Nova lei dos planos de saúde deve liberar mamografia em todas as idades
Hoje, a mamografia digital tem cobertura obrigatória apenas para mulheres entre 40 e 69 anos, com indicação do médico
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula a indústria de planos de saúde no País, abriu uma consulta pública para que a população opine sobre uma nova lei que obrigaria planos de saúde a cobrir a mamografia digital sem limite de idade ou gênero, desde que exista indicação médica.
Atualmente, a mamografia digital tem cobertura obrigatória apenas para mulheres entre 40 e 69 anos, com indicação do médico.
Segundo a ANS, caso a proposta seja aprovada, passará a seguir a mesma regra da mamografia convencional, cuja cobertura não possui limitações; basta que a beneficiária tenha o pedido médico.
O oncologista Wesley Vargas explica que a mamografia digital tem várias vantagens quando comparada à convencional, como menor exposição da paciente à radiação, além de maior qualidade e profundidade do exame.
“É fundamental que isso seja feito. Não há o que discutir, porque 20% dos casos de câncer de mama acontecem abaixo dos 40 anos. A ampliação abre uma margem para pegar uma população mais jovem, que tem uma expectativa de vida maior”.
A intenção é que a mamografia digital seja autorizada para todos que o profissional julgar necessário, diz a oncologista Caroline Secatto.
“A resolução vai ampliar a cobertura para uma faixa etária e um grupo de mulheres que hoje não são contemplados. São pacientes com síndromes genéticas, como a de Li-Fraumeni ou mutações nos genes BRCA, ou ainda com histórico familiar de câncer, para as quais a recomendação é iniciar o rastreamento mais cedo, por volta dos 35 anos”, diz.
Ela explica ainda que a medida também beneficia mulheres com mamas mais densas, nas quais a mamografia digital apresenta melhor desempenho. “Vai atender melhor esse perfil de paciente. É uma medida muito positiva”.
Na prática, os planos de saúde têm tendência a autorizar a mamografia digital para todas as idades, mas não para todos os convênios, explica o mastologista Marcos Ceccato. “O que está acontecendo é uma substituição dos mamógrafos convencionais pelos digital”, explica.
Consultada, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), associação brasileira que representa aos planos de saúde, disse que não irá se pronunciar agora.
Você sabia?
Segundo dados do Painel de Oncologia, informados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em 2025 o Estado registrou 472 casos de câncer de mama entre 20 a 49 anos. Em 2026, entre janeiro e junho, foram 81 casos.
Saiba Mais
Consulta pública 173
- Foi aberta pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na última segunda-feira (22). Contribuições podem ser feitas até o dia 11 de julho.
- Trata-se de uma consulta que discute a atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde para ampliar a cobertura obrigatória da mamografia digital.
- A proposta prevê que o exame possa ser realizado sempre que houver indicação médica, sem restrições de idade ou gênero.
Como participar?
- As contribuições poderão ser enviadas por meio do portal da ANS, onde também estão disponíveis todos os documentos relacionados à proposta.
Como é agora?
- Os planos de saúde são obrigados a cobrir a mamografia convencional para todas as idades com indicação do médico. Já no caso da mamografia digital, a cobertura é obrigatória apenas para mulheres entre 40 e 69 anos.
Mamografia digital
- É considerada um dos principais exames para a detecção precoce do câncer de mama, permitindo identificar alterações antes mesmo de serem percebidas ao toque.
- O diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento e pode reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos.
- Outras vantagens são : permitir o ajuste do exame, sem necessidade de repetição; ser mais rápido e garantir maior conforto ao paciente; além de ser mais acurado.
- Estudos também têm comprovado que a mamografia digital melhora a detecção dos cânceres invasivos, principalmente, em pacientes com mamas densas.
Câncer de mama
- É a multiplicação desordenada de células anormais nas mamas, resultando em um tumor maligno que pode invadir outros tecidos e órgãos. Segundo o Ministério da Saúde, é a primeira causa de morte por câncer em mulheres no Brasil.
Fatores de risco
- A idade é o principal fator de risco para o câncer de mama feminino. As taxas de incidência aumentam a partir dos 40 anos, e, no Brasil, a média de idade ao diagnóstico é de 54 anos.
- Histórico familiar também influencia o risco. Ele aumenta em 5,5% para mulheres com um parente de primeiro grau afetado e em 13,3% para aquelas com dois parentes de primeiro grau diagnosticados com a doença.
- Outros fatores de risco: primeira menstruação precoce, menopausa tardia, terapia de reposição hormonal, obesidade, alta densidade de tecido mamário, entre outros.
Prevenção
- A idade para começar a fazer mamografia pode variar conforme o perfil da paciente e a orientação médica. Mulheres com histórico familiar da doença ou fatores de risco devem ter acompanhamento ainda mais atento.
- Além dos exames periódicos, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo e controlar o peso são medidas que ajudam a reduzir o risco da doença.
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