Prato das crianças tem sal em excesso, diz estudo
Pesquisa da Ufes aponta que crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos consomem quase o dobro daquilo que é recomendado
Crianças e adolescentes consomem quase o dobro da quantidade de sal recomendada para uma alimentação saudável. O dado é do estudo inédito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que estimou a ingestão diária de sódio entre estudantes de 6 a 17 anos.
O levantamento, conduzido pelo grupo de pesquisa em Epidemiologia das Doenças Crônicas do Centro de Ciências da Saúde da Ufes para o Ministério da Saúde, faz parte do Projeto Kids Sal, que busca estimar o consumo de sal nessa faixa etária.
Entre os principais resultados, a pesquisa constatou que os participantes consomem, em média, 8,8 gramas de sal por dia, enquanto apenas 13% estavam dentro dos limites considerados adequados para a idade.
O coordenador geral do estudo, José Geraldo Mill, explica que o resultado causa preocupação, já que o consumo elevado está associado ao aumento da pressão arterial, elevando o risco de problemas de saúde ao longo da vida.
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“Crianças com pressão arterial mais elevada têm maior probabilidade de apresentar hipertensão também na vida adulta”.
Outra constatação foi a de que o consumo de sal aumenta com a idade e é maior entre os meninos.
“Eles não apenas comem mais alimentos, como também parecem ter maior preferência por alimentos mais salgados”, ressalta José Geraldo Mill.
A pesquisa contou com 619 estudantes matriculados em escolas públicas e privadas de Vitória. Para medir o consumo de sal, foi utilizada a coleta de urina durante 24 horas, o método mais preciso para estimar a ingestão de sódio.
Os resultados reforçam a preocupação de médicos com os hábitos alimentares na infância. Para a pediatra Flávia Tavares, o consumo elevado de sal tem relação com o aumento da oferta de alimentos ultraprocessados.
“Eles são chamados de alimentos hiperpalatáveis, pois estimulam o cérebro e fazem com que a criança passe a preferi-los, deixando de lado os alimentos naturais”.
E o risco de excesso começa a partir dos 2 anos. “Antes dessa idade, as famílias geralmente ainda têm mais cuidado com a alimentação, até porque não é recomendado oferecer sal antes de um 1 de idade”, destaca Flávia.
Para combater essa tendência, é essencial ter organização, na opinião da nutricionista materno-infantil Ana Luísa Mazzini.
“É importante planejar as refeições da semana e reservar um momento para preparar alguns alimentos com antecedência. Isso facilita a rotina e reduz a dependência de produtos prontos”.
Além disso, os pais precisam dar o exemplo. “O paladar é formado desde a infância, então o ideal é criar hábitos saudáveis desde cedo”, completa.
Boa Alimentação
Dando o exemplo
Preocupada com a saúde do filho, a professora Larissa Ferreira Rodrigues Gomes, de 42 anos, controla o consumo de sal nas refeições de casa. Ela e o marido sempre tiveram uma alimentação saudável, o que facilitou o processo de educação alimentar do Olavo, de 10 anos.
“Eles cresceram nesse ambiente, então foi algo natural. Mais do que controlar, nossa preocupação é comer bem. Não compramos refrigerantes, chocolates e outros alimentos ultraprocessados para o consumo do dia a dia”, conta.
O hábito de cozinhar em casa também ajuda. “As principais refeições são feitas em casa, e percebemos que isso fortalece os hábitos alimentares saudáveis”, completa Larissa.
Saiba Mais
A pesquisa
- O estudo foi realizado pelo grupo de pesquisa em Epidemiologia das Doenças Crônicas do Centro de Ciências da Saúde da Ufes.
- A pesquisa integra o Projeto Kids Sal, que busca estimar o consumo de sal entre crianças e adolescentes no Brasil.
- Participaram estudantes de 6 a 17 anos, matriculados em escolas públicas e privadas da capital, sendo que 619 concluíram todas as etapas da pesquisa.
Método
- A pesquisa utilizou a coleta de urina durante 24 horas, método considerado o mais preciso para estimar o quanto de sal uma pessoa consome.
- Isso porque cerca de 90% a 95% do sódio ingerido é eliminado pela urina.
Resultados
- Crianças e adolescentes consomem, em média, 8,8 gramas de sal por dia.
- A quantidade é quase o dobro do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
- Apenas 13% dos participantes apresentaram consumo dentro dos limites adequados para a idade.
- A pesquisa também revelou que o consumo de sal aumenta conforme a idade e que os meninos consomem mais do que as meninas.
- Cerca de 4% dos participantes apresentaram pressão arterial compatível com pré-hipertensão ou hipertensão.
- O estudo também validou fórmulas que podem permitir, no futuro, estimar o consumo de sal a partir de uma única amostra de urina, facilitando levantamentos nacionais.
Onde está o excesso de sal?
Os principais vilões são os alimentos ultraprocessados, como:
- Embutidos (presunto, salsicha, linguiça)
- Salgadinhos e chips
- Macarrão instantâneo
- Temperos prontos
- Refeições congeladas
- Carnes salgadas
- Alguns queijos industrializados
- Riscos
- Elevação da pressão arterial;
- Aumento de risco de pressão alta na vida adulta, o que pode levar a outras doenças;
- Maior risco de cálculos renais;
- Fazer a criança perder o hábito de consumir alimentos naturais, por se acostumar com sabores muito salgados.
Como evitar
- Retirar o saleiro da mesa
- Reduzir o sal aos poucos, para treinar o paladar novamente
- Diminuir o consumo de ultraprocessados
- Ter atenção aos rótulos, preferindo produtos com baixo teor de sódio
- Uso de temperos naturais, como alho, cebola, ervas e limão, para dar sabor aos alimentos
- Fazer refeições em família, estimulando hábitos alimentares saudáveis desde a infância e dando o exemplo
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