Quem é Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF afastado por ordem de Mendonça
Andrei foi o nome escolhido pelo presidente Lula (PT) para substituir a cúpula bolsonarista que ocupava a PF até 2023
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, teve o afastamento do cargo determinado nesta terça-feira (8) pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O STF formou maioria para manter a determinação de Mendonça. Gilmar Mendes pediu vista, movimento que aumenta em 90 dias o prazo para analisar o processo, mas isso não muda os efeitos da decisão de Mendonça, e Rodrigues segue afastado.
Rodrigues foi responsabilizado por um relatório interno produzido pela PF e utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra Mendonça, por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Essa alegação de abuso de autoridade vem na esteira da publicação, por Mendonça, de apurações da PF que ligavam Moraes ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O relatório aponta que Mendonça teria agido para direcionar as investigações contra Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos". Mendonça se mostrou disposto a levar ao plenário a discussão sobre a abertura de uma investigação formal contra o colega.
Andrei foi o nome escolhido pelo presidente Lula (PT) para substituir a cúpula bolsonarista que ocupava a PF até 2023. Ele havia atuado como coordenador de segurança do petista e, antes disso, fez parte da segurança da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2010. Era próximo do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.
Além disso, Andrei atuou na segurança de eventos como a Copa do Mundo em 2014 e nosJogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Nas ocasiões, ele foi secretário extraordinário de Segurança de Grandes Eventos.
Sua passagem pela PF foi marcada por atritos com outras instituições. Sob sua direção, a PF levantou investigações sobre integrantes de órgãos como Exército, Polícia Rodoviária Federal, GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e Abin (Agência Brasileira de Inteligência), além do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
No início do terceiro governo Lula, em 2023, Andrei comprou uma briga para decidir quem seria responsável por fazer a segurança pessoal do presidente e da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja.
O petista assinou um decreto criando a Secretaria Extraordinária de Segurança Imediata do Presidente da República, que passou para a PF a incumbência de boa parte da proteção. Andrei pressionou pela extensão da medida, causando rusgas com os outros órgãos. A segurança de Lula acabou voltando à GSI.
Andrei teve ainda tensões com a Abin. Em janeiro de 2024, as disputas do órgão com a PF culminaram na demissão do número 2 da agência, o ex-diretor-adjunto Alessandro Moretti. Ele havia sido citado em um relatório da polícia sobre o suposto uso do órgão no governo Jair Bolsonaro (PL) para espionar adversários políticos.
Ao anunciar o nome de Andrei, Lula afirmou que será necessário consertar a PF e que não queria "policiais dando shows nas investigações".
À época de sua nomeação, a PF passava por uma crise severa. Bolsonaro teve o maior número de diretores-gerais desde a gestão FHC (PSDB). Foram quatro nomeados (Maurício Valeiro, Rolando de Souza, Paulo Maiurino e o atual Márcio Nunes) e um barrado pelo Supremo Tribunal Federal (Alexandre Ramagem).
Rodrigues era visto internamente como respeitado e comprometido com a corporação. Antes da direção-geral, ele não ocupou os cargos centrais da entidade, mas, sim, postos de gestão. Foi oficial de ligação na Espanha, coordenador-geral de Polícia Fazendária, chefe da delegacia do aeroporto de Brasília e assistente do diretor executivo na gestão de Luiz Fernando Corrêa no segundo governo Lula.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários