“Precisamos de repressão dura ao crime organizado”, diz Helder
Petista promete ônibus sem tarifa de forma gradual, reforço do SUS e diz que vai avaliar criação de universidade estadual
A série de sabatinas com os candidatos ao governo do Estado foi aberta nesta segunda-feira (21) pela TV Tribuna/Band, que entrevistou Helder Salomão (PT).
Ao longo da conversa, o petista apresentou suas propostas para áreas como saúde, mobilidade urbana e segurança pública e falou sobre as prioridades que pretende adotar caso seja eleito governador.
A conversa foi mediada pelo apresentador do TN1 George Bitti e pelo colunista de política da Rede Tribuna, Eduardo Maia.
A Ttribuna — O Estado vem registrando redução dos homicídios. Segundo o Anuário de Segurança de 2026, o número de homicídios dolosos caiu de 856 em 2024 para 796 em 2025. Seu programa reconhece a queda, mas critica o modelo atual. O que o senhor mudaria?
Helder Salomão (PT) — Os dados são reais. Digo que precisamos ser honestos intelectualmente, a gente reconhece que houve redução de homicídios no Estado e País.
Nossa proposta é que a segurança combine quatro fatores: planejamento, inteligência, repressão dura ao crime organizado e políticas sociais. Nenhuma experiência no mundo deu certo sem combinar essas características.
Temos de ter equipamentos modernos, inteligência. Não adianta reprimir crime só no território vulnerável, mas também no “andar de cima”. A ideia é sufocarmos as organizações criminosas, combater o tráfico no território, mas também nesse “andar de cima”. Precisamos de repressão dura ao crime organizado.
Vamos fazer o que outras cidades do mundo fizeram. Eu gosto muito do exemplo de Medellín, na Colômbia. Uma das cidades mais seguras do mundo que foi dominada por Pablo Escobar, hoje tem uma realidade diferente.
Combinaram inteligência, repressão, ocupação dos territórios com políticas sociais, presença do Estado não só com viaturas, mas gerando renda, cultura, esporte, educação e saúde. O Estado não pode se ausentar depois da operação policial.
Seu programa promete fortalecer política de segurança para mulheres em todas as regiões do Espírito Santo. Como pretende garantir que a mulher ameaçada seja efetivamente protegida?
Estamos tratando esse tema como prioridade máxima. Houve redução de homicídios no País, mas aumento de feminicídios. Muitas medidas protetivas não estão sendo cumpridas. A Justiça estabelece, mas as mulheres têm sido vítimas. Propomos a implantação do pacto estadual de enfrentamento às violências contra as mulheres.
Como vai funcionar? Nos moldes do pacto nacional. Vai ser uma articulação para previnirmos as violências com ações voltadas para as mulheres serem protegidas.
Queremos aumentar o trabalho nas escolas e nas igrejas. Precisamos enfrentar essa questão de que homens se acham donos das mulheres. Esses que praticam violência contra elas sabem que terão um governador dedicado às mulheres.
Precisamos também de acesso ao crédito para as vítimas, pois muitas vezes a dependência financeira aumenta todo esse problema que é enfrentando nos lares.
O senhor afirma que a terceirização da saúde ameaça o controle público e precariza vínculos de trabalho. No seu governo, as Organizações Sociais de Saúde (OSS) continuarão administrando a saúde pública?
Nós vamos trabalhar na perspectiva de fortalecer o SUS. Isso quer dizer que não podemos ter parceria com organizações sociais? Podemos, só não pode ser prioridade. Exemplo são os dois PA´s de Vitória, que foram terceirizados e a população reclama.
É preciso que a gente coloque a saúde como responsabilidade direta do Estado, que precisa buscar alternativas. Defendo que a gente regionalize as consultas e exames especializados.
Nós não podemos continuar com esse negócio de a pessoa que mora em Irupi ou Ponto Belo ter de pegar um carro e vir para Vitória conseguir uma consulta ou um exame. Isso demonstra que a saúde tem muitos desafios.
As pessoas moram na Grande Vitória e na regulação do Samu são internadas em Cachoeiro; moram em Alegre, e são internadas em São Mateus. Isso é um absurdo.
Qual será sua meta para reduzir essa fila de espera?
Regionalização de exames e consultas, concluir as obras que estão atrasadas do Complexo Norte, em São Mateus. Terminar obras do Hospital Geral de Cariacica e também o do Câncer, em Cachoeiro.
Além disso, ajudei a aprovar no Congresso o programa chamado Mais Especialistas, que prevê parceria com iniciativa privada. Por isso digo que fortalecer SUS não nos deixa isolados.
Também tem outro detalhe no programa: vamos imaginar um hospital privado que tem dívida com o Estado: ele pode pagar essa dívida com oferta de serviço na saúde. Esse programa do presidente Lula (PT) em parceria com estados já fez com que hospitais privados do Espírito Santo aderissem.
O seu programa fala em “avaliar a viabilidade” da Tarifa Zero no sistema Transcol. Mas, avaliar é diferente de implantar. SS=e o senhor for eleito, pretende efetivamente tirar do papel?
Existe um estudo feito pelo Ministério Público de Contas que aponta que o subsídio que o governo já paga é da ordem de R$ 384 milhões, e o custo do sistema Transcol é de R$ 1,74 bilhão. 35% desse custo já é pago pelo governo.
O que estamos assumindo como compromisso é aprofundar esse estudo e já pensar na implantação gradual, porque o subsídio que o governo paga hoje não cobre o valor total do custo do sistema.
Vamos fazer isso com responsabilidade. Se tem uma coisa que posso dizer é que peguei a Prefeitura de Cariacica totalmente endividada e entreguei saneada, com maior volume de obras.
Nós vamos implantar esse sistema de Tarifa Zero de maneira gradual após os estudos que vamos fazer. Queremos um Estado nota A no equilíbrio das contas, mas também em políticas sociais para que nenhuma família fique para trás.
Candidato, Universidade Estadual será implantada em seu eventual governo?
Foi um debate grande que fizemos, não há compromisso que iremos implantar, mas tem compromisso de que faremos uma análise junto com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e com o Instituto Federal do Estado (Ifes).
Vamos estudar. De fato, é um tema que precisa ser analisado com calma. Hoje, temos uma rede de institutos federais com 26 unidades, e várias delas oferecem curso superior. A realidade mudou no Estado. É uma demanda de uma parcela da sociedade que avaliaremos.
Quem é
Helder Salomão (PT)
- Helder Ignacio Salomão nasceu em Córrego Alto Moacir, município de Colatina (ES), hoje município de Governador Lindenberg. Filho dos trabalhadores rurais Nadir e Demétrio. Aos 10 anos, em 1975, mudou-se para a cidade de Cariacica com o objetivo de continuar seus estudos.
- Seu primeiro mandato eletivo foi de vereador de Cariacica de 1993 a 1996. Em 2002, foi eleito deputado estadual do Espírito Santo.
- Em 2004, venceu as eleições para prefeito de Cariacica. Foi reeleito em 2008. Atualmente exerce o cargo de deputado federal, tendo sido eleito pela primeira vez em 2015. Em 2022, foi reeleito como o mais votado para o cargo no Espírito Santo.
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