Exame de sangue ajuda a detectar câncer de mama
Pesquisa desenvolve teste capaz de identificar alterações no organismo de forma precoce, antes dos exames de imagem
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Uma pesquisa da Faculdade de Medicina do ABC desenvolveu um exame de sangue capaz de detectar o risco do câncer de mama de forma precoce. O RosalindTest, ainda em fase de testes, pode identificar sinais da doença antes mesmo de o tumor ser visível em exames de imagem.
A tecnologia utiliza a biópsia líquida — técnica que analisa fluidos do corpo em busca de sinais da doença — para identificar biomarcadores, moléculas presentes no organismo que podem indicar alterações genéticas ligadas ao crescimento de células tumorais.
A médica geneticista e integrante da pesquisa, Beatriz da Costa Aguiar, explicou que a análise surgiu da comparação entre características presentes no sangue de mulheres saudáveis e de mulheres que já tinham câncer.
“Identificamos um grupo de biomarcadores que aparecem em níveis mais elevados no sangue de mulheres com câncer. A partir disso, o exame consegue detectar esses marcadores, indicando se há crescimento anormal das células.”
A ideia, segundo a médica, é que o exame funcione em conjunto com a mamografia na prevenção do câncer de mama, com o benefício de identificar a doença de forma precoce.
“A proposta é que o teste funcione como complemento, ajudando a indicar quem deve fazer exames de imagem e em que momento.”
Para a pesquisadora, o RosalindTest também pode ampliar o acesso ao rastreamento. “Um exame de sangue pode ser feito em unidades básicas de saúde, por exemplo, sem necessidade de equipamentos de imagem ou profissionais especializados.”
Atualmente, o rastreamento do câncer de mama é feito principalmente pelo exame de mamografia, como explicou a oncologista Camila Beatrice.
“No Brasil, de modo geral, ele é recomendado a partir dos 40 anos, mas isso pode variar de acordo com as diretrizes e o risco individual de cada paciente.”
Se identificado em estágios iniciais, a chance de cura gira em torno de 90%. Porém, o oncologista Wesley Vargas disse que o diagnóstico precoce ainda é desafiador.
“O Brasil é um país com grande diversidade social. Muitas pacientes não têm o hábito de procurar o serviço de saúde ou acabam adiando a investigação, seja por falta de informação, medo ou dificuldade de acesso.”
Entenda
O exame
O teste, desenvolvido por pesquisadores brasileiros na Faculdade de Medicina do ABC, é um exame de sangue que utiliza a técnica conhecida como biópsia líquida.
Na prática, ele analisa o sangue em busca de biomarcadores — substâncias como proteínas, DNA e RNA — que podem indicar a presença de células tumorais no organismo.
Esses biomarcadores costumam aparecer em níveis mais elevados em pessoas com câncer.
A partir dessa análise, o exame consegue apontar se há um risco aumentado de câncer de mama, mesmo antes de o tumor ser detectado por exames de imagem.
Por ser um exame simples, ele poderia ser realizado em unidades de saúde, como UBS e UPAs, sem necessidade de equipamentos complexos.
O novo exame de sangue ainda está em fase de testes e surge como uma alternativa para ampliar o acesso ao rastreamento, especialmente para mulheres que não estão na faixa etária atendida pela mamografia ou que têm dificuldade de acesso ao exame.
Porém, especialistas reforçam que o exame de sangue não substitui a mamografia nem outros exames de imagem.
Câncer de mama
O câncer de mama é o terceiro tipo de câncer que mais mata no Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Estima-se que 20 mil mulheres morram em decorrência da doença todos os anos no País.
A doença se desenvolve a partir do crescimento desordenado de células na mama, que podem formar tumores.
Em muitos casos, ela não apresenta sintomas nas fases iniciais, o que reforça a importância dos exames de rastreamento.
Quando o tumor é diagnosticado precocemente, as chances de tratamento eficaz e cura são significativamente maiores.
Rastreamento
Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda que o rastreamento do câncer de mama seja realizado anualmente a partir dos 40 anos.
É feito principalmente por meio da mamografia, exame que consegue identificar alterações nas mamas antes mesmo do surgimento de sintomas.
Em alguns casos, pode ser complementado por exames como ultrassom ou ressonância.
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