Médicos explicam por que câncer atinge mais jovens
Mudanças no estilo de vida, fatores ambientais e genética são algumas das causas apontadas por especialistas
Mais comum entre idosos, o câncer tem sido diagnosticado com frequência cada vez maior em pessoas mais jovens. Médicos afirmam que o fenômeno já é percebido nos consultórios e apontam mudanças no estilo de vida, fatores ambientais e predisposição genética como algumas das possíveis explicações para esse crescimento.
A oncologista da Unimed Oncologia e diretora clínica de Neon Oncoclínicas, Luana Pescuite, afirmou que a incidência de câncer em pacientes mais jovens tem aumentado nos últimos anos.
“Isso pode ser atribuído, principalmente, a mudanças ambientais – como poluição e exposição a agrotóxicos via alimentar – e do estilo de vida, como hábitos alimentares, sedentarismo, redução do sono de qualidade, tabagismo e consumo de álcool”.
Ela destacou ainda que existe fator relacionado a alterações genéticas familiares, que também pode levar a um aumento dos casos novos nesse perfil de paciente.
O cirurgião de cabeça e pescoço Judá Câmara Barcellos também destacou que alguns tipos de câncer têm sido diagnosticados com maior frequência antes dos 50 anos. “Na cabeça e pescoço, destacam-se os tumores da orofaringe relacionados ao HPV e o câncer de tireoide”.
Ele ressaltou que a idade não exclui o diagnóstico de câncer. “Em pessoas jovens, sintomas persistentes também precisam ser investigados, porque o diagnóstico precoce aumenta chance de cura.”
O chefe da Divisão de Vigilância e Análise de Situação do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Luís Felipe Leite Martins, ressalta que o câncer tem crescido em todas as faixas etárias, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população e pela maior exposição a fatores de risco ao longo da vida.
Ainda assim, a maior incidência ocorre entre pessoas mais velhas. “Alguns estudos mostram aumento de determinados tipos de câncer em pessoas mais jovens. Um dos exemplos é o câncer colorretal, que pode estar ligado ao aumento da obesidade infantil”.
Entre os casos de descoberta mais cedo de câncer está o da empresária Rayane Veloso, de 36 anos. Ela foi diagnosticada com câncer de mama em estágio 3 depois de perceber um nódulo no banho.
Em entrevista à TV Tribuna/Band, ela revelou que não tinha histórico familiar ou predisposição genética. Hoje, em tratamento, faz um alerta: “ O diagnóstico precoce faz toda a diferença”.
Saiba Mais
Aumento de câncer na população mais jovem
Médicos apontam que não existe uma única explicação para o aumento dos casos de câncer em pessoas com menos de 50 anos.
Acreditam que o fenômeno é resultado da combinação de fatores ligados ao estilo de vida, ao ambiente e à predisposição genética.
Entre os principais fatores estão alimentação rica em produtos ultraprocessados, obesidade, sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo — incluindo cigarros eletrônicos —, exposição à poluição e a agrotóxicos, infecções como o HPV e alterações genéticas hereditárias.
Além disso, o avanço dos exames tem permitido identificar tumores mais precocemente.
Envelhecimento das células
Segundo os oncologistas, muitos desses fatores provocam um processo inflamatório contínuo no organismo e aumentam o chamado estresse oxidativo, que acelera o envelhecimento biológico das células.
Com isso, cresce o risco de surgimento de células cancerígenas.
Tipos que mais crescem
Entre os tumores que têm apresentado aumento de diagnósticos em pessoas mais jovens estão os de mama, intestino (cólon e reto), pulmão, pâncreas, rim, útero e colo do útero.
Na região de cabeça e pescoço, especialistas também observam mais casos de câncer de tireoide e de tumores na orofaringe, como amígdalas e base da língua, muitos deles associados à infecção pelo HPV.
Sinais que precisam ser investigados
Os especialistas alertam que a idade não deve afastar a suspeita de câncer.
Sintomas persistentes precisam ser avaliados, especialmente quando duram mais de duas ou três semanas.
Entre os sinais de alerta estão perda de peso sem explicação, sangue nas fezes, alteração persistente do funcionamento do intestino, tosse prolongada, presença de sangue no escarro, caroços no pescoço ou nas mamas, feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão, dificuldade para engolir, dor de garganta persistente, aumento do volume abdominal e alterações no fluxo menstrual ou secreção vaginal.
Estimativas de novos casos de câncer em 2026
Mama feminina: 950
Próstata: 1.920
Cólon e reto: 980
Traqueia, brônquio e pulmão: 530
Estômago: 450
Colo do útero: 380
Glândula tireoide: 110
Cavidade oral: 510
Linfoma não Hodgkin: 250
Leucemias: 220
Sistema nervoso central: 240
Bexiga: 290
Esôfago: 330
Pâncreas: 220
Fígado: 190
Pele melanoma: 190
Corpo do útero: 150
Laringe: 200
Ovário: 140
Linfoma de Hodgkin: 30
Outras localizações: 1.380
Todas as neoplasias, exceto pele não melanoma 9.710
Pele não melanoma: 6.740
Todas as neoplasias: 16.450
Fonte: Especialistas e INCA.
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