Candidato diz que vai extinguir favelas
Pré-candidato do Missão apresenta plano que prevê “desfavelizar” o Brasil, acabar com cotas e trocar o Bolsa Família por frentes de trabalho.
O pré-candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, apresentou ontem uma prévia do plano de governo. Em terceiro lugar nas pesquisas, ele promete “desfavelizar” o Brasil em 10 anos, acabar com o sistema de cotas na educação e substituir o Bolsa Família por um modelo de “frentes de trabalho remuneradas”.
O documento foi denominado “Livro Amarelo”, em referência às cores do partido criado pela militância do Movimento Brasil Livre (MBL). Renan tenta crescer na disputa virando votos do senador Flávio Bolsonaro (PL), o favorito hoje para enfrentar o presidente Lula (PT) no segundo turno — marcou 31% no Datafolha, contra 3% do ativista.
O que o plano diz sobre favelas e como seria financiado
No caso das favelas, o Missão descreve os assentamentos urbanos como “chaga que nasceu nos morros cariocas no final do século XIX” e depois se tornou “currais eleitorais controlados por facções e milícias”. A meta seria financiar as intervenções com cobrança de IPTU, regularização da rede de energia elétrica e emissão de títulos, mais os recursos do Minha Casa, Minha Vida.
O plano aponta que parte dos territórios estão sob o controle de grupos criminosos e, para ter sucesso, a iniciativa precisaria vir acompanhada de “guerra ao crime”.
Segurança pública, GLO e mudanças previstas em lei
O capítulo destinado à segurança pública sugere a decretação de estado de defesa e Garantias da Lei e da Ordem (GLO) “para uso de força pesada em territórios classificados como dominados”. Inspirado no governo de El Salvador, cujo presidente, Nayib Bukele, enfrenta denúncias de violação dos direitos humanos, o partido do MBL defende a relativização de garantias processuais a pessoas acusadas de envolvimento com o crime organizado.
Fala-se em prazos mais curtos de julgamento, inversão do ônus da prova para a origem de bens e a “dissolução de entidades públicas ou privadas infiltradas pelo crime”. A promessa dependeria da aprovação de leis específicas no Congresso.
“Em outras palavras, todo faccionado, meramente por afiliar-se a uma facção, já estaria incorrendo em crime, na medida em que seu grupo atenta contra o Estado, afirma o documento, que promete construir “superpresídios” em áreas remotas para abrigar condenados e federalizar todos os casos.”
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