Metas agressivas podem levar a efeito rebote
Nutricionistas e psicóloga alertam que dietas radicais, metas agressivas e uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento aumentam o efeito rebote.
Sabe quando, logo após uma dieta, você ganha tudo de novo? Esse é o famoso efeito rebote, também conhecido como efeito sanfona. Dietas restritivas, treinos extremos e metas agressivas podem levar a ele, afirma a nutricionista Thais Cortelete.
Também podem acarretar perda de massa muscular e deficiências nutricionais. “O corpo responde melhor a mudanças graduais. Pressa e radicalismo costumam atrapalhar mais do que ajudar”.
A nutricionista Thamires Favato concorda. “As restrições não são sustentáveis por muito tempo e também podem comprometer a composição corporal”.
Ela explica que, mesmo em um processo saudável, o peso não diminui de forma linear e pequenas oscilações são naturais. Por isso, é importante acompanhar também outros sinais de evolução, como medidas corporais, disposição, qualidade do sono, força e melhora nos exames.
Nutricionista, Caio Eduardo reforça que não é preciso fazer um cardápio cheio de restrições para emagrecer até o verão. Mas destaca que, como o tempo não é tão longo, o ideal seria fazer uma avaliação individual e identificar quais são as necessidades reais.
“Não há um cardápio ideal, depende muito de cada indivíduo. Normalmente conseguimos incluir nessas dietas pão, arroz, feijão, macarrão, legumes, vegetais e proteínas de diversas variedades”.
Mas manter o plano por 100 dias não depende apenas do que vai para o prato. Estabelecer metas realistas e com possibilidade de serem incorporadas à rotina é o que aconselha a psicóloga Naira Araújo.
“Gosto de pensar nesses 100 dias como um período de treino mental. É preciso aprender a planejar, criar uma rotina possível, lidar com a vontade de comer, reconhecer gatilhos, organizar o ambiente e desenvolver constância”, diz.
Também é importante não transformar alimentação e exercício em mecanismo de punição, ressalta a psicóloga. “Não precisa ‘compensar’ uma refeição ou se culpar porque deixou de treinar em determinado dia. O foco deve estar na constância ao longo do tempo, e não na perfeição”.
Apesar de tudo isso, não se preocupe. Especialistas concordam que é possível chegar ao verão com o corpo em forma.
“Os primeiros meses são essenciais para a adaptação do corpo, para a mudança de hábitos e para as adaptações que vão contribuir para um melhor resultado. Mas, sim, é totalmente possível começar hoje e chegar ao verão com resultados significativos”, afirma Aryson Antônio, especialista técnico Regional da Rede Wellness Club.
Uso de canetas exige acompanhamento médico
No Projeto Verão, as famosas “canetas emagrecedoras” também podem ajudar a chegar ao corpo que a pessoa considera ideal. Mas, assim como não existe dieta mágica, elas também não vão fazer milagre. Avaliação médica não é opcional, ressaltam especialistas.
“As medicações para tratamento de sobrepeso e obesidade são incríveis, e, se bem indicadas, sem dúvida vão viabilizar o resultado”, afirma o nutrólogo Pietro Lima.
Mas ele ressalta que a necessidade de cada paciente é diferente e cada um responde de uma forma à medicação.
“Além de aspectos como a insulina que devem ser considerados, existem os grandes respondedores e os pequenos”, afirma.
Ferramentas
Para a nutricionista Thamires Favato, as canetas podem ser ferramentas no “Projeto Verão”, mas isso não elimina a necessidade de mudança de hábitos e de acompanhamento médico.
“Precisam de prescrição e acompanhamento médico, além de orientação nutricional. O uso inadequado pode provocar efeitos adversos, deficiências nutricionais e perda significativa de massa muscular, especialmente quando a pessoa come pouco ou não consome proteínas adequadamente”.
Também é necessário planejar a manutenção dos resultados. “Interromper o medicamento sem mudanças sustentáveis na rotina pode favorecer a recuperação do peso”, diz.
De olho no biquíni
Chegando nessa época do ano, Hallana Lima, de 32 anos, conta que dá uma intensificada no “Projeto Verão”. No caso dela, por motivos profissionais: ela faz várias campanhas de biquíni nessa época.
Não que seja fácil com a rotina de modelo comercial e empreendedora, mas ela diz que sempre foi ativa, fazendo pilates e musculação. Já o Muay Thai e a ioga ela conta que voltou recentemente.
Mobilidade e energia
Quando o verão chegar, Wagner Ribeiro, de 45 anos, técnico offshore, vai aproveitar muito. Ele conta que os exercícios que faz na aula de circuito funcional de Daniel Barbosa vão ajudar a ter mais mobilidade e energia, além de melhorar a saúde mental. “Faço pela saúde mental, mas aqui tem muita gente que vem para emagrecer”, completa Erika Lopes, 46, engenheira civil.
Rotina
“Quando o verão vai ficando mais próximo começamos a focar mais”, diz Thayná Martinelli, de 31 anos. “Justamente por conta da praia, pensando em usar biquíni”, revela a influenciadora.
Mas como ela foca? Ela conta que intensifica o treino de cardio e evita “ao máximo” comer frituras e industrializados.
“Tento não pecar muito na dieta durante a semana, embora eu saiba que é impossível sustentar a rotina perfeita todos os dias”.
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