Seis integrantes de esquema de venda ilegal de canetas emagrecedoras são presos
Grupo é suspeito de contrabando, descaminho e venda ilegal de medicamentos; polícia apreendeu receitas, carimbos e blocos de atestado
Quatro mulheres e dois homens foram presos durante a Operação "Efeito Colateral", deflagrada nesta quinta-feira (28), em Vila Velha e na Serra. Eles são suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada no contrabando, descaminho, distribuição e venda ilegal de medicamentos, entre eles, canetas emagrecedoras.
A Polícia Civil (PCES) também cumpriu seis mandados de busca e apreensão, em que foram encontrados, além dos medicamentos ilegais, blocos de atestado, bem como carimbos e receitas médicas.
Dentre os presos, está um homem, 36 anos, apontado como o principal fornecedor do medicamento ilegal, que foi detido em Central Carapina, na Serra. As investigações buscam entender se ele seria o líder do esquema de vendas ilegais.
"Ele mesmo falou, durante a investigação preliminar, e a gente tem um print, onde ele mesmo fala que ele é um dos maiores distribuidores da medicação desse produto no Estado. Também fala que ele atua com uma rede de pessoas dando suporte, fazendo aplicação em farmácias, em unidades de saúde", expôs o titular da Delegacia de Defesa do Consumidor, delegado Eduardo Passamani.
Durante a operação, também foram apreendidas ampolas de um medicamento que, segundo Passamani, ainda está em fase de testes e não teve aprovação para uso e comercialização em âmbito nacional e internacional.
"Foram apreendidas várias ampolas de uma nova substância que não é permitida em nenhum lugar do mundo. Essa substância está em fase de testes laboratoriais ainda. Então, assim, não ficou definida consequências para a saúde do uso da substância. Seria a evolução da atual caneta, mas isso não foi comprovado a segurança em nenhum lugar do mundo", pontuou o delegado.
Transporte e comercialização
As investigações indicaram que os medicamentos eram produzidos no Paraguai, sem qualquer controle de pureza ou transporte, e que entravam no Brasil por meio da fronteira entre o país paraguaio e o Mato Grosso.
Os medicamentos eram anunciados nas redes sociais e negociados em aplicativos de mensagem em grande escala, o que o delegado-geral da PCES, Jordano Bruno, alertou que pode gerar um grande problema para a saúde pública.
"Esse tipo de produto tem tido uma procura muito grande. Isso gera um alerta, porque daqui a pouco, qualquer local, qualquer laboratório clandestino, vai estar produzindo um produto como esse. E daqui a pouco, a gente vai ter um problema de saúde pública grave, com um monte de pessoas tendo problemas a curto, médio e longo prazo, utilizando essa substância sem procedência, sem controle nenhum", afirmou Bruno.
Ligação com área da saúde
De acordo com Passamani, três pessoas investigadas, entre elas duas presas, trabalhavam em unidades de saúde. Contudo, apesar dos carimbos médicos serem encontrados na casa de um suspeito durante o cumprimento de busca e apreensão, por não estar em casa, a pessoa não foi presa.
Além disso, os outro quatro presos, que afirmaram ser empresários, também possuem ligação com a área da saúde, com parentes ou pessoas próximas proprietárias de farmácias.
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