Avanços da medicina para tratar enxaqueca
Anticorpos, infusão na veia e até spray nasal estão entre as alternativas mais recentes usadas por médicos
Ela pode começar com um leve incômodo, mas aos poucos a dor pode se tornar forte e latejante, causando vômitos. É assim que a enxaqueca, uma das dores de cabeça mais frequentes na população, se manifesta em momentos de crise.
No Brasil, cerca de 31 milhões de pessoas sofrem com a doença. Mas os avanços da medicina têm ajudado a aliviar a enxaqueca.
Anticorpos monoclonais, infusão na veia e até spray nasal são alguns do tratamentos mais recentes utilizados para controlar a enxaqueca. Há ainda estudos com a cannabis.
A neurologista Soo Yang Lee explicou que a enxaqueca não tem cura, apenas controle. “Quando falamos de tratamento de enxaqueca, estamos nos referindo não a ausência de crises, mas na diminuição da frequência e intensidade das crises de dor”.
A médica destacou que ultimamente têm sido lançados uma classe de anticorpos monoclonais para tratamento preventivo. Já os injetáveis na veia e spray nasal são para crises agudas.
O neurocirurgião Bruno Nunes Borlott, da Medquimheo, destacou que o tratamento da enxaqueca é pautado em dois alicerces: no aborto da crise e na sua profilaxia.
Segundo ele, as opções de tratamento em spray têm rápida absorção e costumam ser mais eficazes em doses menores, pois não sofrem o efeito da passagem pelo fígado.
“Durante os episódios de cefaleia (crise enxaquecosa), podemos lançar mão também de medicações específicas que atuam principalmente na vasoconstrição cerebral associados ou não a analgésicos e anti-inflamatórios”, afirmou.
O neurologista e especialista em dor Ramon D 'Ângelo Dias explica que os anticorpos monoclonais são medicações utilizadas no subcutâneo.
“São seringas que o paciente administra mensalmente e, dependendo da marca, começa com uma dose dobrada no primeiro mês e doses convencionais nos meses seguintes. É o tratamento mais específico que temos hoje para a profilaxia de crise”.
Canabinoides
O neurologista destacou ainda que há diversos estudos mostrando os benefícios dos canabinoides dentro da enxaqueca.
“Tenho pacientes que já tentaram os mais variados tratamentos e não tiveram sucesso. Nestes casos, lançamos mão dos canabinoides, na maioria das vezes, com boa resposta. Mas, precisamos lembrar que eles não são indicados para todos os pacientes”.
Fortes crises
A agente comunitária de saúde Luzimar de Almeida, de 38 anos, há quatro anos sofre com crise de enxaqueca.
“Antes de saber que era enxaqueca, pensei que pudesse ser pressão alta”, conta.
Foram mais de três idas ao pronto-socorro, devido às fortes crises que Luzimar conta ter sofrido.
“Era uma dor tão forte que não aliviava com medicamentos que eu tomava em casa. Precisava de medicação na veia”.
Para evitar as crises, hoje ela faz acompanhamento médico e faz uso de medicamentos contínuos.
Problema pode ser hereditário
A enxaqueca é hereditária? Estudos apontam o estabelecimento da hereditariedade como fator de risco importante para enxaqueca. Se um ou os dois pais tiverem a condição, a probabilidade do filho apresentá-la varia de 50% a 75%.
A neurologista Soo Yang Lee explicou que a doença é genética e mais comum em mulheres. “A cada quatro mulheres, um homem vai ter enxaqueca. E pode também ter fatores hormonais, já que está muito relacionado à variação hormonal na mulher”.
De acordo com a neurologista Jovana Gobbi, existe um componente genético com predominância familiar para enxaqueca, sendo mais frequente com parentes de primeiro grau.
A médica explicou ainda que a doença tem alto grau de impacto na qualidade de vida pessoal e profissional chegando, em média, a um mínimo de quatro dias de ausência no trabalho ou escola por ano, nos casos mais leves.
“Muitos fatores são gatilhos para as crises como privação ou distúrbios de sono, sedentarismo, alimentação ricas em açúcares e gorduras, estresse excessivo, entre outros”.
Saiba mais
Avanços:
> Spray nasal: Aprovado pela agência regulatória americana, contém substância que atenua a dor em alguns casos 15 minutos. Têm rápida absorção e costumam ser mais eficazes em doses menores.
> Anticorpos monoclonais: Injetável, a medicação bloqueia a dor.
> Infusão intravenosa: O uso da infusão de xilocaína é capaz de acabar com cerca de 90% das crises, além de espaçá-las .
> Canabidiol: Tem ação analgésica e anti-inflamatória, e é indicado no tratamento de algumas patologias neurológicas, como enxaqueca, mas apenas para alguns pacientes.
Fonte: Ministério da Saúde, médicos consultados e pesquisa AT.
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