Câncer de pele: vacina reduz em até 42% o risco de morte, diz estudo
A intismeran autogene foi combinada a uma imunoterapia e, após 2 anos de estudo, 82,2% dos pacientes estavam sem sinais da doença
Com uma estimativa apontando que em duas décadas as mortes por câncer de pele melanoma podem aumentar em 57% no mundo, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) com base nos dados do Cancer Tomorrow, a ciência tem apostado em uma vacina que reduz em até 42% o risco de morte pela doença.
O resultado vem de um estudo de fase 3, última etapa antes do pedido de aprovação, conduzido pelas farmacêuticas Moderna e MSD e divulgado na última quinta-feira. Em agosto resultados preliminares tinham sido divulgados sem porcentagem estabelecida.
A vacina, batizada de intismeran autogene, trata um tumor que já existe. O material genético do câncer de cada paciente é sequenciado para achar mutações exclusivas dele e, com base nelas, produz-se uma molécula de mRNA com instruções para até 34 alvos. Assim, o sistema imune aprende a localizar e destruir as células cancerosas.
No estudo, a vacina foi combinada ao Keytruda (pembrolizumabe), uma imunoterapia. Após dois anos, 82,2% dos pacientes que receberam a combinação estavam sem sinais da doença, contra 70% dos tratados só com o Keytruda, terapia padrão.
“Estamos diante de um estudo com um retorno muito bom para todos os pacientes, com redução de risco de morte e de metástase em 38% com a combinação de tratamentos, comparado a outros tratamentos que temos hoje”, destacou a oncologista Arianne Velasquez, da Rede Meridional.
A médica explica, porém, que não dá para afirmar que a vacina sozinha teria o mesmo efeito. “É importante deixar claro que trata-se de uma vacina personalizada, em que é analisado o tumor do paciente e de acordo com esse tumor cria-se uma vacina específica”.
Segundo Arianne, os efeitos colaterais, como dor no local (60%), fadiga e calafrio, são manejáveis.
O tratamento é adjuvante, ou seja, vem depois da cirurgia. Segundo a oncologista Caroline Secatto, o paciente precisa ter melanoma cutâneo de alto risco, entre os estágios 2B e 4A, totalmente retirado.
A médica explica que o risco de um melanoma recorrer é de 3 a 5 anos, podendo variar conforme estadiamento de 30% até 60%.
O presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Espírito Santo, Ricardo Tiussi, lembra que a vacina não serve para prevenir melanoma em quem nunca teve.
"A ideia é trazer uma vacina com os antígenos do tumor do próprio paciente associada à imunoterapia” Caroline Secatto, oncologista
"Mesmo depois da cirurgia, pode ficar célula microscópica no corpo, podendo fazer o melanoma voltar” Ricardo Tiussi, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia
Melanoma é um dos tipos mais agressivos da doença
O melanoma é um dos tipos mais agressivos de câncer de pele, mas, se descoberto no início, tem chance de cura de quase 100%. Por isso, conhecer os fatores de risco e vigiar a pele é essencial, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Espírito Santo, Ricardo Tiussi.
Segundo ele, o risco é maior em quem tem histórico familiar de melanoma ou já teve a doença. A exposição ao sol também pesa.
“Aquelas queimaduras do sol que a gente toma quando é criança, adolescente, aquilo se acumula na pele e pode gerar o melanoma e outros cânceres de pele”.
O bronzeamento artificial, proibido no Brasil, mas ainda oferecido em câmaras ilegais, também eleva a chance. Pessoas de cabelo e pele claros, ruivas ou com muitas sardas têm menos proteção contra a radiação solar.
O especialista ressalta que a doença atinge todas as cores de pele. “Pessoa negra pode ter melanoma, pessoa que nunca teve ninguém na família também pode ter melanoma”.
O sinal de alerta é uma pinta nova ou uma antiga que mudou de cor ou formato, cresceu ou formou casquinha que sangra.
O médico recomenda ainda para quem tem parentes com melanoma que a consulta com dermatologista deve ser feita todo ano desde a adolescência. “Quem tem fatores de risco também pode se autoexaminar a cada três meses, do couro cabeludo à planta dos pés”.
Fatores de risco e sinais de alerta
A pesquisa
A vacina intismeran autogene, desenvolvida pela Moderna e pela MSD e combinada ao imunoterápico Keytruda (pembrolizumabe), reduziu em 42% o risco de morte ou de retorno do melanoma em estudo de fase 3, a última etapa antes do pedido de aprovação.
O risco de metástase foi 38% menor. Dois anos após o tratamento, 82,2% dos pacientes que receberam a combinação estavam sem sinais da doença, contra 70% dos que usaram só o Keytruda.
As empresas vão pedir aprovação nos Estados Unidos, e a expectativa é que a vacina chegue ao mercado em 2027.
Como funciona
A vacina é feita sob medida: o tumor do paciente é sequenciado para identificar suas mutações, e uma molécula de mRNA com instruções para até 34 alvos é produzida.
A vacina aponta o alvo, e o Keytruda bloqueia a proteína PD-1, o “freio” que os tumores usam contra as células de defesa, deixando o sistema imune livre para atacá-lo.
Quem pode receber
No estudo, participaram pacientes com melanoma cutâneo de alto risco, entre os estágios 2B e 4A, totalmente retirado por cirurgia. O tratamento é adjuvante, ou seja, vem depois da operação.
A vacina não serve para prevenir o melanoma em quem nunca teve a doença.
Fatores de risco
Aumentam a chance de melanoma o histórico familiar da doença ou um melanoma anterior, as queimaduras solares na infância e na adolescência, o bronzeamento artificial (proibido no Brasil, mas ainda feito em câmaras ilegais) e ter pele e cabelo claros, ser ruivo ou ter muitas sardas. Ainda assim, o melanoma pode surgir em todas as cores de pele.
Sinais de alerta e prevenção
Uma pinta nova, ou uma antiga que mudou de cor ou formato, cresceu ou sangra exige avaliação de um dermatologista.
Quem tem fatores de risco pode examinar a pele a cada três meses, e quem tem parentes com melanoma deve fazer consulta anual desde a adolescência.
Na proteção, a orientação é evitar o sol entre 10h e 16h e usar protetor todos os dias, reaplicando a cada duas horas e após mergulho.
Fonte: G1 e médicos entrevistados.
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