Virada de chave começa em 2019: os números do ES na segurança pública
O primeiro trimestre deste ano alcançou resultado histórico de redução de assassinatos e de crimes violentos registrados
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Os números de crimes violentos estão em queda no ES. Março, por exemplo, fechou com a menor quantidade de homicídios registrados na série histórica. O resultado – de 58 assassinatos – em 31 dias foi o melhor desde 1996.
O primeiro trimestre deste ano também alcançou um resultado histórico de redução, fechando em 199 mortes violentas dolosas, contra 231 no mesmo período do ano passado. A queda, até o momento, é de 13,9% em relação a 2024.
Os dados englobam homicídios comuns e feminicídios. O melhor mês de março registrado anteriormente havia sido no ano anterior, com 83 mortes. Ou seja, neste ano, foram 25 vidas preservadas em relação ao mesmo período de 2024.
A exceção é a região Noroeste, que teve um pequeno acréscimo de três casos em relação ao ano passado. Todas as regiões do ES apresentaram redução de assassinatos no acumulado do ano.
Para o governador Renato Casagrande, o Programa Estado Presente tem sido um programa exitoso e vem colaborando diretamente para essa queda nos índices de violência.
“O Estado Presente tem sido um programa exitoso desde quando lançamos, em 2011, em meu primeiro mandato, quando tiramos o Espírito Santo de 2 mil homicídios por ano. Em 2019 retornamos ao governo com o Programa Estado Presente e os homicídios voltaram a cair chegando a menos de 900 em 2024”.
Além disso, Casagrande destacou que o trabalho incansável de todas as áreas da segurança pública e com investimentos recordes na área, o Estado está conquistando resultados ainda melhores neste ano.
Investimentos
O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do ES, Leonardo Damasceno, destacou o os investimentos do governo, o empenho das forças de segurança, o Programa Estado Presente, as prisões de criminosos, a desarticulação financeira das facções e as apreensões de armas e drogas.
Ele citou também a recomposição de efetivo constante, aquisição de novas tecnologias, ações de proteção ao policial e melhoria das instalações físicas.
Planejamento
Surtindo efeito

“Não devemos comemorar enquanto uma vida estiver sendo perdida, mas este resultado é um reflexo do trabalho incansável das nossas forças de segurança e do Programa Estado Presente.
Sabemos dos desafios, mas a cada redução nos crimes em geral e principalmente nos homicídios, vemos que todo o esforço e planejamento estão surtindo efeito.
O investimento constante na recomposição do efetivo, em tecnologias de segurança e na valorização dos nossos policiais tem sido fundamental para alcançarmos esses números.”
Renato Casagrande, governador do ES

Opinião: Virada de chave começa em 2019

“Na década de 90, o ES vinha em um aumento da violência. O Espírito Santo tem casos emblemáticos de violência na nossa sociedade. Em 2003, por exemplo, o juiz Alexandre Martins foi morto no estado.
Entre 2005 e 2009, o Espírito Santo passou pela mais grave crise do sistema prisional capixaba, que inclusive em 2009 teve um pedido de intervenção federal no ES.
À época, teve denúncia na Corte Internacional de Direitos Humanos, policiais militares faziam a guarda dos presídios e os presos provisórios ficavam nas delegacias.
Em 2009, o Espírito Santo foi o segundo estado mais violento do Brasil, com uma taxa de homicídios de 58 por 100 mil habitantes. Foram registrados 2.034 homicídios. Foi o maior número e a maior taxa de homicídios desde 1996.
Já em 2011, surge o Programa Estado Presente, que não buscou reinventar a roda. Usou o que já existia no mundo, o que deu certo.
A palavra-chave do Estado Presente é integração: repressão qualificada com prevenção e proteção policial com proteção social.
Desde 2010, o Espírito Santo começou a mudar a chave. Em 2011 e 2014, o Estado Presente conseguiu a maior redução, até então, dos homicídios. Lá em 2011, a gente foi nos bairros mais violentos fazer diagnóstico socioeconômico, deixando um legado para a área da segurança pública.
Em 2014, a gente já saía do topo do ranking, já não era o segundo Estado mais violento, já estava saindo daquele topo. Só que o Programa Estado Presente sofreu descontinuidade na gestão à época.
Em fevereiro de 2017 veio a mais grave crise da segurança pública, que foi um ponto fora da curva (popularmente conhecida como a greve da Polícia Militar). Em 2019, o Estado Presente foi retomado. Depois daquela situação atípica também voltou a cair a violência em 2018.
Em 2019 começa a virada de chave, com o menor número de homicídios, menos de mil pela primeira vez desde o início da série histórica.
No ano passado, alcança o menor número de toda a série histórica, desde 96. Foram 852 homicídios, ou seja, olha a importância da política pública, baseada na integração, evidência científica, dados, informação, transparência, tecnologia e governança integrada”.
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