PL lança Rogério Marinho para a presidência do Senado
Com 29 senadores eleitos e apoio de aliados, partido tenta unificar a direita em torno de Rogério Marinho para derrotar Davi Alcolumbre em 2027
A bancada de senadores do PL lançou, nesta quarta-feira (4), o líder da oposição Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado —disputa que vai ocorrer em 1º de fevereiro de 2027.
O PL terá a maior bancada da Casa na próxima legislatura, com 29 das 81 cadeiras. Marinho tem ainda o apoio da bancada do Novo, com 3 eleitos.
No próprio campo da direita e do centrão, porém, Marinho terá que enfrentar a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também almeja a presidência do Senado e com quem ele diz ter um acordo para que haja uma unificação adiante. Outro concorrente é o próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca a reeleição.
A reunião que lançou Marinho nesta quarta, em Brasília, teve a presença de 33 senadores, e o líder destacou que é possível alcançar mais de 40 votos para elegê-lo. Tereza foi tratada no encontro como uma aliada, não adversária.
Em discurso aos senadores, Marinho fez duras críticas ao governo Lula (PT) e declarou que, se comandar o Congresso, será a "barreira contra a barbárie que se avizinha no país". Ele chamou o presidente reeleito de inconsequente e disse que sua perspectiva não é de enfrentamento, mas de "dar a consciência necessária a um governo sem freios" ao modificar propostas que venham do Planalto.
Marinho ainda criticou Lula por querer governar usando o exército de André Janones (Rede-MG), que chamou de "exército de fake news e mentira". Ele afirmou que o exército é medíocre e "tem a altura de quem se propõe a governar o país nos próximos quatro anos".
O senador defendeu anistia aos condenados por golpismo, dizendo que o projeto deve ser apreciado no Congresso sem "coação ou chantagem de outros Poderes".
Também homenageou Flávio Bolsonaro (PL), argumentando que a polícia está aparelhada, que o candidato derrotado não tem no Brasil uma justiça isenta e, por isso, fugiu para os Estados Unidos. Nesse ponto, insistiu que houve abuso da máquina por parte do PT para vencer a eleição.
Marinho ainda afirmou aos seus pares que Alcolumbre vai tentar cooptar os senadores da direita com verbas, mas que seu grupo estará blindado. "Vão tentar comprar a consciência dos senhores, mas não vão conseguir", disse. Ele defendeu que haja transparência na eleição, feita com voto secreto.
"Não sou radical, sou um político que tem consciência do que acontece no país e não vou me calar", disse aos senadores.
O senador do PL diz que ele e Tereza acordaram não disputar entre si, ou seja, a expectativa é de que a corrida se afunile com a retirada de um dos nomes. A ideia é que, em janeiro, o congressista considerado menos viável abra mão da disputa para que o outro unifique a oposição a Alcolumbre.
"A Tereza tem toda a legitimidade de ser candidata. Ela certamente vai tentar viabilizar sua candidatura", disse Marinho, ressaltando que ligou para a senadora nesta manhã antes do seu evento.
"No momento oportuno, pelo nosso acerto, nós vamos convergir. [...] Tereza é nossa parceira, a gente está do mesmo lado, comungamos das mesmas bandeiras, dos mesmos propósitos. Juntos faremos o possível para derrotarmos o atual presidente", completou.
Marinho disse ainda que seu partido tem um "número expressivo de senadores" e que tem apoio também dentro do PP e do Republicanos. Aliados do senador do PL afirmam que, com a maior bancada, ele tem mais força que Tereza, já que o PP terá seis cadeiras.
Nesta terça-feira (3), senadores do partido de Tereza se incomodaram com o lançamento de Marinho e com ataques, supostamente feitos por bolsonaristas, em banners e nas redes sociais cobrando que Tereza desista de concorrer à chefia da Casa. A própria senadora teria se incomodado com a pressão —os banners pedem que ela "pare de atrapalhar a oposição".
Na reunião do PL, ela foi elogiada. "A Tereza é nossa aliada", disse Carlos Portinho (PL-RJ), ressaltando que ela sempre participou das reuniões de oposição.
Em relação ao impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), objetivo da bancada bolsonarista, Marinho disse que não será sua pauta única, mas se comprometeu a não se omitir.
"Não seremos candidatos com um tema de impeachment de quem quer que seja, mas de respeito à Constituição. [...] Ninguém está acima da lei. Se algum ministro cometer crime de responsabilidade, nós não seremos, ao contrário do que acontece hoje, omissos", respondeu.
Marinho fez uma série de críticas a Alcolumbre e disse que, se eleito, não vai haver imposição ou coação no Senado, prometendo ouvir a maioria dos seus pares.
"A anistia é uma pauta que foi impedida [...] de tramitar dentro do Congresso. [...] Você tem um Parlamento que está manietado, amordaçado, impedido de funcionar porque está sendo extorquido, chantageado e pressionado de uma forma espúria. Eu lhes garanto que isso não é democracia", disse à imprensa.
O voto para a presidência do Senado é secreto, mas parte da oposição defende que os senadores divulguem as cédulas antes de depositá-las nas urnas. A ideia é que a pressão popular constranja os eleitos pela direita e evite um voto escondido em Alcolumbre, visto como governista e criticado por ter barrado a anistia e impeachment de ministros.
"O voto aberto é recomendável e necessário. Vamos avaliar de que forma isso pode acontecer. Eu acredito que qualquer cidadão brasileiro gostaria de saber como está votando o seu representante, até para que não haja estelionato eleitoral", disse Marinho.
Em discurso, ele prometeu respeitar a proporcionalidade, a democracia e a discordância. "Ao contrário do que dizem, somos democratas, queremos o diálogo", afirmou sobre a esquerda.
Marinho foi coordenador da campanha de Flávio, derrotado por Lula na eleição presidencial. Depois de fugir para os Estados Unidos, Flávio declarou de lá seu apoio ao aliado na disputa pelo comando do Senado.
A saída de Flávio do país deixou um vácuo de liderança na direita que congressistas desse campo esperam que seja ocupado pelo futuro presidente do Senado e também pelo governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que se colocou para a eleição presidencial de 2030.
É por meio do Senado que a direita bolsonarista quer exercer sua agenda, mesmo tendo perdido a eleição para o Palácio do Planalto. Entre as pautas mais importantes para esse grupo está a anistia para Jair Bolsonaro (PL) e condenados por golpismo no 8 de Janeiro, além do impeachment de ministros do STF.
Na tentativa de permanecer à frente do Senado no ano que vem, o atual presidente da Casa costurou um acordo com o governo Lula e também vem acenando para a oposição.
Alcolumbre prometeu, por exemplo, articular um indulto ou anistia a Bolsonaro em troca do apoio da direita, o que foi rechaçado por senadores bolsonaristas. Flávio, nos EUA, chegou a chamar de nojenta a tentativa de usar a liberdade de seu pai como moeda de troca.
Para se reeleger, o presidente do Senado aposta em traições dentro da oposição e em senadores de direita de partidos do centrão, com quem mantém boas relações.
A federação formada por PP e União Brasil, por exemplo, declarou apoio à reeleição de Alcolumbre, em um movimento para esvaziar Tereza, mas os senadores dos dois partidos não foram consultados previamente e evitaram endossar publicamente a nota.
Tereza, por sua vez, tenta construir a candidatura com base numa rede de apoios alavancada pela bancada feminina, pelo agronegócio e por políticos de centro. A senadora foi ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro e também participou ativamente da campanha de Flávio.
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