Médicos explicam as diferenças entre vacinas contra a gripe
Outono acende alerta de vírus respiratórios. Campanha nacional de imunização na rede pública começa no próximo sábado (28)
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O outono já começou. A estação é conhecida pelas temperaturas mais amenas, reduzindo o calorão e abrindo a temporada da circulação dos vírus respiratórios.
O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz indica que a influenza A tem avançado no País, impulsionando o aumento de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com destaques para alguns estados, entre eles o Espírito Santo.
Uma das formas de reduzir esses casos é por meio da vacinação contra a gripe, que começa no próximo sábado (28). Na rede privada, o imunizante já está disponível. Mas qual a diferença entre as vacinas da gripe oferecidas nas redes pública e privada?
A médica Bruna Scardini, sócia da Clínica Dr. Vacina, explica que, na rede pública, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina trivalente, que protege contra três cepas do vírus da gripe.
“Já na rede privada, utilizamos a vacina quadrivalente, que protege contra quatro cepas – duas do tipo A e duas do tipo B – ampliando a cobertura contra variantes que podem circular durante o ano.”
A infectologista Ana Carolina D'Ettorres destaca que ambas as composições variam de acordo com as cepas que circularam no ano anterior.
“Esse monitoramento é feito por uma rede de acompanhamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). É visto quais são os principais vírus que circulam no Hemisfério Sul e no Hemisfério Norte para compor a vacina com as três principais ou quatro principais cepas com maior impacto epidemiológico nesse último ano.”
Segundo a médica, depois da vacinação, o corpo leva cerca de 14 dias para começar a produzir níveis adequados de anticorpos para ambas as vacinas.
“As duas vacinas são de tecnologia de vírus inativados, ou seja, partículas de um vírus que não replica, não é vivo, usadas como base para induzir os anticorpos.”
A referência técnica do Programa Estadual de Imunizações, da Secretaria da Saúde (Sesa), Daniele Grillo, esclarece que neste ano a vacina ofertada no SUS protege contra duas cepas do vírus influenza A e uma do influenza B.
“Quanto à cepa do influenza B, não houve alteração; já na cepa A vamos trabalhar com a cepa Missouri/2025 (H1N1) e Singapore/2024 (H3N2). Com relação à influenza A, as duas vacinas (SUS e particular) são iguais.”
Fique por dentro
Vacina contra gripe
A campanha anual de vacinação contra a gripe começa sábado (28) e vai até 30 de maio. Desde segunda-feira (23) as doses já estão sendo enviadas aos municípios, que, segundo a Sesa, já podem iniciar a imunização assim que estiverem com as doses em seus territórios.
A expectativa é imunizar 1.678.279 capixabas inseridos nos grupos prioritários das estratégias de vacinação da campanha. Nesta primeira remessa, o Espírito Santo recebeu 116 mil doses.
Público prioritário
O público prioritário permanece o mesmo das campanhas anteriores. A estratégia contempla três grupos principais.
Grupos da rotina (com meta de cobertura): crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e idosos a partir de 60 anos. Esses grupos possuem meta oficial de cobertura vacinal, definida pelo governo federal.
Também fazem parte da campanha trabalhadores da saúde, professores, povos indígenas, profissionais do transporte coletivo, entre outros grupos considerados mais expostos ou vulneráveis.
Diferença entre vacinas
A vacina disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é trivalente, protegendo contra três tipos do vírus da gripe. Ela inclui duas cepas do vírus influenza A e uma cepa do vírus influenza B.
A vacina da rede privada é tetravalente, que inclui dois vírus influenza A e duas linhagens do influenza B. Ou seja, a vacina privada amplia a cobertura para uma segunda linhagem do vírus B.
Apesar disso, especialistas destacam que ambas são eficazes contra as principais variantes da gripe.
Cepas
Vacinas trivalentes: cepas similares a A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09, A/Singapore/GP20238/2024 (H3N2) e B/Austria/1359417/2021 (linhagem Victoria).
Vacinas quadrivalentes: além dessas três, a adição de cepa similar a B/Phuket/3073/2013 (linhagem Yamagata).
Por que a vacina precisa ser tomada todos os anos?
A vacinação anual é necessária por dois motivos principais: o vírus da gripe sofre mutações frequentes, o que faz com que novas variantes circulem a cada temporada; e a proteção da vacina diminui com o tempo, geralmente entre seis e 12 meses.
Tempo para fazer efeito
Após a aplicação, o organismo leva entre 10 e 14 dias para produzir níveis adequados de anticorpos contra o vírus da gripe.
Por esse motivo, a médica Bruna Scardini orienta que as pessoas se vacinem o quanto antes no início da campanha, garantindo proteção antes do período de maior circulação de vírus respiratórios.
Reações
A vacina é produzida a partir de vírus inativado, ou seja, não possui capacidade de causar a doença.
Algumas pessoas podem apresentar reações leves após a aplicação, como dor no corpo, febre baixa, mal-estar e dor de cabeça. Esses sintomas são considerados respostas do sistema imunológico à vacina, e não um quadro de gripe.
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