"Cultura será sempre prioridade no nosso governo" diz Lula em evento em Aracruz
Presidente brasileiro criticou o governo anterior, alertou público para ameaças de Donald Trump e assinou dois decretos voltados para a cultura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no Espírito Santo, nesta quinta-feira (21), para participar da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. Em seu discurso, ele falou sobre a importância de investimentos voltados para a cultura.
“Cada centavo investido na cultura retorna em identidade, entidade, autoestima e memória. Retorna, também, em oportunidades de trabalho e geração de renda. O investimento em cultura movimenta uma indústria potente, estimula economia, transforma vidas e cidades. Para existir em sua plenitude todo país precisa de uma alma, a alma do povo brasileiro é a cultura que ele é capaz de produzir apesar de todas as adversidades", pontuou Lula.
O presidente destacou que a cultura é uma das prioridades de seu governo, considerando-a uma potência nacional e um ponto de admiração nacional por sua solidez.
"Nós brasileiros somos admirados no mundo inteiro pela nossa cultura, pela nossa extraordinária capacidade de transformar a essência brasileira em música, literatura, teatro, dança, cinema, artes visuais. Por isso, a cultura será sempre prioridade no nosso governo e contará sempre com políticas públicas capaz de exercer todo o seu potencial simbólico e econômico", afirmou o presidente.
Decretos e investimentos
Durante o evento, que volta a ser realizado após 12 anos e reúne agentes de cultura, povos tradicionais e representantes da sociedade civil, o presidente anunciou 90 unidades de MovCeus, equipamentos culturais itinerantes adaptados com bibliotecas, estúdio audiovisual, recursos tecnológicos, oficinas e cinema ao ar livre.
Além disso, Lula assinou dois decretos, sendo um deles voltado para a criação de políticas nacionais para para culturas tradicionais e populares e o outro que tem como objetivo reestruturar o Conselho Nacional de Política Cultural.
O presidente relembrou que, em março deste ano, mestres e mestras das culturas tradicionais e populares foram oficialmente inclusos na classificação brasileira de ocupações, bem como destacou o avanço do Projeto de Lei que prevê reconhecimento e investimento a esse público.
“Após 14 anos de luta, aprovamos na câmara dos deputados e deputadas, a lei dos mestres e mestras da cultura tradicional e populares. Quando aprovada pelo senado, essa lei vai garantir reconhecimento e auxílio financeiro aos detentores de conhecimentos legados por nossos antepassados”, enfatizou Lula.
Governo anterior
Lula criticou medidas relacionadas a cultura adotadas pelo governo anterior conduzido por Jair Messias Bolsonaro e afirmou ter encontrado um país destruído pela falta de investimentos e fomentação da cultura.
"O governo anterior tentou destruí-la, desacreditou seus mecanismos de financiamento. Foram quatro anos de repetidos atentados contra a cultura, artistas foram criminalizados, lei de fomentos foram cortadas e, mesmo assim, a cultura sobreviveu, sobreviveu graças a cada um e cada uma de vocês artistas, trabalhadores e fazedores de cultura”, disse o presidente.
Investimentos na cultura durante o governo de Lula também foram mencionados pelo presidente, que expôs a criação de 12 mil pontos de cultura no país.
“Quando assumimos a presidência em 2023 havia pouco mais de 4 mil pontos de cultura, sem dinheiro para funcionar. Pequenos em expressão numérica, mas gigante na capacidade de resistir ao desmonte promovido pelo governo anterior. Em apenas 3 anos e meio de governo tecemos juntos essa imensa teia: 16 mil pontos e pontões de cultura espalhados por mais de 2200 municípios do Brasil", destacou Lula.
Ameaça internacional
Enquanto falava sobre problemas relacionados à educação e segurança no Brasil, o presidente destacou a extensão de território e recursos naturais brasileiros que, segundo ele, estão desprotegidos, Lula mencionou falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e alertou o público quanto a ameaças exteriores em relação ao território brasileiro.
“Depois que Trump disse que a Groelândia é dele, depois que ele disse que o Canadá é dele, depois que ele disse que o canal do Panamá é dele, quem é que disse que ele não vai dizer que a Amazônia é dele? Então, é o seguinte, nós vamos ter que cuidar, nós vamos ter que assumir a responsabilidade de cuidar desse país, porque se a gente não cuidar, daqui a pouco vem um maluco e quer tomar esse país”, frisou Lula.
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