Chamada de "incontrolável" por Bolsonaro, Michelle avalia desistir do Senado
Ex-primeira-dama acertou saída do comando do PL Mulher após crise com Flávio e disse que vai se dedicar ao marido e à filha
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ameaçou desistir da disputa ao Senado pelo Distrito Federal e abandonar a política após o agravamento da crise com o senador Flávio Bolsonaro.
Em meio ao desgaste, ela acertou ontem deixar a presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde 2023, decisão anunciada após reunião com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.
A saída ocorre dias depois de Michelle tornar pública a briga com o enteado em um vídeo publicado nas redes sociais. Segundo a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, a decisão de deixar o comando do PL Mulher será temporária.
Entre no nosso canal e receba notícias em seu WhatsApp.
A justificativa apresentada pela ex-primeira-dama é a necessidade de se dedicar integralmente aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar e enfrenta problemas de saúde, além da filha do casal.
Em nota, Michelle afirmou que, após refletir sobre o momento vivido pela família e conversar com o marido, comunicou a Valdemar sua decisão para cuidar da família.
A reunião entre Michelle e Valdemar ocorreu na sede do PL Mulher e teve como objetivo reduzir a tensão provocada pelo conflito entre a ex-primeira-dama e Flávio.
No vídeo divulgado na semana passada, Michelle afirmou ter sido “humilhada” e “maltratada” pelo senador durante um telefonema. Segundo ela, Flávio também determinou que se afastasse das decisões políticas e das indicações dentro do partido. O senador negou as acusações e afirmou que nunca ofendeu a madrasta.
Michelle também afirmou que vinha sendo alvo de ataques de um grupo baseado nos EUA, em referência que integrantes do PL interpretaram como direcionada a Eduardo Bolsonaro e aliados.
Apesar de Michelle não mencionar a candidatura ao Senado na nota divulgada ontem, Valdemar trabalha para convencê-la a seguir na disputa. Segundo interlocutores, o dirigente argumenta que a ex-primeira-dama tem papel estratégico na eleição de aliados, como a governadora Celina Leão e a deputada federal Bia Kicis, além de defender que uma vitória da direita seria o principal caminho para ajudar Jair Bolsonaro.
A crise também envolve a deputada Priscila Costa, vice-presidente do PL Mulher e aliada de Michelle. Ela ficou fora da disputa ao Senado no Ceará após o partido firmar aliança com o PSDB, decisão que ampliou o desgaste interno.
Ex-presidente diz a aliados que mulher é “incontrolável”
Muito antes da crise pública entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro já demonstrava reservas quanto ao perfil político da ex-primeira-dama. A dirigentes do PL e aliados, ele a classificava como “incontrolável” e afirmava que ela não entendia os meandros da política nem aceitava ser contrariada, motivo pelo qual a descartava para a Presidência da República.
Um dos episódios mais lembrados por Bolsonaro ocorreu em 2022, quando ele defendia a candidatura da então ministra Flávia Arruda ao Senado pelo Distrito Federal. Michelle, porém, recusou-se a apoiar a escolha e fez campanha para Damares Alves.
Para evitar um desgaste público na família, Bolsonaro preferiu não participar da campanha de Flávia. Damares acabou eleita e se tornou uma das principais aliadas de Michelle. Nos bastidores do Palácio da Alvorada, Michelle e Damares cultivaram uma amizade próxima.
Com o rompimento entre Michelle e Flávio Bolsonaro, Damares atua como uma das principais interlocutoras na tentativa de reduzir a tensão, embora permaneça ao lado da ex-primeira-dama.
A avaliação de Bolsonaro contrastava com o espaço que Michelle conquistou no eleitorado conservador e dentro do próprio PL nos últimos anos. O ex-presidente costumava dizer que ela tinha dificuldade para lidar com derrotas políticas e não aceitava decisões contrárias às suas posições, característica que, na visão dele, inviabilizaria uma candidatura ao Palácio do Planalto.
Vídeo nas redes sociais liga alerta sobre o pré-candidato
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a alimentar a crise com o senador Flávio Bolsonaro ao compartilhar, nas redes sociais, um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho sobre uma suposta festa promovida pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
A publicação foi feita pouco antes do jogo entre Brasil e Japão e recebeu a legenda: “A verdade de Jesus Cristo vai prevalecer”.
No vídeo, Garotinho afirma que parlamentares e outras autoridades que defendem publicamente a família participaram da chamada “Noite das Astronautas”, festa que, segundo ele, teve mulheres nuas estrangeiras usando capacetes espaciais. A repostagem ocorre cinco dias após Michelle tornar pública a briga com Flávio Bolsonaro.
Entre aliados de Flávio, a publicação reforçou a percepção de que Michelle estaria sinalizando conhecer fatos ainda não revelados publicamente e que poderiam atingir a candidatura do senador. No vídeo divulgado semana passada, ela disse que Flávio afirmou que ela não deveria interferir nas decisões do PL por não entender de política.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários