é só esperar para voltar a trabalhar, correr e jogar bola”.
Hérnia
O marceneiro Adelson Feliciano Serra, de 58 anos, aguardava há cinco meses na fila para fazer a correção de uma hérnia inguinal. A dor constante na virilha, que limitava seu trabalho pesado, impunha barreiras ao dia a dia.
Ele buscava na cirurgia o alívio necessário para retomar sua rotina profissional.
“Eu estava doido para fazer essa cirurgia e melhorar o mais rápido possível”, relata.
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