Prevenção de problemas neurológicos deve começar na infância, dizem especialistas
Estímulos na infância ajudam a fortalecer o cérebro e reduzir risco de demência na velhice
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Qual a idade certa para começar a se preocupar com possíveis problemas neurológicos? Será que os cuidados devem começar na meia-idade? Ao contrário do que muitos imaginam, a prevenção deve iniciar antes mesmo da criança nascer e mais ainda na infância, segundo os médicos.
“Qualquer insulto ao organismo ou ao próprio cérebro, até mesmo antes da criança nascer – como algumas infecções na gestante – pode afetar o cérebro do feto e depois do recém-nascido, com efeito deletério ao longo da vida, com repercussões também na velhice”, destaca o geriatra Roni Chaim Mukamal, superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior e professor da Ufes.
Segundo o neurologista Daniel Escobar, presidente da Academia Brasileira de Neurologia do Espírito Santo (ABN-ES), a prevenção na infância está relacionada, principalmente, à escolaridade.
“Pacientes com alto grau de escolaridade têm menos chance de desenvolver demência do que os pacientes com menor grau de escolaridade”, explica.
E isso já foi comprovado em estudos. A pesquisa publicada na revista International Psychogeriatrics, por exemplo, analisou o histórico escolar de idosos e descobriu que melhor desempenho e mais anos de estudo na infância reduziram significativamente o risco de demência na velhice.
Marina Fim, neurologista especialista em problemas de memória e demência, explica ainda que é na infância que se inicia o processo de reserva cognitiva – capacidade do cérebro de resistir por mais tempo aos efeitos das doenças neurodegenerativas.
“Essa reserva é construída ao longo da vida por meio de educação, estímulo intelectual, atividade física, vida social, sono adequado e controle de fatores de risco, como hipertensão e diabetes. E sim, esse processo começa ainda na infância, com o desenvolvimento cognitivo, a educação e o ambiente em que a criança cresce”.
A médica, entretanto, chama atenção para um fato: “A reserva cognitiva não impede a doença, mas pode atrasar seus sintomas. O objetivo real é ganhar tempo, preservar autonomia e melhorar a qualidade de vida”.
Leitura e atividade física
A professora particular Fernanda Pagani, 44 anos, aproveita de sua própria profissão para cuidar do seu cérebro, já que seu trabalho envolve atividades que contribuem para a reserva cognitiva: falar, ouvir, ler e escrever em inglês.
Ela conta que seus avós tiveram demência, experiência familiar que serviu de alerta. Como cuidado com sua própria saúde, ela adota alguns hábitos para proteger seu cérebro.
Além do inglês, a leitura – 15 minutos enquanto está tomando café da manhã e 15 minutos antes de dormir. E como em seu trabalho passa boa parte do tempo sentada, Fernanda afirma que procura fazer as demais atividades caminhando ou de bicicleta.
“Caminho todos os dias com a minha cachorrinha. No mínimo 40 minutos, de manhã e à noite. Faço musculação três vezes por semana e ando de bicicleta sempre que posso. Também comecei a fazer ioga e a minha alimentação é simples e saudável. Não compro produtos ultraprocessados”.
Demências
As demências estão entre as principais causas de incapacidade, prejuízo da qualidade de vida e ônus para a família e a sociedade, sendo consideradas um relevante problema de saúde pública global.
Na população brasileira com 60 anos ou mais, os três estudos populacionais mais recentes estimam a prevalência da demência entre 12,5% e 17,5%.
De acordo com o método Delphi
O número de pessoas vivendo com demência no Brasil em 2019 e as projeções são:
2019: 2,46 milhões
2039: 5,05 milhões
2049: 8,74 milhões
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