Como funciona botox para tratar enxaqueca
Após a influenciadora Virginia Fonseca relatar o uso do procedimento, especialistas explicam como as injeções bloqueiam as dores
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Estima-se que mais de 30 milhões de brasileiros (15% da população) sofram de enxaqueca. E nem mesmo os famosos estão livres da doença. Mas o botox pode ser um aliado para quem tem o problema, segundo médicos.
A influenciadora Virginia Fonseca, 26 anos, relatou em suas redes sociais as crises de enxaqueca que sofreu nos últimos dias, após atrasar seu tratamento preventivo com botox, iniciado há um ano.
Ela explicou que a cada três meses faz o procedimento, mas acabou atrasando o protocolo por causa de sua agenda de trabalho. “Estou confiante que amanhã vou acordar bem. No dia que não estava acordando com dor de cabeça, estava indo dormir com dor de cabeça”.
Segundo a neurologista Paula Azevedo, o tratamento tem sua eficácia comprovada para a enxaqueca desde 2010. “Usamos injeções pontuais que bloqueiam as terminações dolorosas em volta da cabeça e do pescoço. A aplicação é parecida, mas não é idêntica à estética.”
Paula explica que, na aplicação estética, a intenção de depósito da dose de toxina botulínica é no músculo, e para a enxaqueca é no subcutâneo, onde se localizam as terminações dolorosas. “O protocolo compreende 31 pontos distribuídos em torno de toda a cabeça. Bloqueamos a região frontal, temporal – onde os pacientes referem muita dor –, na parte de trás da cabeça, pescoço e ombro. O efeito se inicia entre sete e 10 dias após a aplicação.”
A neurologista Marina Fim ressalta que a terapia é recomendada para pacientes com enxaqueca crônica, caracterizada por dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês, sendo ao menos oito dias com características migranosas (enxaqueca), por um período superior a três meses. “Seu uso se torna especialmente relevante em pacientes que não respondem adequadamente aos tratamentos preventivos convencionais, apresentam intolerância medicamentosa ou têm contraindicações às terapias orais.”
O neurologista Gabriel Baltazar ressalta que os intervalos de aplicações são em torno de três meses, e o tratamento precisa ser mantido, em média, de um a dois anos. “É um tratamento de profilaxia, não age na crise de dor, mas evita que a crise aconteça. Com o passar do tempo, essas crises vão diminuindo.”
Saiba Mais
Botox para enxaqueca
A toxina botulínica, conhecida popularmente como Botox, é utilizada como tratamento preventivo da enxaqueca, com um mecanismo diferente do uso estético.
No protocolo terapêutico, a substância é aplicada em múltiplos pontos da cabeça, pescoço e região dos ombros — geralmente 31 pontos.
Diferente da estética, em que o produto é aplicado no músculo, no tratamento da enxaqueca ele é direcionado ao tecido subcutâneo, onde estão as terminações nervosas relacionadas à dor.
Além do efeito local, a toxina atua diretamente no sistema nervoso, reduzindo a liberação de substâncias inflamatórias envolvidas na dor, como neurotransmissores e neuropeptídeos.
Indicação
O botox não é indicado para todos os casos de dor de cabeça. Ele é recomendado principalmente para pacientes com enxaqueca crônica, caracterizada por dor em 15 ou mais dias por mês, por pelo menos três meses, sendo parte dessas crises com características de enxaqueca.
Também pode ser indicado para pacientes com crises frequentes (três ou mais por mês), casos incapacitantes, pessoas que não respondem bem a medicamentos preventivos e pacientes com intolerância ou contraindicação a tratamentos orais.
Especialistas reforçam que a indicação deve ser sempre individualizada e feita por neurologista.
Tempo de ação e duração
O efeito do tratamento não é imediato. Os primeiros resultados costumam aparecer entre 7 e 10 dias. A duração média é de três meses. As aplicações devem ser repetidas nesse intervalo.
Além disso, o benefício completo geralmente é observado após a segunda ou terceira aplicação, já que o efeito é progressivo.
Como seu efeito é temporário, a interrupção ou atraso nas aplicações pode levar ao retorno das crises, à necessidade mais frequente de medicações para alívio imediato e ao aumento da intensidade da dor.
Além disso, como a melhora é progressiva, pausas prolongadas podem fazer o paciente perder parte dos ganhos obtidos, exigindo reinício do controle.
Substitui outros tratamentos?
Não necessariamente. O botox faz parte de um tratamento mais amplo da enxaqueca, que pode incluir medicações preventivas, remédios para crises agudas e mudanças no estilo de vida (sono, alimentação, hidratação, atividade física).
Em alguns casos, com a melhora, é possível reduzir ou até suspender medicamentos — mas isso depende da evolução de cada paciente.
Tem alguma contraindicação?
De forma geral, segundo especialistas, o tratamento é considerado seguro e bem tolerado.
As principais contraindicações incluem alergia aos componentes e algumas doenças neuromusculares.
O procedimento deve ser feito por neurologista capacitado, seguindo o protocolo correto.
Fatores que influenciam as crises
Além do tratamento, o controle da enxaqueca também envolve identificar gatilhos individuais, como alimentação (que varia de pessoa para pessoa), privação de sono, estresse e desidratação.
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